Natal à vista

D.R.

Faltam já poucos dias para as paróquias da Diocese do Funchal darem início às tradicionais Missas do Parto. A maioria das paróquias começará na madrugada da próxima quarta-feira, dia 15 de dezembro. 

Não se pode entender o Natal madeirense sem estas celebrações, profundamente enraizadas na identidade popular. 

A primeira Missa do Parto “é a primeira manifestação de alegria da Festa; é o Natal à vista. Para os mais crentes, estas missas são o prenúncio do Natal: anunciam-no, explicam-no e fazem movimentar uma população fiel a uma tradição secular”, escreve Libânia Gomes na obra “As Missas do Parto na Ilha da Madeira. Uma tradição a preservar”.  

Mais uma vez, as restrições impostas pela pandemia vão impedir os convívios habituais nos adros das igrejas após a celebração da Missa. No entanto, mesmo sem a animação exterior, feita com instrumentos e cantares populares, não faltarão os cânticos tão característicos das Missas do Parto e, sobretudo, não faltará a alegria contagiante dos louvores à Virgem do Parto.

É interessante notar como as Missas do Parto expandiram-se para o exterior da Madeira e são celebradas junto das comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo. 

Por outro lado, a espiritualidade das Missas do Parto, os seus elementos litúrgicos, musicais e poéticos, a mística da celebração antes do nascer do sol, podem contribuir para que os cristãos de outras dioceses vivam de maneira mais profunda o tempo de advento. 

Uma iniciativa interessante neste sentido foi realizada na igreja de S. Tomás de Aquino, em Lisboa, que em 2018 celebrou uma Missa do Parto com uma “breve cantata popular, a partir da recriação de cinco cantos madeirenses para a novena de Natal”. O compositor, Alfredo Teixeira, professor na Universidade Católica Portuguesa, escreveu na altura que “a piedade que se desvela no contexto devocional destas celebrações verte-se numa mística de contemplação da ´Senhora Virgem do Parto´. Trata-se de uma espiritualidade em que a beleza feminina (do nome e da figura) se apresenta como uma linguagem transparente para o sobrenatural”.