O cardeal madeirense

Foto: Duarte Gomes

O Papa nomeou o cardeal José Tolentino Mendonça para o recém criado Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, cuja missão é o “desenvolvimento dos valores humanos nas pessoas no horizonte da antropologia cristã”.

Motivo de orgulho para a Madeira e para Portugal. A pequena ilha do Atlântico oferece assim, à Igreja e ao mundo, uma pérola de grande valor.

Foi com emoção que reparei que nas informações biográficas dos órgãos de comunicação internacionais surgiram os nomes de Machico, Ilha da Madeira, Diocese do Funchal, onde o Cardeal Tolentino nasceu no dia 15 de dezembro de 1965 e foi ordenado sacerdote a 28 de julho de 1990.

Recordo o seu poema “Caminho do Forte, Machico”, onde fala dos pescadores, dos “miúdos” que tiravam bocados de gelo e das mulheres que se sentavam “à porta com os bordados /quando passavam estrangeiros / ficavam sempre a sorrir nas fotografias”, escreveu.

No dia da sua ordenação episcopal a 28 de julho de 2018 no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, referiu que assumia como missão “a sede de olhar e ajudar os seus semelhantes a olhar os lírios do campo”, como consta no seu lema episcopal, “Considerate lilia agri – Olhai os lírios do campo (Mateus 6, 28). No brasão, é escolhido o símbolo do lírio, que assinala o seu nome, José, colocando o seu ministério “sob o olhar paterno de São José”.

“Os farrapos de mendigos que interiormente nos vestem têm a beleza dos lírios: é essa a lição”, referiu o cardeal.

Em setembro de 2018 iniciou a sua função de Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana e no Consistório de 5 de outubro de 2019, na Basílica de São Pedro, em Roma, foi criado cardeal. Após a cerimónia partilhou com os jornalistas a conversa em que o Papa lhe disse: “tu és a poesia”.

Agora, a Igreja conta com a sensibilidade do cardeal José Tolentino para poder ver os lírios no campo da cultura e da educação, das artes e da estética, e para levar ao mundo a poesia de Deus.