Renovamento Carismático: Bispo do Funchal diz que é preciso ter “cara de gente feliz” quando se anuncia Jesus

Foto: Duarte Gomes

A verdadeira felicidade de um cristão é “viver com Deus” e é “preciso ter cara de gente feliz”, quando se anuncia Jesus. As palavras são de D. Nuno Brás e foram proferidas este domingo, dia 27 de março, na homilia da Eucaristia com a qual se encerrou a XII Assembleia do Renovamento Carismático Católico da Diocese do Funchal (RCC).

Dois anos depois, a pandemia permitiu que o centro de Congressos da Madeira acolhesse esta Assembleia que, apesar de não ter, como noutros tempos enchido a sala, contou com grande participação de membros de diversos grupos de oração.

A assembleia contou com os ensinamentos de sacerdotes da Diocese do Funchal, nomeadamente o Pe. Paulo Sérgio, o Pe. Alberto Vicente, o Cónego Manuel Ramos que centraram as suas intervenções precisamente na importância de viver com Deus, de partilhar esse encontro com o próximo e contar sempre com Maria para interceder por nós junto do seu filho.

Ao Pe. Marcos Pinto coube, conduzir aquele que foi porventura o momento alto desta Assembleia: a adoração ao Santíssimo Sacramento. Aos jornalistas, o Pe. Marcos Pinto desejou que numa altura em que “procuramos tanto a espiritualidade, que o Senhor Sacramentado, que hoje nos foi proposto aqui, seja realmente uma resposta a tantas necessidades do mundo”.  Estes encontros, acrescentou ainda o sacerdote “respondem a muitas dúvidas que os participantes têm”. 

De resto, nesse momento, o sacerdote apelou à conversão e convidou a assembleia a entregar as Jesus vivo as suas necessidades”, lembrando que tantas vezes somos o filho pródigo que, como se dizia na parábola do Evangelho, abandona o pai, mas depois regressa sendo recebido de baços abertos.

Já D. Nuno Brás, também em declarações à comunicação social antes da Eucaristia, questionado sobre o facto desta assembleia, ao contrário do que é habitual, ter decorrido com a chamada “prata da casa”, lembrou que “a prata da casa não é pior”, frisando que “a qualidade destes encontros vem do facto das pessoas se encontrarem e de perceberem a presença de Jesus Cristo, que as ajuda, anima e dá coragem”.

Rosário Martins, uma das muitas participantes nesta Assembleia confirmou de certa maneira aquilo que disse o bispo, frisando que este foi “um dia de trabalho intenso, muito ungido pelo Espírito Santo”.

Atendendo às circunstâncias atuais, Rosário Martins lembrou que é necessário ler os sinais e perguntar o que é que Jesus me quer dizer com a pandemia, o que é que Jesus me quer dizer com a guerra e “virarmos o nosso coração endurecido mais para a oração e menos para o eu, para os nossos egos e ajudarmo-nos mutuamente”. 

Voltando à Eucaristia, D. Nuno Brás começou por dar graças a Deus por a Assembleia se ter podido realizar, apesar de ainda faltar muita gente. No altar colocou todos e cada um dos presentes e dos ausentes, “para que O Espírito Santo venha ao nosso coração e nos encha do amor de Deus”, explicando que o Renovamento Carismático é precisamente “este procurar ser cristão segundo as inspirações do Espírito Santo, deixando que ele tome conta de nós e nos indique o caminho, seja luz para os nossos passos”.

Já na homilia, o prelado frisou que as leituras deste dia nos colocavam diante de uma interrogação essencial para a vida de cada um e de todos: qual é para ti a terra prometida, isto é, o que é para ti a felicidade.

Foi, de resto em torno desta questão que desenvolveu toda a sua reflexão, lembrando a parábola do filho pródigo que o Evangelho deste domingo nos apresentava para explicar que, apesar de às vezes a vida nos levar por outros caminhos, de nos fazer pensar que é no ter que está a nossa felicidade, concluímos que, afinal, a felicidade está em “voltar à casa do pai” e viver com Ele.

“É essa felicidade que Jesus Cristo coloca diante dos nossos olhos e do nosso coração”, disse D. Nuno Brás para logo lembrar o que dizia São Paulo na 2ª Leitura: “Aquele que está em Cristo é uma nova criatura”.

Esta é a felicidade que “nada nem ninguém nos pode tirar”, frisou o bispo diocesano que lembrou que “os mártires são disso exemplo” e que, nunca houve tantos mártires como neste momento”. Isto é “gente que prefere a morte a perder a vida com Deus”.

É esta questão que “devemos ser capazes de colocar a quem nos conhece e quer vir connosco” e ter a coragem de os chamar à razão quando não percebem que carros, contas bancárias e afins não nos trazem a verdadeira felicidade. Mas para isso, lá está, “precisamos de cara de gente feliz”, porque só assim conseguimos convencer o outro que viver com Deus “muda o nosso modo de ser, de viver, os nossos critérios, as nossas atitudes”.

Neste contexto, D. Nuno desafiou a assembleia a não ter “medo de olhar para o espelho e se interrogar sobre o que é para si a felicidade”, nem medo da verdade, isto é, de perceber que “ainda nos falta tanto para viver plenamente com Deus, que ainda precisamos de nos converter, de deixar que o Espírito Santo viva mais na nossa vida, que precisamos de ser mais presença de Jesus Cristo”.

Esse é, disse o caminho do cristão. “Uma batalha diária, constante para deixar que Deus nos transforme, nos faça mais parecidos com Jesus Cristo e nos torne cada vez mais a sua presença”, disse.

O bispo diocesano terminou a sua reflexão exortando a assembleia a “pedir ao Senhor, nesta Páscoa, a graça de como o barro nas mãos do oleiro, nos deixarmos moldar, transformar por este artista que é Deus, que nos ama e que sempre nos dá esta possibilidade de regressarmos, de viver na sua casa e com Ele fazermos a festa, a festa do Encontro.

A concluir, coube a Maria da Paz, coordenadora da Equipa Diocesana do Renovamento Carismático Católico da Diocese do Funchal, agradecer a presença de D. Nuno e dos demais sacerdotes nesta Assembleia e a todos aqueles que a tornaram possível.