O Diácono Alberto Fernandes, 38 anos, da paróquia do Campanário, vai ser ordenado presbítero neste sábado, dia 30 de julho, às 10 horas, por D. Nuno Brás, na Sé do Funchal.
O Jornal da Madeira enviou-lhe três perguntas sobre este momento importante da sua vida.
Como está a viver estes dias que antecedem a Ordenação?
Diácono Alberto – Sinto-me invadido por uma emoção inefável… O Senhor Jesus é o autor de toda esta caminhada e só a Ele devo toda a minha gratidão, honra e louvor! Sou chamado por Ele e confio-lhe inteiramente o meu Sim, numa entrega repleta de fidelidade, doação e sem arrependimentos.
É com uma enorme gratidão ao Senhor que contemplo o seu chamado e sinto a Divina Providência a atuar na minha vida. Há em mim uma alegria imensa por ser escolhido pelo Senhor para seu servo e guiado pelo manancial da sua luz acolherei o seu amor que me dá total confiança para abraçar a missão a que Ele me predestinou.
Estes dias estão a ser vividos em oração e em Ação de Graças por tudo o que vivi e alcancei da parte do Senhor!
“Há em mim uma alegria imensa por ser escolhido pelo Senhor para seu servo”
Estou feliz pelo modo como a Diocese do Funchal, através do nosso bispo, D. Nuno Brás, irá confirmar-me no Sacramento da Ordenação Sacerdotal. Sinto-me amado e acolhido pelo coração da igreja, da minha comunidade paroquial e pastoral, denotando a alegria dos irmãos por esta ocasião solene.
Só tenho expressões de gratidão e alegria por todos aqueles que me apoiaram na minha caminhada vocacional, nomeadamente, a minha família e os amigos, os quais foram pilares importantes no meu discernimento e em todo o meu percurso.
A aproximação deste dia jubiloso faz-me sentir acolhido nas mãos do Pai do Céu que me escolheu e confiou esta missão no seio da igreja e do mundo
O que significa para si ser ordenado padre?
Diácono Alberto – Ser ordenado padre é, primeiramente, configurar-me com Cristo Bom Pastor! É confiar-me totalmente ao seu coração e aos seus desígnios para que se cumpra na minha vida a missão ao serviço dos irmãos. Quero ser evangelizador de Jesus Cristo nas palavras e nas ações. Que eu saiba escutar com docilidade a voz do Espírito para que eu leve o Senhor a toda a parte, tocando os corações dos que não O conhecem, dos tristes, dos errantes e dos que vivem sem esperança.
Quero ser um padre do povo! Anseio levar a alegria e a força do Espírito Santo, que o Senhor fez brotar em mim, ao rebanho que me for confiado pois só o Senhor é o Caminho, a Verdade e a Vida e eu serei ungido pela sua graça.
Desejo que o Senhor se manifeste em mim sempre, para que o seu povo possa ver o reflexo do seu Amor, da sua Paz e da sua Misericórdia, sendo estas as verdades da fé que nos levam à Santidade.
Como refere São João Maria Vianney: “O sacerdote é o amor do Coração de Jesus” e ainda “Quando virdes um padre pensai em Nosso Jesus Cristo”, pensamentos estes que me conduzem fortemente ao amor com que Cristo zela por nós, trazendo-nos no seu coração, almejando a nossa santificação, através da nossa doação aos irmãos e à igreja.
“Quero ser evangelizador de Jesus Cristo nas palavras e nas ações”.
O sacerdote é escolhido e ordenado com a finalidade de anunciar a Palavra, administrar os Sacramentos e guiar a Comunidade. O sacerdote é Persona Christi, ou seja, preside na Pessoa de Cristo. Eu quero ser um pastor unido ao seu coração e assemelhar-me a Ele na bondade, na paz e no bem fraterno. Eu escolhi o lema “Eu cuidarei das minhas ovelhas, diz o Senhor” (Ezequiel 34,11) pois ao meditar nesta passagem bíblica assumo no meu coração o compromisso de zelar pelas minhas ovelhas, entregando-me totalmente aos seus anseios, aspirações e esperanças. Só assim imitarei Cristo, meu Mestre. Tal como Pedro, ouço a voz do Senhor a interpelar-me: “Apascenta as minhas ovelhas” (João 21,17). Assim, consagro-me de alma o coração ao Amor do Pai, levando pra minha missão as três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade.
Confio o meu ministério e apostolado à Virgem Maria pois conduzido por Ela terei a melhor guia para todas as minhas ações, para assim corresponder sempre à vontade do Senhor.
Na sua perspetiva, quais os principais desafios que se colocam hoje na vida de um sacerdote?
Diácono Alberto – Na missão de um sacerdote existem várias exigências e implicações pastorais. Durante a nossa formação como candidatos ao sacerdócio tomamos consciência da realidade atual e procuramos dar resposta às inquietações dos tempos que nos sucedem de acordo com o anúncio do Evangelho que é a base fundamental da nossa fé.
Com a ausência da Palavra de Deus seria impossível colocar-se ao serviço com total disponibilidade e entrega, realizando na vida da igreja e dos irmãos ações concretas com vista à edificação da sua fé, da esperança e da presença do amor de Jesus nas suas vidas, pois a Palavra de Deus é a verdadeira bússola da nossa missão que nos dá coragem e força para avançarmos na nossa missão com confiança.
“Quero ser um sacerdote presente, atento e disponível, alguém que escuta aquele que não tem voz ativa valorizando-o como um ser único aos olhos de Deus”.
Embora sejamos aprendizes, o Senhor Jesus no quotidiano vai-nos enriquecendo com os seus dons e carismas de modo a corresponder às solicitações da pastoral comunitária. Procurei ser solícito à vontade do Pai e às necessidades do nosso tempo, seguindo as linhas mestras da igreja. Atualmente, estamos a viver o Sínodo da Igreja o qual nos convida a caminharmos juntos para conseguirmos compreender as necessidades do seu povo para que haja uma renovação e uma atualização no cumprimento das respostas às necessidades de todos os que pertencem ao corpo da igreja. Todos devem pronunciar-se e todos devem ser escutados pois só assim caminhamos unidos em fraternidade, em acolhimento, na partilha, na verdade, na doação, na entrega, no serviço e no Amor fiel a Deus Pai.
Quero ser um sacerdote presente, atento e disponível, alguém que escuta aquele que não tem voz ativa valorizando-o como um ser único aos olhos de Deus.
Elementos biográficos
O diácono José Alberto de Sousa Fernandes nasceu em 1984 no Campanário, Ribeira Brava. Filho de Manuel Gonçalves Fernandes e Maria de Sousa Fernandes. Tem quatro irmãos: o João; o Paulo; o Miguel e a Marlene.
Frequentou o Colégio Missionário do Sagrado Coração, Funchal, entre os anos 2002 a 2005 e depois o Centro Dehoniano, Porto.
Em 2009 integrou o Seminário Diocesano do Funchal e no ano seguinte frequentou o Seminário Maior de Cristo Rei -Olivais em Lisboa até 2014, onde frequentou o Curso de Mestrado Integrado em Teologia na Universidade Católica, Lisboa.
Reingressou no Seminário Diocesano do Funchal em 2020 e concluiu o curso teológico com Dissertação/Tese em 2021.
Atualmente estava a exercer o diaconado na paróquia da Nazaré no Funchal.


















