D.Nuno marcou presença no Dia Diocesano dos Oficinistas

O bispo do Funchal explicou que “nós cristãos estamos sempre prontos para partir, somos pessoas sempre com as malas feitas”.

D.R.

O bispo do Funchal marcou presença no passado domingo, dia 29 de maio, no Dia Diocesano dos Oficinistas 2022, onde fez uma intervenção sobre o dinamismo da fé.

Depois de uma paragem forçada por causa da pandemia, este encontro voltou ao Convento de Santa Clara, tendo decorrido entre as 13:30 e as 19 horas, com o tema “Caminhando com Maria”.

E foi precisamente sobre a vida de Maria, que D. Nuno falou aos oficinistas, começando pela sua vida de jovem judia, de Nazaré. 

“É esta Maria que é escolhida para dar carne à palavra de Deus”, que deu “humanidade” a Jesus, é esta jovem muito concreta que acolhe o desígnio de Deus, que “permite que Deus se faça homem. O mesmo é dizer: que Deus possa ser tocado, que Deus possa ser escutado, Deus possa ser visto”.

Esta é uma realidade que nos ultrapassa, sobre a qual havemos sempre de refletir, explicou, e que “só aconteceu porque Maria disse ‘sim’”, mesmo não sabendo todas as consequências desse ‘sim’.

De resto, acrescentou, “isto de sermos cristãos começa precisamente por aí, porque também nós cristãos acolhemos a palavra de Deus e lhe damos carne”, ou seja, temos mais responsabilidades do que uma qualquer pessoa que, não sendo cristã, pode ir a uma livraria comprar e ler a bíblia, lê-la, mas ficar por aí.

Por outro lado, Maria levantou-se e partiu, partiu apressadamente ao encontro de Isabel, porque “o Evangelho trás consigo uma pressa”, e este partir acaba por traduzir o dinamismo da fé.

E atenção que não é preciso partir fisicamente, fazer quilómetros, este “partir pode ser só interiormente”, frisou D. Nuno. E nenhum de nós está “dispensado de o fazer, de nos confrontarmos com a palavra de Deus e de perceber o que é que essa palavra me convida a mudar”. 

Por isso mesmo, constatou, “nós cristãos estamos sempre prontos para partir, somos pessoas sempre com as malas feitas para partir, porque não temos aqui morada permanente, essa, está no céu e a Solenidade de hoje [Ascensão do Senhor] di-lo com toda a clareza”.

Dito de outra forma, se esta não é a nossa morada “significa que nós somos peregrinos aqui e temos de viver como peregrinos, à procura da salvação”.