Conselho Nacional da ACR: D. Nuno Brás diz que falta ao mundo de hoje o olhar da fé

O prelado, que presidiu a uma Eucaristia com que se encerrou o primeiro dia de trabalhos, disse que só este olhar é capaz de descobrir os sinais da presença de Deus na nossa vida.

Foto: Duarte Gomes

Falta ao mundo de hoje um outro modo de olhar, que é o olhar da fé. O olhar capaz de descobrir os sinais da presença de Deus na nossa vida. Quem o disse foi D. Nuno Brás durante a Eucaristia a que presidiu no final deste sábado, dia 23 de abril, com a qual se encerrou o primeiro de dois dias de trabalhos do Conselho Nacional Extraordinário da Ação Católica Rural  (ACR), que está decorrer no Colégio de Santa Teresinha.

Na homilia, deste que é também o Dia da Divina Misericórdia, celebração instituída oficialmente pelo Papa São João Paulo II no ano 2000, o prelado começou por falar da importância de acreditarmos em Jesus ressuscitado e de como a fé é uma forma de atingir esse objetivo de acreditarmos que Ele está verdadeiramente no meio de nós.

Por outras palavras, não podemos ver a fé apenas como tradição, passada de geração em geração, mas “verdadeiramente reconhecer Jesus Cristo ressuscitado no meio de nós.” E se assim é, explicou D. Nuno Brás, “então muda tudo”.

Dito de outra forma, se assim é “então tenho ao meu lado Aquele que venceu a morte, que venceu o pecado, aquele que venceu o mal e isso dá-nos uma força única”. Recorrendo ao exemplo de Tomé, que disse que só acreditava se visse as feridas, a verdade é que “quando o Senhor lhe apareceu ele fez “uma verdadeira profissão de fé ao dizer: meu Senhor e meu Deus”.

Não se trata, pois, de satisfazer a nossa curiosidade, “mas uma questão de fé” e de acreditar que “Ele está no meio de nós” e nós sabemos isso de várias maneiras, como por exemplo da sua palavra e da hóstia consagrada, mas também das maravilhas da natureza e no próprio trabalho do homem. A propósito, D. Nuno Brás confessou que “uma das coisas que gosto de ver e que nunca vi tanto como aqui na Madeira são as mãos calosas dos homens que trabalham a terra e que vêm à comunhão…e que trono mais bonito para Nosso Senhor quando eles estendem aquelas mãos do trabalho que também é uma manifestação de Deus”. 

De acordo com o bispo diocesano, passarmos esse testemunho uns aos outros “ajuda-nos, verdadeiramente, a dar o salto da fé”. 

Depois de todas estas considerações, o prelado convidou a assembleia “a este olhar que é um novo olhar da fé, um novo olhar diante da nossa vida, das realidades deste nosso mundo”, que nos ajuda “verdadeiramente a descobrir estes sinais da presença de Deus”. Uma presença que, frisou, “nos dá outro sentido à vida e nos ajuda a viver as alegrias e os sofrimentos, com sentido, com uma meta e com esperança”.

“Creio que é isto que falta ao mundo de hoje: este novo modo de olhar que é o olhar da fé”, frisou o prelado que exortou a assembleia a “pedir ao Senhor que Ele nos dê esta graça de a fé despertar em nós este novo olhar, este novo modo de ver a realidade que está aqui diante de nós”.

De referir que esta Eucaristia foi concelebrada pelo Pe. Hélder Gonçalves, Assistente Diocesano da Ação Católica Rural e pelo Pe. Carlos Almada e que assembleia era composta por cerca de 40 pessoas, representando oito dioceses do país que participaram neste Conselho Nacional Extraordinário.

Depois de se ter iniciado neste dia 23, com a oração inicial, aprovação da ata do Conselho anterior e uma Reflexão sobre o Movimento, com o tema “Esperança após a pandemia” pelo Pe. João Gonçalves e os relatos das dioceses sobre esta mesma realidade, seguiu-se o almoço.

Os trabalhos foram retomados com a Assembleia Nacional de Delegados,  a que se seguiu então a Eucaristia presidida pelo nosso bispo D. Nuno Brás.

No dia de hoje, 24 de abril, o programa, que D. Nuno Brás desejou que continue a decorrer da melhor forma, arranca com a oração da manhã uma abordagem ao mundo rural, questões de tesouraria e outros assuntos de interesse.

Este Conselho Nacional Extraordinário, termina com o almoço pelas 13 horas.