Três estrelas

João Paulo I será beatificado no dia 4 de setembro de 2022 | D.R.

Em trinta e três dias de pontificado, o Papa João Paulo I ficou conhecido como o “Papa do sorriso”.

Realizou apenas quatro Audiências Gerais, nas quartas-feiras do mês de setembro de 1978. Nelas, gostava de dialogar diretamente com as crianças, com simplicidade e proximidade.

Logo na primeira audiência, a 6 de setembro, chamou um menino: “Então, tu. Como te chamas?”. — “James!”. — “James. Estiveste alguma vez doente?”. O menino disse que “não”, o Papa acrescentou: ”Oh, que felizardo! Mas, quando um menino está doente, quem é que lhe leva uma pouca de sopa, os remédios? Não é a mãe? Ora vê: Tu virás a ser grande e a mãe ficará velhinha. Tu serás um grande senhor, e a mamã, pobrezinha, estará doente na cama. Quem é que então lhe levará uma xícara de leite e os remédios? Quem?”. O menino respondeu: “Eu e os meus irmãos”. — “Bravo!”, respondeu o Papa.

Nas três audiências seguintes apresentou três “lâmpadas da santificação”: a fé, a esperança e a caridade.

Sobre a fé, conta: “A primeira coisa que fiz, apenas eleito Papa, foi entrar na capela particular da Casa Pontifícia”. Aí encontrou dois mosaicos com inscrições: “por baixo da imagem de São Pedro há as palavras de Jesus: Pedirei por ti, Pedro, para que não desfaleça a tua fé. E por baixo da de São Paulo, que morre à espada: Terminei a minha corrida, conservei a fé”.

Na catequese seguinte, falou sobre a Esperança que vence o pessimismo e reveste de alegria a vida cristã, explicando que São Tomás de Aquino colocou entre as virtudes a “capacidade de converter num sorriso alegre – na medida e não modo conveniente – as coisas ouvidas e vistas”.

Finalmente, na última Audiência Geral, véspera da sua morte, João Paulo I falou sobre a Caridade: “amar significa viajar, correr com o coração para o objecto amado”. As últimas palavras que escreveu na sua agenda pessoal foram: “Que eu vos ame sempre mais”.

João Paulo I colocou no seu brasão três estrelas, talvez inspirado pelo seu nome “Luciani”, que deriva da palavra latina “lux”, que significa luz. O Papa “um pouco incerto sobre as suas forças, levanta os olhos e descobre por cima dos montes, como os Reis Magos, uma esplêndida luz estelar que o anima e lhe dá a esperança”, lê-se no sítio do Vaticano.

Que as estrelas da fé, esperança e caridade possam iluminar também o nosso caminho ao longo deste ano que começou.