Após “jejum” forçado: Centenas de Peregrinos voltam ao Cabo Girão para louvar Nossa Senhora de Fátima 

O bispo do Funchal diz que este “é o Santuário de Fátima aqui na Ilha”, já que atrai gente de todos os cantos da Madeira.

Foto: Duarte Gomes

Eram 6 da manhã quando se fizeram à estrada, nos Canhas. Tudo para que ao meio dia, estivessem no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no Cabo Girão. E lá estavam, identificados a preceito, com as suas camisolas e os seus sorrisos de contentamento. 

Quiseram foto para guardar para a posteridade, mas poucas conversas porque, nesta coisa da fé, “cada um sabe de si e Deus sabe de todos”.

Distinguiam-se no meio da multidão, composta por outros grupos, famílias e fiéis individuais que acorreram, neste 13 de maio, àquele que diz o bispo do Funchal “é o Santuário de Fátima aqui na Ilha”, já que atrai gente de todos os cantos da Madeira.

E depois de “dois anos de jejum”, isto é sem poder participar nestas celebrações por causa da Pandemia, os peregrinos “voltaram cheios de entusiasmo e fé”, conforme referiu o bispo.

Terço e Eucaristia

E a prova é que mesmo este dia especial para os católicos madeirenses  tendo calhado numa sexta-feira, muitos lá conseguiram arranjar forma de estar junto de Nossa Senhora para lhe mostrar a sua fé, lhe agradecer as dádivas e de lhe pedir graças.

As cerimónias começaram com a recitação do Terço, seguindo-se a Eucaristia, presidida pelo bispo do Funchal, em que se pediu “de uma forma muito particular pela paz no mundo inteiro, à nossa volta e nos nossos corações”. 

Para isso, explicou, há que “deixar que a mensagem de Fátima entre nas nossas vidas e nos nossos corações”.  

Já na homilia, D. Nuno Brás lembrou, como se ouviu no Evangelho de São João, que Maria estava junto à cruz, com João. “Maria a mãe”, “Maria aquela que deu carne à palavra de Deus, que é a mesma no momento da anunciação e na cruz”.

E é na cruz que “a palavra de Deus se mostra de forma concreta e que cada um de nós vê, experimenta, quanto vale para Deus”. E experimentamos “como Deus nos ama como somos”, como “Ele assume o nosso pecado”.

Este é de resto, frisou o prelado, “um dos motivos porque Nossa Senhora está tanto no nosso coração porque, no fundo, também Ela nos diz o quanto Deus nos ama, o quanto somos importantes para Deus, o quanto Deus quer cuidar de nós. E quer fazê-lo, lembrou, “no meio dos sofrimentos, das dores, das alegrias, das conquistas e das vitórias e no meio das derrotas”.

“E nossa Senhora ali está, mais uma vez a acolher a cruz de Jesus. Que o mesmo é dizer a acolher o amor de Deus e a mostrá-lo, a assumir o discípulo, como seu filho e tomar a cada um de nós como seus filhos.

Convite a estar ao pé da Cruz

Neste contexto, o prelado acrescentou que “o convite da Mãe a cada um de nós a estar junto da cruz de Jesus Cristo, que está hoje naqueles que sofrem, naqueles que vivem dificuldades, naqueles que desesperam no amor de Deus, naqueles que desesperam na vida, naqueles que não são capazes de perceber o quanto Deus nos ama”.

“É esse o convite que a Mãe nos faz, a nós cristãos madeirenses do século XXI, a estar junto daqueles que sofrem, a mostrar que eles são importantes, que Deus os ama, a mostrar que tudo tem solução”, constatou D. Nuno, para logo acrescentar que Maria também nos quer dizer “para que vivamos essa cruz, esse amor de Deus que transforma”.

“Peçamos ao Senhor, por intercessão de Nossa Senhora de Fátima, que Ele nos ajude verdadeiramente a saber estar junto daqueles que sofrem, junto daqueles que precisam e que o Seu amor entre no nosso coração e o transforme”, frisou o prelado, que pediu à assembleia que enchia o santuário e o recinto em volta, que “também nós permaneçamos junto da cruz, peçamos ao Senhor por todos os que sofrem, seja lá longe na Ucrânia, ou ao nosso lado e peçamos a graça da conversão e da mudança”.

Coube depois ao Pe. Adelino Macedo, pároco da Quinta Grande, onde se localiza o santuário, agradecer a presença de D. Nuno Brás e de todos quantos quiseram voltar a manifestar a sua fé naquele local.

Seguiu-se a procissão. O andor com a Mãe a percorrer o recinto diante dos olhos dos seus filhos, que por vezes se enchiam de lágrimas de emoção, sabe-se lá se causada pela alegria se pela tristeza. Peles arrepiadas, suspiros e genuflexões que o povo não tem medo e já tinha saudades de poder venerar a virgem.

E depois da bênção final, veio o adeus. Aquele momento em que as lágrimas rolam descontroladas rosto abaixo, sem que haja respiração capaz de as controlar.

Nesta celebração, que é sempre muito emotiva, o bispo diocesano ainda procedeu à bênção de alguns símbolos religiosos levados pelos peregrinos.

Não faltou também o pagamento de promessas. As velas arderam a bom arder no local próprio para o efeito. 

Uma vez mais houve quem subisse de joelhos ou descalço os 274 degraus que ligam a estrada regional ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, lá no topo da montanha.

Este ano, no dia 12, as celebrações neste santuário Mariano contaram ainda com a presença dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude, a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora, que estão em peregrinação na Diocese do Funchal ao longo deste mês.