13 de Maio na Sé: D. Nuno diz que sem Deus o ser humano fica disforme

À Eucaristia, seguiu-se a procissão e mais uma vez centenas de fiéis acompanharam a Mãe.

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu a uma Eucaristia na igreja da Sé, ontem, dia 13 de maio. Uma oportunidade para o prelado voltar a frisar a necessidade de “tomarmos consciência daquilo que são os apelos fundamentais de Fátima para a nossa vida”.

E podemos fazê-lo, disse o prelado, olhando para as três parte do segredo de Fátima, “aquele momento intenso que os pastorinhos viveram em julho de 1917 e perguntar-nos o que é que Fátima tem a dizer ao nosso mundo, à nossa vida”.

Olhando a primeira parte do segredo de Fátima, com a visão do inferno e dos seus horrores, estamos a ser alertados, explicou D. Nuno Brás, “para o horrível que é viver sem Deus, para o horrível que é a vida humana sem Deus, a vida humana sem Deus que temos visto nas imagens da guerra na Ucrânia”. 

Por outras palavras, “quando nos esquecemos de Deus e do lugar que lhe é devido, caímos facilmente na incapacidade de viver humanamente”. 

A Irmã Lúcia narrava, que esses se encontravam por “entre gemidos e gritos de dor e desespero, que horrorizava e fazia estremecer de pavor”. E sem Deus, acrescentou D. Nuno Brás, “o ser humano fica disforme, perde sentido de vida e torna-se incapaz de ser ele próprio”.

Quanto à segunda parte do segredo fala-nos da guerra e da necessária devoção e consagração ao Imaculado Coração de Maria, como sendo a única forma de evitar “uma guerra ainda pior”. Esta parte, prosseguiu “é um apelo a percebermos que só com a conversão verdadeiramente podemos encontrar a paz, só a mudança de vida” e de querer que “os outros façam a paz de acordo com o que nós queremos em vez de reconhecermos que todos nós precisamos de reconversão, de mudar, de nos voltar para Deus”.

E, frisou o prelado, “quando falamos de paz, não falamos apenas na Ucrânia, da paz em tantos países de África, falamos também na paz nas nossas famílias, da paz nos nossos lugares de trabalho e da paz até nos nossos locais de divertimento”.

Finalmente, dirigindo-se a uma assembleia que enchia a Catedral, o prelado falou da célebre terceira parte do segredo, desvendada no ano 2000 por vontade de S. João Paulo II, pelo Cardeal Angelo Sodano que disse tratar-se de “uma grande via-sacra, porque dizia respeito ao martírio da igreja, quer dizer ao testemunho de todos os cristãos.

E, prosseguiu, “o nosso mundo precisa, hoje mais do que nunca, de testemunho vivo de Jesus Cristo, de quem não tenha vergonha de Jesus Cristo e de quem arrisque viver uma vida não centrada em si, mas centrada em Deus”. 

Daí o apelo para que “verdadeiramente acolhamos os apelos de Nossa Senhora, verdadeiramente deixemo-nos interpelar por Fátima, esta proximidade de Deus interroga o nosso modo de viver, esta proximidade de Deus constitua, também para nós um verdadeiro convite à conversão, a dar a Deus o seu verdadeiro lugar e a viver como construtores da paz, como testemunhas de Jesus Cristo”.

Terminada a celebração realizou-se a procissão das velas que percorreu a Avenida Arriaga, até à Rotunda do Infante voltando depois pelo mesmo caminho de regresso à Catedral. 

E se voltar ver a Sé cheia é algo a que mais ou menos já nos habituamos, foi durante a procissão que nos demos conta das centenas de pessoas que estavam naquela zona do coração da cidade. Gente de todas as idades, com uma ou mais velas nas mãos, tomaram o seu ligar nesta caminhada rezando o terço.

Mais uma vez o brilho cintilante das chamas a destacar-se e, claro, a imagem de Nossa Senhora no seu andor a abençoar todos e cada um dos filhos que a acompanhavam ou junto de quem ela passava.