“Do telhado para cima”

D.R.

Luís era um estudante de direito com 22 anos. Não era muito praticante, até conhecer uma jovem apaixonada pela arte e pela literatura, que estudava Línguas. Maria, com 18 anos, vivia com entusiasmo a sua fé. Tinham personalidades fortes. As discussões eram acesas. Depois de sete anos de namoro, estes jovens italianos, decidiram que tinha chegado o momento de dar  o passo seguinte. Casaram na Basílica de Santa Maria Maior em Roma. 

Nos anos seguintes, nasceram os seus quatro filhos: Filipe, Estefânia, César e Henriqueta. 

Nos momentos mais difíceis, confiavam-se ao Sagrado Coração de Jesus. A Eucaristia e a oração do terço eram a força espiritual diária deste casal. Procuravam viver o Evangelho no interior das suas casas, avaliando as situações “do telhado para cima”, como gostavam de dizer. 

Exerceram com muita responsabilidade o desafio da educação dos filhos, acompanhando-os no discernimento vocacional: os rapazes foram ordenados sacerdotes e a Estefânia entrou no convento beneditino. A Henriqueta foi declarada venerável pelo Papa Francisco. 

Como voluntários, acompanhavam os enfermos aos Santuários do Loreto e de Lourdes. Prestaram assistência aos soldados e civis feridos nas duas Guerras Mundiais. Durante a Segunda Guerra Mundial acolheram refugiados na própria casa. Salvaram mais de 150 pessoas da perseguição nazista, eram membros da Ação Católica italiana e apoiavam a Universidade Católica. Foram dos primeiros a realizar cursos de preparação ao matrimónio e a formar grupos de escuteiros com jovens dos bairros pobres de Roma. 

Depois de 46 anos de casamento, Luís morreu de ataque cardíaco. Catorze anos depois, Maria também deixou este mundo. 

Foram o primeiro casal que a Igreja beatificou, reconhecendo as suas virtudes conjugais e familiares. A cerimónia, presidida por São João Paulo II, realizou-se a 21 de outubro de 2001, na presença dos três filhos deste casal.

“Temos hoje uma particular confirmação de que o caminho de santidade percorrido em conjunto, como casal, é possível, é belo, é extraordinariamente fecundo”, disse João Paulo II na homilia.

A esposa, deixou escrito no seu diário que as suas vidas foram vividas sob inspiração de Deus, “para tornar feliz a pessoa amada”. 

O seu caminho de santidade foi percorrido na normalidade do dia-a-dia, enquanto esposos e pais. Para João Paulo II o segredo destes esposos foi terem vivido “uma vida ordinária de maneira extraordinária”.

A vida dos beatos esposos Luís e Maria Beltrame Quattrocchi continua a ser fonte de inspiração para muitas famílias.  Ao longo desta semana, foram invocados como patronos do 10.º Encontro Mundial das Famílias, que se realizou em Roma e em todo o mundo.