Porto Santo: Aldónio Melim vai ser apresentado como candidato ao diaconado permanente

D.R.

No próximo domingo, dia 23 de janeiro, na paróquia de Nossa Senhora da Piedade, no Porto Santo vai ser feita a apresentação formal à comunidade de José Aldónio Melim, como candidato à Ordem do Diaconado Permanente.

A apresentação será feita na Eucaristia das 11:30 horas, que será presidida pelo bispo do Funchal.

Em conversa com o Jornal da Madeira, D. Nuno Brás lembrou que “a Diocese do Funchal foi das primeiras a ter o Diaconado permanente”, mas esses diáconos foram naturalmente falecendo, sem que houvesse outros para os substituir. 

No entanto, este nunca foi “um tema que deixou de estar sobre a mesa”, como fez questão de frisar o prelado. Antes pelo contrário. Tanto que há um ano e tal, “o tema voltou de novo ao Conselho Episcopal e depois ao Conselho Presbiteral e houve uma unanimidade favorável a um retomar, a fazer caminho e a dar passos na diocese”.

No caso concreto do Porto Santo e da sua situação pastoral, se por um lado “o trabalho quotidiano não justifica ter dois sacerdotes ao mesmo tempo ao serviço” por outro, explica D. Nuno Brás, há que entender que “o sacerdote que lá está precisa de vir ao Funchal, precisa de vir a casa, precisa de ter férias”. 

É nesses períodos de ausência, que o pároco e as comunidades “necessitam de alguém que exerça aquilo que é, neste caso muito concreto, próprio do Ministério dos Diáconos que é a caridade e o anúncio da palavra, o exercício da função litúrgica, e dentro deste e de um certo acompanhamento ao próprio pároco a celebração de batizados, casamentos e exéquias, em nome da Igreja”.

Relativamente ao candidato proposto, o bispo diocesano frisa que ele “já colabora há muito tempo no Lar de Nossa Senhora da Piedade, também é catequista e está muito integrado na realidade paroquial do Porto Santo”. Além disso, Aldónio é conhecido de todos e quem o conhece dá dele “bom testemunho”.

Assim sendo, entendeu D. Nuno Brás que era chegada a hora de Aldónio Melim “receber o rito, digamos assim, do começo oficial daquela que já tem sido a sua caminhada de preparação”. 

Por outras palavras, “aquilo que tem sido uma caminhada muito discreta, passará agora a ser oficial”, até porque “não estava certo que, de um dia para o outro, as comunidades do Porto Santo se deparem com um diácono caído do céu”, além de que é “importante que as comunidades se vão habituando, vão percebendo e vão, também elas, fazendo esta caminhada”.

Na prática, explica, “haverá uma bênção diante da comunidade” a quem o bispo dirá que “a partir deste momento e com a bênção de Deus este nosso irmão vai preparar-se oficialmente para ser futuramente ordenado diácono”.

Quanto à possibilidade de replicar esta realidade na Madeira, D. Nuno Brás diz que “esse é o caminho” até porque, lembrou, “o Ministério Ordenado está pensado nestes três graus do sacramento: o episcopado, o presbiterado e o diaconado”. E neste caso, frisa, está a faltar-nos o diaconado, “naquilo que ele tem de animação da caridade, de anúncio da palavra e das funções litúrgicas”.

D.R.

Quem é Aldónio Melimo candidato a futuro Diácono Permanente

Chama-se José Aldónio Melim. Tem 65 anos e exerce a atividade de Inspetor da Segurança Social. Ao Jornal da Madeira, via email, diz que deu este passo de ser candidato ao diaconado permanente com fé, mas também com os receios próprios da idade e de quem tem de voltar ao estudo. Porém a ligação que sempre manteve à Igreja, com a participação na Sagrada Eucaristia, na sua missão de Vicentino, de Catequista, de Leitor, de Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e ainda como Irmão das Confrarias do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora da Graça em Porto Santo, dão-lhe a confiança necessária para avançar. Claro que conta também “com a Graça de Deus e a Luz do Espírito Santo” para o ajudarem nesta caminhada.

Jornal da Madeira – Sabemos que foi apresentado como candidato a esta ordem ao Bispo diocesano. Passados alguns meses depois de ter iniciado a formação, que dificuldades e desafios tem sentido?

Aldónio Melim Inicialmente estava receoso pois, já com a minha idade voltar a estudos com base teológica pensei ser-me difícil mas, ao mesmo tempo também pensei que era necessário enfrentar o desafio e que com a Graça de Deus e a Luz do Espírito Santo tudo seria possível e assim tem sido pois, cada unidade didática que vou estudando pelos manuais fornecidos e também com o apoio online, mais me sinto estimulado para colaborar e me inserir ativamente ao serviço [próprio do diácono] da Igreja de Cristo e no anúncio da Palavra.

