Irmã Maria, “mártir da fé”

D.R.

Aos 24 anos, uma jovem italiana, Maria De Coppi, deixava o seu país para realizar o sonho missionário em Moçambique. Pertencia à congregação das irmãs combonianas. Depois de uma viagem marítima de 31 dias, chegou finalmente ao seu destino. Aprendeu a língua portuguesa e dedicou-se de alma e coração àquele povo.

Ao longo de quase seis décadas de missão passou por muitas situações: “Vivi neste país momentos belos e difíceis: a colonização, a guerra, a paz e o terrorismo”.

Os últimos anos foram particularmente difíceis devido ao ciclone e à seca. Numa entrevista a um jornal italiano, em 2021 falou das 400 famílias que chegaram à sua missão, em fuga da zona de guerra. “Procuro estar próxima das pessoas, sobretudo escutando as suas histórias. Apesar da pobreza material, a escuta do outro permanece um dom grandíssimo, é reconhecer-lhes dignidade”.

Na sua oração dizia: “Agradeço-te Pai que me enviaste aos pobres, aos marginalizados e àqueles que não contam”.

Na semana passada, a Irmã Maria De Coppi, 83 anos, foi assassinada num ataque terrorista na missão de Chipene, província de Nampula, norte de Moçambique, juntamente com outros três cristãos.

“Os rebeldes assaltaram a missão e incendiaram todas as obras paroquiais”: a escola primária e secundária, o hospital, o dormitório e a igreja, disse um sacerdote dessa missão.

Os jihadistas reivindicaram o ataque, justificando que Irmã Maria era “muito empenhada em difundir o cristianismo”.

Na verdade, ao longo de quase 60 anos, esta religiosa anunciou o Evangelho, não só com palavras, mas “sobretudo com a vida, com o amor pelas pessoas, com a dedicação incondicional e gratuita, como Jesus nos ensina no Evangelho”, disse o bispo de Vittorio Veneto.

Para o arcebispo de Nampula, Inácio Saure, a Irmã Maria é “sem dúvida, uma mártir da fé”. “Toda a sua vida sobre a terra foi um serviço aos pobres”.