D. Nuno Brás: Livro espelha presença dos Dehonianos aqui, no continente e na Igreja e até dava um filme

Foto: Duarte Gomes

Este livro “espelha aquilo que é a presença dos Dehonianos na nossa ilha, no país e na Igreja.” As palavras são de D. Nuno Brás e foram proferidas esta quinta-feira, dia 9 de Dezembro, na apresentação do livro “Dehonianos, A Força da Disponibilidade – História de uma Congregação Empreendedora”.

Um livro que foi apresentado na Assembleia Legislativa da Madeira e que segundo afirmou o prelado, em tom de desafio aos promotores da obra “dava um verdadeiro filme”.

Com direção científica de José Eduardo Franco e Eugénia Abrantes, D. Nuno falou ainda de um livro que tem peso, que está muito bem apresentado, em termos gráficos, e que nos dá a conhecer “aquilo que  são os Dehonianos hoje e aquilo que estavam no início”. 

Um início que “não augurava nada de nada, um início difícil”, mas que acabou dando fruto e a obra foi-se expandindo, “deixando-se conduzir pela providência”. De resto, disse D. Nuno, “foi a providência de Deus o grande autor da congregação dos Padres Dehonianos aqui na Madeira e pelo mundo inteiro”. 

É com esta realidade que “somos surpreendidos ao longo desta obra que não nos conta simplesmente a coragem de uns homens, a maneira desenrascada com que eles foram capazes de ultrapassar as dificuldades, conta-nos o modo como Deus, do nada, faz nascer tanto e só nos pede que nos deixemos ser instrumentos da sua ação e do seu amor”.

Não esquecer as origens

O provincial dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) em Portugal, padre João Nélio Pereira explicou que escolheram a ilha da Madeira para apresentação desta obra precisamente porque “este foi o lugar onde nascemos e crescemos”. Ou seja, “a ilha da Madeira não foi a apenas um pormenor do nosso percurso de província”. Na verdade, “desde o início, tornou-se para nós, um espaço de encontro intercultural de missionários italianos que colaboravam com a Igreja local e o povo madeirense, em contato com terras e gentes de Moçambique.”

Aqui, recordou, “formaram-se os primeiros grupos de seminaristas; “aqui aprendemos a crescer na confiança em Deus e na escassez de recursos, à maneira do nosso povo forte, lutador e corajoso, um povo que é capaz de enfrentar as dificuldades do relevo geológico para melhorar a vida dos seus, um povo que é capaz de cruzar oceanos para encontrar novas oportunidades”.

Inicialmente, “a chegada dos Dehonianos à Madeira se focou na construção de um seminário, aos poucos, a missão foi-se alargando com a criação do colégio do Infante D. Henrique, a Fundação da Escola da APEL e o cuidado da zona Pastoral da Ribeira Brava, onde hoje desenvolvemos um significativo e reconhecido trabalho social”.

O provincial terminou dando “graças a Deus por este caminho que continuamos a fazer juntos” e desejou que “esta obra seja oportunidade para não esquecermos as origens e as raízes, e, sobretudo, para olharmos o futuro com esperança, percorrendo caminhos de colaboração mútua”.

Presidente da ALM enaltece congregações

Já o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira enalteceu o trabalho das congregações e da Igreja Católica na Madeira. “As minhas primeiras palavras são de saudação e agradecimento aos Dehonianos, pela sua ação em prol da educação, da saúde e da solidariedade social nesta Região”, saudando o seu Superior Provincial, o padre João Nélio Pereira, natural da nossa terra.

José Manuel Rodrigues estendeu este seu reconhecimento “a toda a Igreja madeirense, aqui representada pelo seu Bispo, D. Nuno Brás, que ao longo de seis séculos fez um trabalho notável na instrução, assistência e saúde dos nossos cidadãos”, começou por salientar.

