Missa do Parto da ALM: D. Nuno convidou assembleia a ser “sinal de Deus no meio do mundo”

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal celebrou na manhã desta segunda-feira, 20 de dezembro, uma Missa do Parto na Capela de Santo António da Mouraria, contígua à Assembleia Legislativa da Madeira.

A Eucaristia, promovida pela presidência, funcionários e deputados do parlamento, teve início às 7.30 horas e foi a primeira que D. Nuno Brás presidiu naquele pequenino templo, cuja conclusão da construção data de 1715.

Na oportunidade, o prelado frisou que esta celebração “nos convidava a sermos sinal de Deus no meio deste nosso mundo” tendo o próprio convidado os presentes a pensar “ao longo deste dia, como é que nós podemos se este sinal, o que é que podemos fazer, o que é que podemos melhorar, o que é que podemos transformar em nós e à nossa volta para sermos este sinal da presença de Deus que continua a amar este nosso mundo e que quer ser para este nosso mundo Deus connosco”.

De resto, estas já tinham sido palavras repetidas na sua homilia em que o prelado refletiu sobre as leituras que nos falavam de um “dilema político” e das dúvidas do Rei Acaz sobre se devia ou não “fazer uma aliança com o Rei da Assíria”.  Nessa altura “o profeta é enviado ao Rei Acaz e para lhe dizer que não fizesse esta aliança, que não se submetesse a um rei estrangeiro porque Deus está contigo e o Senhor é a tua liberdade”. 

Diante deste desafio e sem querer pedir um sinal para “não pôr o Senhor à prova, Acaz fica indeciso”. A mesma indecisão que, disse o prelado, “é tantas vezes a nossa, sobre se havemos de confiar em Deus, de perceber que Ele está connosco ou se havemos de confiar antes no nosso raciocínio, nos nossos pensamentos”.

O profeta acaba dizendo que, mesmo não querendo pedir um sinal, “por hipocrisia e medo, o Senhor te dará um sinal: a tua esposa vai ter um filho”. Este sinal, disse D. Nuno, “sempre foi visto como o grande sinal de Deus que é Jesus Cristo nascido da virgem Maria”.

“Jesus Cristo é verdadeiramente o sinal de que Deus está connosco, o grande sinal de que podemos confiar em Deus e o sinal de que Deus não nos abandona”, sinal do que nos falava depois o Evangelho.

“Nós vivemos deste sinal”, frisou o bispo diocesano para logo acrescentar que “o facto de nós celebrarmos o Natal é também sinal de um Deus connosco”, mesmo para aqueles que “sem qualquer intenção religiosa celebram o Natal”. Na verdade, “acabamos todos por ser “um sinal uns para os outros de que Deus está connosco, de que Deus não nos abandona, de que podemos e devemos confiar em Deus e entregar-lhe toda a nossa vida”. 

“Esta Eucaristia aqui, nesta casa, esta Eucaristia celebrada assim em pé, sinal também de quem está à espera, é bem este sinal de que Deus não nos abandona, de que vale a pena confiar em Deus” e que “nós que aqui estamos somos, uns para os outros, este sinal da presença de Deus”.

A terminar D. Nuno Brás pediu ao Senhor “a graça de também nós sermos capazes, ao contrário de Acaz, mas à semelhança da Virgem Maria, de arriscar, de nos entregarmos todos, completamente, tudo aquilo que temos, tudo aquilo que somos, entregar nas mãos de Deus de forma a deixar que Ele, vivendo assim a nossa vida, nascendo verdadeiramente nos nossos corações, Ele nos possa salvar”. 

Porque possivelmente o prelado não se irá encontrar com os que compunham esta assembleia antes do Natal, D. Nuno terminou esta Eucaristia fazendo “votos de um Santo Natal para todos, para as vossas famílias, sobretudo para aqueles que estejam nalguma dificuldade”.

Culto pelo menos uma vez ao ano

Já José Manuel Rodrigues, em declarações aos jornalistas, lembrou que quando chegou ao parlamento “a Capela de Santo António da Mouraria, estava aberta a visitas, mas não havia culto”. Foi então que achou por bem que, pelo menos anualmente,” ali se celebrasse uma Eucaristia, neste caso, de uma missa do parto”. 

Afinal, “sendo esta a casa do povo da Madeira e do Porto Santo, sendo o povo extremamente religioso, com uma grande espiritualidade, que foi cimentando a sua identidade também na base da mensagem cristã, e sendo o Natal a grande festa desse povo, fazia todo o sentido que esse Natal também fosse comemorado aqui na Assembleia Legislativa, através de uma Missa do Parto”.

Por outras palavras “esta Missa do Parto é uma expressão natural da casa do povo da Madeira e do Porto Santo da casa da Autonomia e da Democracia, desta intensidade que o Natal tem na Madeira, desta força que imana da identidade do povo madeirense forjada ao longo de seis séculos e alicerçada nos valores do Cristianismo”.