Achadas da Cruz: D. Nuno visitou paróquia pela primeira vez e lembrou relevância de sermos presença de Deus

D. Nuno quebrou um interregno de 13 anos desde a última visita de um bispo àquela paróquia, onde residem habitualmente à volta de 70 pessoas.

Foto: Duarte Gomes

“As paróquias não se medem porque têm 20 pessoas ou porque têm 20 mil, mas medem-se porque aquilo que são de presença de nosso Senhor”. As palavras são do bispo do Funchal e foram proferidas no domingo, dia 16 de janeiro, na Paróquia das Achadas da Cruz, que não recebia a visita de um bispo há pelo menos 13 anos e onde D. Nuno Brás esteve pela primeira vez.

De resto, o prelado chamou precisamente a atenção dos paroquianos para a importância de “sermos presença de Deus no mundo e em particular aqui nas Achadas”, sublinhando que “havemos de fazer tudo para que esta terra continue a ser uma terra amada por Deus e em que Deus está presente”.

E foi sobre a presença de Deus no meio de nós e do Seu amor por todos e cada um, que D. Nuno Brás refletiu na sua homilia, sublinhando que, para que isso, “Deus tornou-se homem para que todos o pudessem ver, escutar e viver com Ele”. 

Esta é, explicou, “a maravilha de Deus”. De um Deus que “não quer ser um Deus isolado e sobretudo um Deus que não quer que nós vivamos em Ele”, porque “Ele sabe que sem Ele andamos perdidos”, ao sabor das regras “daquele que tem poder, daquele que tem mais dinheiro, do que sabe falar melhor”.

Numa referência às leituras, nomeadamente à primeira, “já nós escutávamos este amor de Deus pelo Seu povo, de tal forma que o profeta dizia: não mais te chamarão abandonada, nem à tua terra deserta, mas hão-de chamar-te predileta”. 

“Imaginem o que era a Madeira sem Deus, imaginem o que era nós madeirenses vivermos sem Deus, cada um a viver segundo a lei do mais forte, sem sabermos que existe um Deus que olha, que no final dará a cada um aquilo que lhe cabe” seria, frisou, uma terra “verdadeiramente deserta, verdadeiramente abandonada”. 

Até poderia “haver pessoas”, mas a nossa vida seria muito diferente, “sem termos esta esperança em Deus, sem termos a fé, sem nos sentirmos acompanhados por Ele, mesmo nos sofrimentos e nas derrotas, mas também nas vitórias, nas festas e nas alegrias”. 

Estar atentos aos sinais

Por isso mesmo, prosseguiu, “a primeira coisa que nós temos de fazer é reconhecer esta presença de Deus no meio de nós, de perceber, de estar atentos aos sinais, de que Deus não nos abandona e sermos capazes de olhar para a nossa vida e perceber tantas vezes que Deus está ao nosso lado, de que não nos abandona, de que vive connosco”.

A própria celebração da Eucaristia, disse, “é um sinal”, o “próprio facto de termos esta igreja, que os nossos antepassados construíram, é um sinal de que Deus mora connosco, constatou, para logo acrescentar que “cada um de nós tem esta missão de ser presença de Deus”, tal como nos dizia São Paulo na 2ª leitura, ainda que de diferentes formas e através de vários dons. 

“Somos convidados a olhar para nós e a perceber como aquilo que fazemos e naquilo que somos, verdadeiramente Deus está presente e, por isso mesmo, aquilo que fazemos não é só para nós, mas é também para os outros e para o seu serviço”, sublinhou. 

A terminar a sua reflexão, D. Nuno Brás, exortou a assembleia, composta maioritariamente por idosos, a ter “coragem”, precisamente porque o Senhor não nos abandona, o Senhor está connosco, somos o povo de Deus, a Igreja santa de Deus, presença de Jesus Cristo e desafiou-os ainda a “viver na alegria de quem percebe que Deus está connosco, não nos abandona, não somos uma terra deserta, o nosso coração não é uma terra deserta e vivamos também na consciência desta missão que cada um de nós tem para o bem de todos de ser presença de Deus para os outros que estão ao seu lado, a mostrar que Deus está com ele , está com todos e não nos abandona”.

Paróquia que preocupa o pároco

Antes da bênção final e depois dos habituais anúncios para a semana, o Pe. Ricardo Freitas, pároco das Achadas da Cruz agradeceu a D. Nuno a sua disponibilidade para presidir a esta Eucaristia, na qual participaram o presidente da junta de freguesia e dois vereadores da Câmara do Porto Moniz.

Falou depois da realidade da paróquia, onde residem habitualmente “à volta de 70 pessoas”, das quais “ao domingo 20 a 25 participam na Eucaristia”. Acrescentou ainda que esta é “uma paróquia que me preocupa porque é uma paróquia muito idosa, onde as pessoas com menos de 30 anos não chegam aos dedos de uma mão, que vive essencialmente da agricultura”.

Além disso, aproveitou a presença do prelado para lhe pedir que, apesar de saber “a realidade vocacional das Irmãs”, interceda no sentido de tentar adiar por mais algum tempo o anunciado fecho da casa gerida pelas Vitorianas, na paróquia da Santa. Uma casa que, lembrou “está aberta desde 1888 e que marca todo o Concelho do Porto Moniz, principalmente nas áreas da educação e da saúde”. 

Finalmente o Pe. Ricardo, que tem também a seu cargo as paróquias da Santa e do Porto Moniz, deixou o convite a D. Nuno Brás que possa voltar às Achadas da Cruz no “segundo domingo de setembro, presidir à celebração em honra da padroeira, Nossa Senhora do Livramento, a quem esta gente muito e muito recorre, o mesmo acontecendo com São José Operário, cuja celebração coincide com a do padroeiro da diocese, mas que não deixamos de celebrar”.