Curral da Freiras: D. Nuno exortou fiéis que foram à Missa do Parto a darem carne à palavra de Deus

Foto: Duarte Gomes

Nem a trovoada da noite, nem a chuva forte da madrugada do dia 19 de dezembro, afastaram os paroquianos da igreja e da participação em mais uma Missa do Parto no Curral das Freiras.

A celebração, que se iniciou às 6.30 da manhã, foi presidida por D. Nuno Brás que, na sua homilia começou por lembrar que “cada um de nós é um segredo” e que só somos capazes de saber e de conhecer o que vai no coração e na alma do outro se ele o verbalizar.

“A palavra diz muito acerca daquele que a diz”, frisou o prelado, para logo acrescentar que “a palavra é a única forma que nós temos de conhecer a vida interior de uma outra pessoa”.

E Deus também “se quis dar a conhecer aos seres humanos e por isso mesmo nos falava da natureza”. Depois, “porque isso não bastou, fez-se palavra na boca dos profetas”, os quais afirmavam que não importavam só “os sacrifícios e orações”, mas era preciso também “cuidar do mais próximo”. 

E ainda assim não foi suficiente e por isso “Deus concebeu o plano da palavra fazer-se carne, fazer-se homem” e assim quando “nós, seres humanos, olhamos para Jesus Cristo vemos quem é Deus”. Ele que se fez um de nós, para que o pudéssemos escutar, ver e tocar”.

Na 2ª leitura dizia-se mesmo que o Senhor não quis sacrifícios nem oblações, mas formou um corpo que veio ao mundo para nos mostrar o Pai. “E que bom que é podermos conhecer Deus assim”, o próprio Deus que se faz palavra feita de vida, feita de carne”.

E como se dizia no Evangelho Maria, grávida de Jesus, transportava consigo a palavra de Deus e a foi anunciar a sua prima Isabel, que “reconheceu a palavra de Deus que Maria trazia consigo”. Uma palavra que, constatou D. Nuno Brás se fez palavra viva, se fez caridade”.

“É esta palavra de Deus, que é Jesus Cristo, que faz de nós cristãos “. Por outras palavras, “o cristão é aquele que dá carne à palavra de Deus, quer dizer, alguém que se deixa transformar, alguém que é portador da palavra de Cristo”. E que “grandeza é sermos cristãos”, disse o prelado, para logo frisar que “mal seria se guardássemos essa palavra só para nós e não a transmitíssemos uns aos outros e não a disséssemos seja em palavra viva, em caridade, em ajuda ao próximo”.

Frisou depois que “nós sabemos que uma palavra dita e bem dita pode fazer, faz mesmo, a diferença entre a vida e a morte, entre a fé e os que não acreditam, entre a tristeza e a alegria”.

Por isso, assim como Nossa Senhora se dirigiu apressadamente para anunciar a Isabel aquela palavra que ela trazia, D. Nuno exortou os fiéis a serem capazes, também eles de “anunciar, de trazer connosco sempre, onde quer que estejamos”.

Esta palavra de Deus que é Jesus Cristo de que somos portadores e que “essa palavra não seja apenas dita pela boca, mas que seja sobretudo vivida, de tal forma que aqueles que se encontrarem connosco sejam capazes de exultar de alegria como João Batista no seio de Isabel, porque percebeu que também connosco está a palavra de Deus, aquela palavra que dá alegria ao nosso viver, que nos faz olhar não apenas para esta terra, mas ter também os olhos no céu”.

No final da celebração, pelo Sítio da Achada, coube ao Pe. Pedro Nóbrega, Pároco do Curral das Freiras, agradecer a presença de todos e em especial a do Bispo do Funchal que “é o garante da nossa unidade, na fé com o Papa Francisco”.

Lembrou ainda que a diocese tem um novo diácono e que “temos de rezar por ele, para que ele possa ser um bom instrumento de Deus, um bom servo no seio da Igreja Diocesana” e não esqueceu o Pe. Marco Augusto, pároco da Vitória e de Santa Rita, que é natural do Curral das Freiras, para quem também pediu orações, para que “possa ser um instrumento da presença e do amor de Deus”. 

Desejou ainda que “Jesus faça vida em nós” e possa ser “luz e bênção para que também nós possamos fazer vida da vida dos outros” e que “esta obra não seja apenas e só de desejarmos Boas Festas uns aos outros, mas sobretudo de cuidarmos a festa uns dos outros”. 

Neste contexto, o sacerdote apelou a que as pessoas presentes, que iam depois frequentar os bares e cafés do centro da freguesia o fizessem “com todos os cuidados”, de modo a evitar a transmissão do vírus e a impedir que “as Missas do Parto sejam um foco de novos casos”.

Já D. Nuno Brás, ao se dirigir à assembleia antes da bênção final aproveitou para deixar umas palavras aos que seguiam a missa pelo face da paróquia, em especial “aos emigrantes que não puderam vir por causa da pandemia, dizer que rezamos por eles e estamos unidos na oração”. Terminou desejando “umas santas festas a todos e que, verdadeiramente, o Menino nasça em nós, no nosso coração”.

Depois da Missa D. uno Brás ainda teve oportunidade de visitar o presépio construído no parque de estacionamento do Centro cívico do Curral das Freiras. Uma vez mais a sua elaboração esteve a cargo da Associação Refúgio da Freira, que mesmo sendo mais simples, merece uma visita num destes dias, o que poderá acontecer, obedecendo às medidas sanitárias em vigor.