Eu sou o Anjo da Paz

D.R.

Decorria a Primavera de 1916 e como de costume os 3 pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta apascentavam o seu rebanho numa propriedade da família Santos, que se encontrava no sopé da Colina do Cabeço a que chamavam a “Chousa Velha”, num lugar perdido na solidão da Serra d´Aire.

A meio da manhã começou a chuviscar, crianças e rebanho abrigaram-se num esconderijo a que chamavam a “Loca do Cabeço”. A chuva cessou, o sol voltou a brilhar, mas as crianças por ali se deixaram ficar o resto da manhã. Merendaram o seu frugal farnel, rezaram o habitual terço e foram surpreendidos por um forte vento, embora o tempo lhes parecesse sereno.

Foi então que viram uma luz brilhante, com uma espécie de silhueta humana desenhada no ar, mais branca do que a neve, como se fosse uma estátua de cristal atravessada pelos raios de sol e portadora duma beleza sobre humana. Dando-se a conhecer às crianças disse-lhes: – “ Não temais, sou o Anjo da Paz, rezai comigo”. Ajoelhando-se e curvando a fronte até tocar o solo. Três vezes repetiu: “ Meus Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam”. E levantando-se acrescentou: “Os corações de Maria e de Jesus estão atentos à voz das vossas súplicas”.

Meses mais tarde, já sob o calor abrasador do Verão e no quintal da Lúcia, o angélico e misterioso visitante do Cabeço, novamente lhes apareceu dizendo: “Orai muito. Os corações de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios”. “ De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim a Paz sobre a vossa Pátria. Eu sou o Anjo da sua Guarda, o Anjo de Portugal”.

Sem mais delongas, os nossos três jovens começaram a aplicar-se no cumprimento de tão misterioso, quanto belo pedido do Anjo. E, no princípio do Outono do mesmo ano, encontrando-se a rezar a oração que Ele lhes ensinara, no local onde se dera a primeira aparição, a Loca do Cabeço, deu-se a terceira aparição.

Esta teve a particularidade de o Anjo se apresentar com um Cálice na mão esquerda e uma Hóstia na mão direita sobre o Cálice e da qual caíam pingas de sangue. O Anjo ajoelhou-se ao lado dos pastorinhos, deixando o Cálice e a Hóstia suspensos no ar, enquanto lhes pedia para rezarem três vezes a seguinte oração: ” Santíssima Trindade Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”. 

Totalmente absorvidos pela presença de Deus e com a alma inundada duma infinita e profunda paz, estes futuros mensageiros de Maria, com Ela aprenderem a guardar, em segredo, no seu coração, as celestiais e angelicais visitas. Foi há 106 anos, o mundo estava mergulhado na 1ª grande guerra e hoje Fátima é um dos maiores lugares de peregrinação, uma escola de Fé, e nós teremos de continuar a pedir pela Paz no Mundo.