A Páscoa em guerra

D.R.

Na mensagem pascal Urbi et Orbi, à cidade de Roma e ao mundo, o Papa Francisco falou da dificuldade em celebrar a Páscoa em tempos de guerra e violência: “Sentimos dificuldade em acreditar que Jesus tenha verdadeiramente ressuscitado, que tenha verdadeiramente vencido a morte”.

Para os ortodoxos, que seguem o calendário juliano, este domingo, 24 de abril, é dia de Páscoa. 

O Papa juntou-se ao apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, para uma trégua humanitária de quatro dias na Ucrânia por ocasião da celebração da Páscoa. 

O objetivo da ONU seria a retirada de civis e a entrega de ajuda humanitária às populações mais atingidas.

A Santa Sé e o Papa Francisco, “conscientes de que nada é impossível para Deus, invocam o Senhor para que a população presa em zonas de guerra seja evacuada e que a paz seja restabelecida em breve”, refere o comunicado.

“Infelizmente, a Rússia rejeitou a proposta de estabelecer uma trégua”, afirmou, o presidente ucraniano, na rede social Facebook. Para Zelensky, a posição da Rússia “mostra muito bem como os líderes deste Estado tratam realmente a fé cristã”. “Mas mantemos a esperança. Esperança pela paz, esperança que a vida vença a morte”, disse.

Nesta quinta-feira, 21 de abril, o presidente ucraniano discursou na Assembleia da República. Foi a primeira vez que no Parlamento português um Chefe de Estado falou por vídeoconferência. 

No seu discurso, Zelensky disse que na Ucrânia, “as pessoas foram mortas, foram torturadas, foram violadas nos bunkers onde se escondiam”. Nem mesmo os carros identificados como tendo crianças, escaparam.

Em Mariupol, “uma cidade tão grande como Lisboa”, nenhuma habitação ficou inteira.

O presidente da Ucrânia disse também que mais de 500 mil ucranianos foram capturados e deportados para “as regiões mais longínquas da Rússia”. As ligações com as famílias são cortadas e as pessoas foram colocadas em “campos especiais”. Nesses locais “alguns são mortos, as raparigas são violadas”. 

A quaresma ainda vai continuar na Ucrânia…, mas a Páscoa chegará!