Durante esta semana, tive a oportunidade de ouvir as duas conferências de D. Rino Fisichella, integradas na Semana de Atualização do Clero.
Um dos elementos que mais me chamou a atenção foi o desafio da evangelização na cultura digital. “Precisamos de compreender que estamos no início de uma nova cultura”, disse D. Rino, acrescentando que esta cultura “impõe novas linguagens e, por conseguinte, novos comportamentos”.
A cultura digital é caracterizada pelo imediatismo. À distância de um clique no telemóvel, que nos acompanha por todo o lado, podemos aceder “aqui” e “agora” a qualquer informação e comunicar em simultâneo com uma ou várias pessoas.
Como evangelizar, então, nesta nova cultura que, nas palavras de D. Rino, “apresenta uma visão antropológica diferente”? “Se não formos capazes de dar resposta a esta interrogação, é difícil pensar que possamos ser eficazes na evangelização das próximas décadas”, disse.
Não basta ter um site na internet com um elenco de informações. É preciso mais, é preciso aprender a linguagem própria da cultura digital.
Para o responsável pela Promoção da Nova Evangelização da Igreja Católica, a evangelização tem que entrar nesta cultura, compreendê-la e dar-lhe um sentido. “Ajudar ao discernimento de todas as mensagens que chegam”.
Para D. Rino este desafio é semelhante àquele que os cristãos tiveram quando encontraram o povo grego ou romano, ou qualquer nova cultura com que entravam em contato. Com uma agravante, ao contrário destas culturas localizadas geograficamente, a cultura digital é globalizada.
Neste contexto, recordo o estudo apresentado no mês passado sobre “Prática religiosa e experiência digital durante a pandemia” realizado pelas investigadoras Clara Almeida Santos e Margarida Franca. Uma das conclusões deste relatório é que, durante o confinamento, 70% dos católicos participou pelo menos uma vez por semana na missa online, utilizando sobretudo a plataforma YouTube.
Estas investigadoras verificaram também que durante a pandemia os católicos sentiram-se unidos às suas comunidades de pertença através das páginas online. “As paróquias têm-se adaptado às transformações motivadas pela pandemia, tornando-se na principal fonte a que os fiéis recorrem em busca de conteúdos digitais”, informaram.




























