Restauro da Sé do Funchal recebe Prémio Gulbenkian

A obra, que foi considerada exemplar, foi escolhida pelo júri, entre 19 candidaturas e vai receber o prémio no valor de 50 mil euros da Gulbenkian.

Fotos: Duarte Gomes

A intervenção nos tetos mudéjares da Sé do Funchal é, segundo a Renascença, o projeto vencedor, por unanimidade, do Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva.

A obra de conservação e restauro foi considerada exemplar e vai receber o prémio no valor de 50 mil euros, tendo sido escolhida pelo júri, entre 19 candidaturas.

O júri desta edição foi constituído por António Lamas, Raquel Henriques da Silva, Gonçalo Byrne, Luís Ribeiro, Santiago Macias e Rui Vieira Nery.

“O júri distingue assim a ‘exemplaridade da intervenção’, sublinhando a sua ‘relevância patrimonial, artística e social’. Ainda de acordo com o Júri, ‘o trabalho de conservação e restauro efetuado no âmbito desta recuperação prolonga a arte mudéjar no tempo”.

Depois de na última edição ter distinguido a reabilitação da Igreja de São José dos Carpinteiros/Casa dos Vinte e Quatro, em Lisboa, levada a cabo pelo Atelier RA Rebelo de Andrade Studio, este ano o prémio vai para a Madeira.

“A arte mudéjar da ilha da Madeira inscreve-se numa tradição que mergulha as suas raízes na arte islâmica andaluza e que teve ampla difusão peninsular”, explica a Gulbenkian em comunicado que destaca a “sofisticação das laçarias em madeira”, no teto da Sé do Funchal.

Envolvidos no projeto de reabilitação estiveram 36 especialistas de diferentes nacionalidades e o projeto abrangeu uma área de cerca de 1500 metros quadrados. Segundo a Gulbenkian, o trabalho conjunto da equipa internacional “possibilitou não só a descodificação do modus operandi dos artesãos, como também o estudo dos materiais e a adequada forma de os recuperar”.

No valor de 50 mil euros, o Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva existe desde 2007 e distingue anualmente “um projeto de excelência na área da conservação, recuperação, valorização ou divulgação do património cultural português, imóvel ou móvel”.

Em edições anteriores já premiou exemplos como os do restauro da Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, a recuperação da Igreja e Torre dos Clérigos, no Porto ou o Museu Diocesano de Santarém.