A Família

D.R.

O homem nasce numa família e está orientado para viver num âmbito familiar. A família é uma instituição natural; pode-se dizer que é a mais natural das instituições, pois responde às profundas exigências do ser humano. A família tem a sua origem no matrimónio.

É na família proveniente do matrimónio onde o amor dos esposos se materializa no filho, fruto fecundo do amor esponsal.

O sacramento do matrimónio é pois, um desígnio de Deus que concebe aos esposos a graça de caminharem juntos para a santidade.  A santidade do matrimónio exige que os esposos se amem mutuamente. S. Paulo diz que devem amar-se como ” Cristo ama a sua Igreja“.

Desde o aparecimento da vida humana, que o individuo nasce, cresce e se aperfeiçoa na família, dado que é o núcleo onde a pessoa é reconhecida por si mesma e não pelo que vale ou representa.

Um antigo filósofo grego, Sócrates, disse: “Quem é bom na família também é bom cidadão“, pois a sociedade não é mais do que a continuidade da família. Na família há deveres de pais para filhos e vice-versa. A família é uma cultura. 

A família é a maior escola de virtudes: no amor, que se manifesta sobretudo através da intimidade, da educação, da alegria e da contemplação; na justiça; na obediência; na ordem; na responsabilidade; na verdade, como rectidão de acção coerente com o pensar, que consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e palavras; na prudência, que é o hábito que possibilita a razão de julgar rectamente e determinar o que se deve fazer; no espírito de serviço; no desprendimento e no espírito de sacrifício. Todas elas são difíceis de possuir e de cumprir, mas para levá-las à prática contam com a graça de Deus.

O corpo da família é a economia, o trabalho a gestão, onde tem que haver referências de valores e de sabedoria.

A família  é um doce campo de batalha, uma conquista feita de amor e por amor. A família é também uma fonte de graças, é um projecto divino onde cada um tem a sua função. A família é um depósito de valores gerido pelos seus membros. É na família cristã que os filhos encontram a  primeira experiência quer duma sociedade humana sã, quer da Igreja.

A situação actual da família é dramática. Há o aumento do divórcio, as famílias “monoparentais”, as novas correntes sobre a procriação e sobretudo a visão distorcida sobre o matrimónio. Sabemos que é admirável a grandeza do matrimónio, tal como o ensina a Revelação e o propõe a moral cristã.

É bom ouvir no âmbito da família as palavras “mãe” e “pai”, “filho” ou “filha”, “irmã” ou ” irmão”, adquirem um sentido próprio, porque respeitam o vínculo nascido do sangue e porque respondem aos sentimentos mais profundos do ser humano.

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Luísa Loureiro