D. Nuno Brás: Que Santo Amaro nos entusiasme a conhecermos um pouco mais do nosso Deus

Foto: Duarte Gomes

Foi aos ombros de elementos dos Sapadores de Santa Cruz, que o andor de Santo Amaro foi trazido da capela onde passa o ano inteiro até à Igreja Matriz de Santa Cruz para, nestes dias 14 e 15 de Janeiro, ser celebrada a festa em sua honra.

Ontem, dia 14, em que a Novena e Eucaristia foram presididas por D. Nuno Brás, muitos foram aqueles que não quiseram deixar, apesar dos tempos difíceis que vivemos, de pagar as suas promessas a este santo, com cuja solenidade se encerram os festejos de Natal em Santa Cruz. 

De muitos cantos da ilha e até de fora dela a começar pelo festeiro, João Mendonça, que veio da Califórnia e se juntou à Comissão de Festas das Mulheres Casadas, Paróquia de Santa Cruz e Câmara Municipal de Santa Cruz, todos contribuem para que ao menos a parte religiosa decorra com a normalidade possível.

Na sua homilia, D. Nuno Brás explicou que não nos basta saber o nome a morada e a profissão de uma pessoa para dizermos que a conhecemos. O mesmo ou ainda mais se passa com Deus. Não basta “saber que Deus existe, não nos basta saber que é o Senhor, criador, omnipotente, não nos basta saber que se fez homem há dois mil anos e que anunciou o amor”, precisamos “conhecer verdadeiramente a Deus em cada dia que passa”,

“Precisamos conhecer a Sua intimidade, conhecer a Sua vontade, conhecer quem Ele é”, explicou o prelado, para logo acrescentar que esse conhecimento pode ser alcançado de várias maneiras, nomeadamente “através da Sagrada Escritura – mas verdadeiramente nós lemos a bíblia todos os dias ou ela está lá numa prateleira a ganhar pó – através da Igreja, que é a depositária desta vida que nos vem dos apóstolos, daqueles que conviveram, que conheceram a Jesus Cristo – mas verdadeiramente nós ligamos àquilo que a Igreja nos diz – mas depois temos esta realidade única que é a Eucaristia”.

“Deus presente no meio de nós, pão e vinho que nós comemos, que nós comungamos, Deus que se faz nosso”, lembrou D. Nuno para logo frisar “como é importante a Eucaristia para conhecermos a Deus e como isso nos deve dar forças, nos deve transformar e como isto nos deve, em cada dia, dar esta energia, esta vontade, este desejo de conhecer cada vez melhor a Deus, que é o mesmo que dizer ser cada vês mais Dele, de O tornarmos cada vês mais Dele, de O tornarmos cada vez mais presente, de vivermos cada vez mais com Ele ao nosso lado”.

De resto, “conhecer a Deus é o segredo de Santo Amaro, é o segredo de todos os santos”. E deve ser também este o segredo de todos os cristãos, o “segredo de um mundo melhor, de uma vida santa, de uma vida boa, de uma vida eterna”.

A terminar a sua reflexão D. Nuno Brás exortou os fiéis a que “se disponham verdadeiramente a conhecer a Deus”. Por outras palavras, “já que somos conhecidos por Ele, já que Ele nos conhece assim tão completamente, também nós queiramos conhecer” e “tenhamos este desejo de, em cada dia, o conhecermos melhor, de vivermos de tal forma com Ele que, quando deixarmos este mundo, de facto, possamos viver de tal forma unidos a Ele que o contemplemos assim face a face no céu”.

“Que o exemplo de Santo Amaro, o exemplo de todos os santos e o exemplo de cada um de nós uns para os outros, nos anime a conhecer a Deus e a deixarmos verdadeiramente nos transformar por Ele, a nossa vida e tudo quanto está à nossa volta”.

No final da celebração coube ao cónego Vitor Gomes, pároco de Santa Cruz, agradecer ao bispo do Funchal, a João Mendonça “pela colaboração dada, às senhoras casadas que este ano são também festeiras, às entidades presentes, nomeadamente ao presidente da Câmara, e a todos aqueles que de uma forma ou de outra contribuíram para que possamos celebrar com esta solenidade o Senhor Santo Amaro”.

Já D. Nuno desejou que “Santo Amaro nos entusiasme a conhecermos um pouco mais do nosso Deus, um conhecimento que não é simplesmente de saber, de ideias, mas um conhecimento que se faz de vida e que se faz vida”.