D. Nuno nos 138 anos da congregação: Que a fé vença em nós como venceu na Irmã Wilson

Fotos: Duarte Gomes

Foi com uma Eucaristia presidida pelo bispo do Funchal, que se assinalaram este sábado, dia 15 de Janeiro, os 138 anos da Fundação da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias.

Na homilia, D. Nuno Brás começou por refletir sobre o que é “a vitória de Deus”, dando vários exemplos dessa mesma vitória. Assim “a vitória de Deus é a vitória da vida, é quando o ser humano vive verdadeiramente, é quando Deus derrota a morte e tudo aquilo que nos afasta da vida”.

Mas vitória de Deus, prosseguiu” “é também quando a nossa relação com Deus, quando o nosso estar com Deus ultrapassa os nossos medos, as nossas incapacidades, ultrapassa a nossa vergonha para nos entregarmos confiadamente nas mãos do Pai”, quando “o Seu amor é em nos maior do que a morte”.

E esta, por sua vez, é a “vitória da fé, a “vitória daquele que se entrega de tal forma nas mãos de Deus que todos os obstáculos são ultrapassados, daquele que se entrega de tal forma nas mãos de Deus, que a vida de Deus brota do seu coração”.

Por outras palavras, “a vitória de Deus é quando todos os obstáculos são vistos como nada, diante da vida de Deus” e verdadeiramente, sublinhou o bispo diocesano, “precisamos que Deus vença”.

Exemplo da vitória de Deus

A história da Irmã Wilson e a história da congregação por ela fundada são também, no dizer do prelado, exemplos desta vitória de Deus. A verdade, é que a Irmã Wilson poderia ter chegado à Madeira, visto a miséria material e doutrinal que aqui se vivia e ter achado que não havia nada a fazer. 

Mas “não foi isso que aconteceu”. Antes pelo contrário. E aqui surge uma “outra realidade que marca as vitórias de Deus que é a realidade do congregar, quer dizer onde Deus está surge comunhão, onde Deus está surge congregação, onde Deus vence as pessoas deixam de ser indivíduos isolados e passam a ser congregação”.

Daí o bispo diocesano ter apontado duas notas, destacando-as como “muito importante nesta festa de hoje”. Assim, temos este “perceber que com Deus podemos ultrapassar todos os obstáculos, incluindo a morte, que com Deus somos capazes de ultrapassar os nossos medos, os nossos receios, de nos entregarmos precisamente nas mãos do Pai”. E depois “este congregar, este unir, este viver com, porque, no fundo, no fundo, Deus é comunidade, Deus é congregação Deus é Santíssima Trindade e portanto aquilo que é de Deus congrega, aquilo que é de Deus une, reúne”.

Que a vitória da fé seja realidade em nós

Foi isso que a Irmã Wilson percebeu, numa altura (1884), em que não seria de esperar que “um grupo de mulheres se pusesse aqui a fazer coisas novas”. Porém, “depois de muitos trabalhos, depois de muitos esforços, de ultrapassar muitos obstáculos, medos, dificuldades e perseguições, conseguiu ter esta congregação que é verdadeiramente a vitória da fé”.

“Vamos pedir ao Senhor que nos ajude a esta vitória da Fé, que hoje esta vitória da fé continue a ser uma realidade em nós, que sejamos capazes de ultrapassar os nossos medos e a nossa falta de fé e percebamos que se é de Deus nós conseguimos, se é de Deus somos capazes”, apelou.

D.Nuno Brás terminou a sua reflexão dando “graças ao Senhor por toda esta história desta congregação, verdadeiramente uma epopeia, verdadeiramente uma realidade que transformou a nossa ilha” e pedindo a Deus “que em nós a fé continue a vencer, o mesmo é dizer, que sejamos capazes de perceber de discernir aquilo que vem Dele, os Seus apelos, que sejamos capazes de perceber que se vem Dele é possível e sejamos capazes de viver sempre nesta congregação, neste unir de esforços, neste movimento que vai reunindo que vai congregando, não apenas nós que aqui estamos, mas que se vai espalhado pelos locais onde estamos e que em nós a fé verdadeiramente vença como venceu na Irmã Wilson”.

Uma riqueza na Igreja

No início da celebração, a Irmã Ana de Freitas Marques da Silva, Superiora Provincial, deu as boas-vindas ao bispo do Funchal, pastor “atento a toda a espécie de ovelhas”, àquela comunidade que, neste dia, fazia “memória viva” do importante momento em que a Irmã Wilson e a Irmã Elisabeth, “se reuniram e uniram para fundar a nossa comunidade religiosa”. 

Uma comunidade que, frisou, é “uma riqueza na Igreja, particularmente nesta Diocese do Funchal que a acolheu e a tem ajudado a crescer”.

Sublinhou ainda o facto deste “ser um momento de comunhão orante”, com todas as irmãs que se encontram em Portugal e noutras paragens. Um momento de “agradecer todas as graças recebidas por Deus a cada uma das irmãs que constituíram esta família ao longo dos vários anos, a começar pela fundadora e cofundadora, porque sem elas nada teria acontecido”.

A esta Eucaristia seguiu-se, como é habitual, um encontro de trabalho entre as irmãs.