Jornal da Madeira – O que o motivou a dar este passo?

Aldónio Melim Como já mencionei, o que mais me motivou a dar este passo foi precisamente o meu sentido de servir a Igreja ainda mais ativamente que, na minha missão de Catequista, de Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão, de Vicentino, há já alguns anos a esta parte, o venho fazendo através do serviço aos mais jovens na sua caminhada cristã como catequisandos, aos doentes que muitas vezes se encontram isolados em suas casas e esperam que, pelo menos semanalmente, alguém vá ter com eles saciando-os com da Palavra de Deus e com o Corpo de Cristo, Seu Filho, aos pobres e aos mais necessitados, com uma palavra de apoio no sentido de resolução de alguns dos seus diversos problemas sociais e morais, uma vez que a missão vicentina não se limita somente ao apoio material.

Assim, vejo que este passo é o rumo certo para aquela caminhada sinodal que Jesus e a Sua Igreja querem de mim e de todos nós cristãos, conforme também nos é proposto pelo Santo Padre, o Papa Francisco.  

Jornal da Madeira – Quanto tempo de preparação e em que moldes?

Aldónio Melim A minha preparação para esta caminhada tem uma de formação teológica através do Instituto Internacional de Teologia à Distância (IITD) dado por Professores da Universidade Católica Portuguesa e além desta foi definido um acompanhamento personalizado pelo Bispo Diocesano e o Pároco da Paróquia que irá completar as temáticas para a praxis da vida paroquial e espiritual.

Jornal da Madeira – O que vai mudar na sua vida ao receber este ministério? Há medos, receios…

Aldónio Melim Ao receber esta graça predisponho-me sempre na humildade de servo do Senhor.

Como cristão já tenho uma vida muito ativa na comunidade, contudo, até para mim tem sido uma redescoberta dos ministérios que existem realmente na vida da Igreja.

Assumindo compromissos também se assumem responsabilidades e neste sentido tenho sempre o receio de na minha vida não estar a ser o mais fiel ao Senhor e por ser agora um rosto no qual as pessoas depositam um olhar de forma diferente pela missão assumida.

Jornal da Madeira – Há dias, precisamente na ordenação de diáconos permanentes, o Papa pedia que estes fossem sentinelas e que ajudassem a comunidade a ver Jesus nos pobres e distantes, mas também dizia que os diáconos não são “meio-padres” ou “padres de segunda” e que o seu poder está no serviço e não em qualquer outra coisa” … Sente que está preparado para assumir esta missão, naturalmente com a ajuda da formação, do pároco e da comunidade?

Aldónio Melim Pela minha caminhada de formação ao longo destes últimos dois anos, proporcionada pelos meios que já mencionei, com a preciosa ajuda, incentivo e apoio do meu Pároco, Padre Hugo Gomes, pelo apoio e incentivo do nosso Bispo Diocesano, D. Nuno Brás e também pelas várias missões que venho desempenhando dentro da comunidade desde há muito, e sentindo o reconhecimento da Igreja, sei que nunca estamos preparados plenamente pois, isto é um grande mistério confiado por Deus a frágeis homens.

Jornal da Madeira – Por via desta pandemia e da necessidade de isolamento do Pe. Hugo, houve celebrações que foram suprimidas e outras adiadas. Passando a haver um diácono permanente estas situações não se colocam…

Aldónio Melim Relativamente a esta situação, há que ver que o diácono não é um substituto do padre mas sim, mais um colaborador na missão da Igreja, nunca o podendo substituir em determinadas funções, consequentemente, haverão sempre situações que ficarão em causa com a sua ausência.

Jornal da Madeira – No seu entender o diaconado permanente só se justifica nestas situações de necessidade ou devia ser linha de princípio, até porque, cada vez mais, os sacerdotes têm um número crescente de paróquias e não é possível, humanamente e temporalmente, conseguirem acompanhar tal como gostariam e tal como as comunidades precisam as paróquias que estão a seu cargo? 

Aldónio Melim O diaconado permanente, na Igreja, justifica-se sempre e deve ser linha de princípio pois os diáconos, fortalecidos com a graça sacramental, servem o Povo de Deus em união com o Bispo e o seu presbitério, no ministério da liturgia, da palavra e da caridade e assim, apoiam os sacerdotes na sua missão.