Eucaristia dedicada a São Pedro assinalou 25 anos do padroeiro do Centro Paroquial da Ponta Delgada

Ao fim de todos estes anos o centro necessita de obras e de melhorar os equipamentos de que dispõe, para dar mais e melhores condições a quem frequenta as suas diferentes valências.

Foto: Duarte Gomes

A comunidade paroquial de Ponta Delgada e muito particularmente os utentes das diferentes valências do Centro Social e Paroquial do Bom Jesus da Ponta Delgada, estiveram esta quarta-feira em festa, celebrando os 25 anos da instituição e também São Pedro seu padroeiro.

As celebrações começaram pelas 11 horas, com a celebração de uma Eucaristia presidida pelo bispo do Funchal, cuja presença o Pe. Duarte Gomes, pároco de Ponta Delgada, agradeceu. Assim como as demais autoridades presentes, nomeadamente a secretária regional da Inclusão e Cidadania, a presidente do Instituto de Segurança Social da Madeira, o vice-presidente da Câmara de São Vicente e o presidente da Junta.

O Pe. Duarte que a todos desafiou a “viver este dia de São Pedro procurando imitar este apóstolo”, de modo a que “a nossa ação social seja um verdadeiro testemunho do evangelho, dessa presença de Cristo vivo que continua a ir ao encontro dos mais pobres, dos mais desfavorecidos, daqueles que precisam da nossa atenção”. 

Quanto a D. Nuno Brás iniciou a sua homilia fazendo suas as saudações que o Pe. Duarte proferiu no início da celebração, a que acrescentou também, de uma forma muito particular a direção do Centro Social e Paroquial.

De resto, frisou o prelado, o que distingue um Centro Paroquial e Social de outras instituições “é o facto o fruto de um querer humano, mas também um fruto da própria atitude de fé”.

E a fé, explicou, traz a estas realidades a presença de Jesus – o filho de Deus vivo – aquele que quis saber as opiniões que tinham sobre Ele, incluindo os apóstolos, como nos relatava o Evangelho. A fé que “não tem origem em nós, a fé que não tem origem nas nossas opiniões, mas que tem origem em Deus”. 

“Quando muito, somos nós que vamos mudando as nossas opiniões até que sejamos capazes de fazer nossa a afirmação de Pedro: tu és Cristo, o filho de Deus vivo, que não é simplesmente uma afirmação teórica, mas uma atitude de quem se entrega nas mãos de Jesus Cristo”, constatou.

Prosseguindo, D. Nuno considerou ser este “o segredo das obras da fé, da fé virtude teologal”, isto é que têm origem em Deus, e que “aquele que vive a fé não a vive sozinho, mas com todos os que a partilham e com Deus e é isso que faz a diferença”. E é também por causa disso que “a fé é o grande ator de transformações e de transformações únicas ao longo da história da nossa civilização”.

Desde os hospitais às escolas e a tantas outras realidades, a fé “tem feito com que a nossa civilização seja mais humana” ou como escutamos na Iª leitura, a libertação de Pedro, ou a liberdade que Paulo relata na IIª leitura.

“Este nosso centro paroquial e a maioria daqueles que eu conheço, não apenas aqui na região, mas um pouco por toda a parte, são precisamente testemunhas de como a fé vai abrindo estas portas, de como a fé vai sanando problemas, retirando obstáculos e a obra nasce porque Deus quer, porque é presença de Deus, porque é mais do que simplesmente uma realidade humana”, frisou.

Na sua reflexão, o prelado sublinhou ainda que é importante que estas instituições se mantenham a ser obra da fé, “precisamente por causa disto”. Obra da fé que “os leva a acolher aqueles que mais precisam, que nos leva a perceber as necessidades dos nossos irmãos, que nos leva a ultrapassar tantos obstáculos para fazer o bem”.  

É por isso, prosseguiu, “que damos graças a Deus por estes 25 anos deste centro social e paroquial, com todos os problemas que possa ter tido, com todos os problemas que tenha, é para isso que cá estamos, por ser sinal da presença de Deus no meio de nós, de um Deus que nos ama, sinal da fé no meio desta realidade concreta do norte da ilha”.

D. Nuno Brás terminou agradecendo a todos os que tornaram esta instituição uma realidade, a todos os que nela trabalham, desejando que “sejamos dignos desta história e a ajudar que esta instituição seja sempre marcada por esta atitude de fé que liberta e que nos ajuda a servir os homens louvando sempre a Deus.

No final da Eucaristia seguiu-se a procissão até ao cais, onde D. Nuno Brás procedeu à bênção das embarcações.

Neste momento, o Centro Social e Paroquial do Bom Jesus da Ponta Delgada conta com um lar, uma residência para idosos, centro de dia, um infantário e lavandaria com apoio ao domicílio.

Sobre os principais problemas que o centro enfrenta neste momento, o Pe. Duarte Gomes explicou ao Jornal da Madeira que o principal tem a ver com “a degradação dos edifícios, devido à maresia a que os edifícios têm estado expostos durante estes 25 anos, algumas infiltrações a equipamentos.

O desejo do pároco era que “o infantário passasse para o antigo CAO e passasse a ser o centro de dia”. Para isso admite que é “preciso reunir vontades, porque o centro por si só não consegue chegar lá, porque estamos a falar de orçamentos elevados”. 

Aliás, “o centro não tem capacidade financeira para sustentar a manutenção mais profunda dos espaços”, precisamente devido ao custo das mesmas. “Terá de ser através da ajuda das nossas autoridades regionais, através da Secretaria Regional da Inclusão e Cidadania e do Instituto de Segurança Social da Madeira, que essas obras se poderão realizar, para darmos mais e melhores condições aos nossos idosos”, frisou o sacerdote.