Domingo dia 9: Nazaré vai acolher Batismo de adultos que descobriram importância de Deus nas suas vidas

Foto: Duarte Gomes

No próximo domingo, dia 9 de janeiro, dia em que a Igreja celebra o Batismo do Senhor, pelo menos três adultos vão receber este Sacramento (mais a Eucaristia e o Crisma) na igreja da Nazaré. Será numa Eucaristia celebrada a partir das 11.30 horas e presidida por D. Nuno Brás.

Inicialmente o grupo era composto por cinco pessoas, quatro da paróquia e uma de Santo António. No entanto, a pandemia, que continua a nos trocar as voltas à vida, não só foi ‘atrapalhando’ a formação, que durou cerca de um ano, como pode agora reduzir o grupo a três ou eventualmente quatro pessoas.

Sofia Milho, Cláudia Mendonça e Sara Neves fazem parte deste grupo que pediu para ser admitido na Igreja Católica. Falando ao Jornal da Madeira sobre as razões que as levaram a dar este passo, Sofia diz que os pais entenderam que deveria ser ela, quando já tivesse maturidade suficiente para isso, “a decidir a minha religião”. Esse tempo chegou e Sofia diz estar certa de que “é este o caminho que quero seguir”.

Embora por outros motivos, os pais de Cláudia Mendonça também acabaram por não a batizar em criança, como seria de esperar. Hoje, mulher feita, decidiu que estava na altura de dar esse passo e tornar-se cristã. A verdade, explica, “é que eu sempre acreditei e sempre me senti acompanhada por Deus”, mas a falta do Batismo fazia-a sentir-se “um bocadinho “à margem”, o que a partir de domingo deixará de acontecer

Já Sara, depois de ter passado “por vários problemas na vida”, sentiu que estava a “faltar qualquer coisa” e que “este era o caminho”. Foi então que tomou a decisão de “ser batizada porque sentia que este era o momento certo” e que “Deus, que existe e está sempre comigo, me estava a chamar”.

Ser presença de Deus

Quanto àquilo que cada uma espera depois de receber o Batismo, sacramento pelo qual os homens se tornam membros do corpo da Igreja, Sofia fala de aprofundar e pôr em prática os ensinamentos que foi recebendo ao longo deste ano de formação.

Já Cláudia destaca a “possibilidade de poder comungar”, de “assistir a uma missa inteira, sem sair na hora da comunhão porque não o podia fazer” e sobretudo poder dizer “eu sou batizada eu acredito”.

Finalmente, Sara espera que depois de receber os sacramentos da iniciação cristã “possa pôr em prática o cristianismo e mostrar aos outros, na Madeira e no mundo, se for possível, que a voz de Deus é o mais importante e que Ele ajuda aqueles que o procuram”.

Já não é por tradição, mas por vontade própria

Mas estes batismos, como nos disse o Pe. Miguel Lira, não marcam só aqueles que os vão receber, mas “a própria comunidade que os recebeu” e a quem “eles também dão um testemunho de fé”. 

Por outro lado, “estes batismos já não se celebram por tradição, mas porque há um querer neles”, e porque alguns “começaram a descobrir a parte espiritual”. 

Num tempo em que o Papa convida a Igreja a fazer caminho o pároco da Nazaré diz que “estes novos cristão contam muito, porque têm as suas opiniões e vale a pena escutá-los”. 

Já D. Nuno Brás considera que é perfeitamente normal, “na vida de uma paróquia, de uma diocese, termos muitas crianças a serem batizadas por vontade e por fé dos pais, porque a fé é o melhor que os pais podem dar às crianças, mas depois ter também pessoas que não foram batizadas em crianças e que se dispõem a fazer este caminho”.

Por norma, o batismo de novos católicos adultos ocorre depois destes fazerem um percurso de preparação que culmina na Vigília Pascal. Mas o bispo da diocese pode entender que estão reunidas as condições para que o batismo ocorra noutra altura, como neste caso.