Vincou que “ainda hoje, uma boa parte dos serviços prestados à nossa comunidade, quer na educação quer na saúde, são de congregações e instituições da Igreja Católica, e este facto deve ser sempre sublinhado, mas sobretudo lembrado quando, pela Europa, mas também pelo nosso país, se fazem ouvir, felizmente sem muito eco, algumas vozes que pretendem apagar as nossas origens judaico-cristãs e a nossa matriz católica, que levámos pelo mundo fora e da qual nos devemos orgulhar”.

“O sonho do então arcebispo madeirense D. Teodósio Gouveia de ter um seminário no Funchal, que preparasse missionários para as colónias portuguesas, foi concretizado por dois padres italianos, que, aqui chegados, souberam transformar as dificuldades em oportunidades, primeiro, ajudando o Padre Laurindo Pestana na sua Escola de Artes e Ofícios e, depois, erguendo o Colégio do Sagrado Coração de Jesus, que ainda hoje marca a paisagem do nosso belo Funchal”, disse José Manuel Rodrigues.

“Como Presidente da Assembleia Legislativa, direta representante do povo da Madeira e do Porto Santo, o meu Muito Obrigado pelo que fizeram, pelo que fazem, e por aquilo que, estou certo, farão por esta Região e pelo seu povo, e pelos valores e princípios que dão corpo à identidade madeirense”, concluiu.

Trabalho de “heróis anónimos”

Coube ao ex-Presidente do Governo Regional Alberto João Jardim fazer a apresentação do livro. “Estes Homens que fizeram e fazem a congregação Dehoniana são heróis anónimos”, enfatizou Alberto João Jardim vincado que as opções assumidas desafiaram a complexidade deste mundo global.

“O padre Dehon quer que a igreja intervenha e alimente as almas. Intervenha para, em permanência, formar e apontar caminhos às pessoas”, disse.

O antigo governante madeirense destacou a obra dos “padres do Coração de Jesus” e a “sua integração no “reforço da construção da Madeira pela igreja católica, nomeadamente nos planos da solidariedade social, da educação, da cultura, das artes e da saúde”.

Alberto João Jardim aponta o Colégio Missionário como uma das grandes marcas dos padres Dehonianos na Madeira, “onde passou a funcionar um seminário de excelência, e que deu aos quatro cantos do Mundo, tantos e tão bem preparados sacerdotes que honraram e honram a Madeira.

Congregação Empreendedora

O livro “Dehonianos, A Força da Disponibilidade – História de uma Congregação Empreendedora em Portugal”, tem a direção científica de José Eduardo Franco e Eugénia Abrantes. José Eduardo Franco salientou que para além de um documento científico, histórico e religioso, o livro pretendeu ser ainda uma obra de arte editorial.

Fundados na segunda metade do seculo XIX por um jovem padre francês que acreditava num mundo melhor, os Sacerdotes do Coração de Jesus, hoje mais conhecidos como Dehonianos, projetaram-se a nível global erguendo uma das mais inovadoras congregações religiosas da Igreja Católica. Apaixonados pelo ideal do seu fundador, Padre Dehon, de estabelecer o amor de Deus no coração da humanidade, edificaram seminários, colégios, obras de solidariedade e de qualificação social e profissional, missões e residências de espiritualidade em países de quatro continentes”, pode ler-se na ficha técnica.

Os Dehonianos revelaram uma notável capacidade empreendedora em Portugal, onde começaram a implantar-se a partir do ano de 1947, sob a liderança de dois jovens pioneiros italianos, os padres Colombo e Canova. Desde então, desenvolveram, em poucas décadas, uma ação relevante, que permitiu estabelecer uma vigorosa província da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus em terras lusas, com uma diversidade de obras implantadas em diferentes cidades do continente e dos arquipélagos atlânticos. Ao longo de 75 anos, educaram um número considerável de crianças e jovens, formaram sacerdotes e irmãos para trabalhar ao serviço da

Igreja e da sociedade portuguesas e em missões em diferentes países, como Moçambique, Madagáscar, Angola e India.