D. José Tolentino Mendonça recebeu diploma de membro honorário da Academia de Marinha

Cardeal português, «proveniente de uma família de pescadores», partilhou «sentimento de humildade muito grande»

Foto: Marinha Portuguesa

O cardeal português D. José Tolentino Mendonça recebeu esta terça-feira o diploma de membro honorário da Academia de Marinha de Portugal, na sessão solene de encerramento do Ano Académico 2021 desta instituição.

O colaborador do Papa disse à Agência ECCLESIA que recebia a distinção com “um sentimento de humildade muito grande”.

“Sei o que significa a Academia de Marinha e sei o que representa a Marinha no contexto de Portugal e da nossa identidade portuguesa”, acrescentou o bibliotecário e arquivista da Santa Sé.

Na sessão que decorreu em Lisboa, D. José Tolentino proferiu a conferência ‘Uma Visão Espiritual Do Mar’.

“Proveniente de uma família de pescadores”, o bibliotecário e arquivista da Santa Sé disse que na sua comunicação tentou ligar a história dos pescadores “ao lugar do mar na identidade portuguesa”.

“O mar sempre foi um lugar perto da vida, perto do coração, e percebemos que o mar é ao mesmo tempo um recurso da nossa humanidade, do nosso planeta, mas também é um alfabeto para escrever a nossa aventura espiritual”, realçou.

Segundo D. José Tolentino Mendonça, “o mar é também o lugar onde as pessoas encontram Deus” e para muitos funciona como uma espécie de mistagogo, “é o iniciador de um mistério”.

“Perante o mar, mesmo uma pessoa que ande a correr de um sítio para o outro para, contempla, espanta-se, deixa-se tocar pelo silêncio que o mar impõe. E é desafiado a olhar de outra forma, se calhar até uma coisa que não é exatamente o visível, mas que o mar nos ensina a ver dando-nos um horizonte mais amplo e uma respiração maior do que a vida todos os dias”, desenvolveu.

A sessão realizada no auditório da Academia de Marinha foi presidida por Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, que destacou o “toque de génio” de D. José Tolentino Mendonça.

“É a projeção de uma vivência pessoal, que é uma linhagem familiar; Na ligação entre os mares interiores e os mares exteriores; na relação entre a história, a poesia e o que é a riqueza cultural de saber colocar em diálogo uma vivência espiritual e religiosa e um tema feito de espírito, de mistérios, de aventura, descoberta, de recriação, de inventivo”, desenvolveu Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de honra da Academia de Marinha, que elogiou o papel das academias, “num tempo avesso às academias”, e a realização da comunicação.

O presidente da Academia de Marinha, almirante Francisco Vidal Abreu, explicou que a sessão solene de encerramento do Ano Académico 2021 não era “o tempo de balanços”, mas para refletirem sobre “temas mais importantes e de uma dimensão menos mundana”, embora sempre ligadas às suas vidas, e, por esse motivo, convidaram D. José Tolentino Mendonça, “notável pensador”.

A cerimónia de entrega do diploma de membro honorário da Academia de Marinha contou com as presenças do chefe do Estado-Maior da Armada, almirante António Mendes Calado, e do bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Rui Valério.

CB/OC