Movimentos da diocese ligados à família reuniram para fazer caminho sinodal

Foto: Duarte Gomes

O Secretariado Diocesano da Família promoveu no passado sábado, dia 27 de novembro, um encontro de movimentos ligados à Pastoral Familiar na igreja da Nazaré, com o propósito de fazer caminho sinodal proposto pelo Papa.

O evento acabou por contar com a presença de 34 participantes, alguns pertencentes ao mesmo movimento, e também com a presença do bispo do Funchal.

A abrir os trabalhos D. Nuno Brás sublinhou que “a realidade familiar de que cuidam estes movimentos é verdadeiramente central na nossa vida cristã e na nossa vida como sociedade”. 

É certo que a sociedade mudou, hoje ninguém deixa a porta de casa aberta, como acontecia antigamente, sobretudo nos pequenos aglomerados populacionais. “Esta realidade comunitária desapareceu”, constatou o bispo do Funchal para logo acrescentar que, eventualmente, “aqui na nossa diocese existirá no norte ainda alguns restos deste modo de vida”. 

A ideia não é que vamos voltar a esses tempos, mas “vale a pena darmo-nos conta desta realidade” e nos darmos conta que “nascemos egoístas” e é a educação que nos ajuda a deixar de o sermos, ou pelo menos “a sermos menos” e a perceber que “existem outros, que eles não nos tiram o lugar, mas que pelo contrário eles são a condição para sermos felizes”.

Esta dimensão da comunidade, disse o prelado, “é essencial na própria realidade humana”. Ou seja, “não apenas o outro existe, não apenas tenho e devo respeitá-lo, mas o outro é a condição para que eu possa ser feliz, para que eu possa ser livre”. Se quisermos, “a comunidade é condição para eu viver”. 

Jesus, prosseguiu, também viveu numa comunidade, também teve uma infância com primos e primas. Ou seja, Deus quando se faz homem faz-se homem no seio de uma família” de uma comunidade, de uma cultura. Já mais crescido Ele cria a sua própria comunidade de 12”, número que depois corresponde às 12 tribos de Israel, um novo começo, “num contexto comunitário”, “eclesial” de “Igreja” que, acrescenta, marca desde “sempre o encontro de Deus com o homem”.

E por onde os 12 depois vão passando vão anunciando o Evangelho e criando comunidades. De resto, frisou, “o cristianismo tem esta marca comunitária, de uma comunidade que cuida uns dos outros em termos humanos e em termos de fé”. 

O perigo, a que a Diocese do Funchal não é alheia, é que “esta vida comunitária diminua de intensidade” e as pessoas façam da Igreja um mero fornecedor de serviços religiosos, onde cada um vai buscar aquilo que lhes falta para salvar a alma e deixem de se preocupar com os outros. Esta é a grande intuição e preocupação do Papa.

Neste contexto, defendeu o bispo diocesano, a incumbência da Pastoral Familiar, com todos os carismas e todas as atividades que cada movimento tem é que “as famílias tenham uma missão no mundo e na Igreja sendo comunidade e ajudando a retomar a dimensão comunitária de uma humanidade”.  O Secretariado diocesano da Pastoral familiar “é aquele que procura coordenar aquilo que é coordenável, celebrar e ‘espicaçar’ os outros movimentos a promover, alargar e ajudar em determinadas tarefas em comunidade”, explicou.

“É esta mesma intuição que nos aparece agora com a sinodalidade, uma palavra complicada que diz que cada comunidade cristã é comunidade e que, portanto, todos cuidam de todos e todos têm algo a dizer acerca de todos”, explicou D. Nuno. 

Para o prelado o Papa pensou, e bem, que “não fazia sentido fazer um sínodo que fale e pense sobre a sinodalidade sem antes ter tentado colocar isto em prática, isto é, sem antes meter os cristãos do mundo inteiro a pensar e a viver esta realidade sinodal, este caminhar em conjunto à procura daquilo que o Espírito Santo nos quer dizer”, nomeadamente sobre que Igreja que Ele quer e não sobre a que cada um quer, ainda que se procure o consenso já que na Igreja “não funcionamos por maiorias”.

Após esta intervenção, os participantes foram divididos em grupos de trabalho para refletirem sobre questões que lhe haviam sido previamente enviadas. Cada grupo elegeu um porta-voz que deu a conhecer as conclusões a que chegaram. 

A maioria dos grupos, defendeu a necessidade de se realizarem mais encontros como estes, para que os movimentos se conheçam e saibam o que cada um faz e de que forma uns se podem integrar nas atividades dos outros. 

No final do encontro, o cónego Rui Pontes, assistente do secretariado, agradeceu a todos pela “ousadia de aceitarem o compromisso de cá estarem” e de participarem nesta “proposta de sinodalidade que nós também queremos lançar e viver integrando as propostas de cada movimento”.

Reforçou depois a ideia deixada pelo bispo diocesano de que, de facto, o secretariado Diocesano não tem a pretensão se substituir-se a nenhum movimento” e que o que procura é estar “em sintonia com os movimentos da diocese e com as paróquias”. 

Quanto às inquietações que os vários grupos partilharam, frisou que que “são inquietações que nos desafiam como Igreja”, mas não apenas como uma parte que “eleva a voz, mas uma parte que integra e se envolve”, isto é, que apontam problemas, mas também soluções.

Seguiu-se depois a apresentação por parte de Nuno Rivera, que conjuntamente com a esposa Maria Luísa são o casal diretor do secretariado, apresentar uma série de iniciativas já programadas para o próximo ano, nomeadamente Jornada Diocesano da Família, que terá lugar no dia 13 de fevereiro, na paróquia dos Prazeres e outros que oportunamente o Jornal da Madeira irá divulgar.

D. Nuno Brás encerrou os trabalhos, voltando a lembrar que os que se envolvem, por poucos que possam parecer, “fazem a diferença”, porque podem ir comunicando e mudando os restantes e aos poucos a sociedade madeirense. São esses que “nós precisamos de encorajar e que precisamos soprar para o fogo do Espírito Santo se pegar”.

O prelado disse ainda que “não podemos deixar de arriscar a educação da fé”, mesmo que depois os frutos não sejam muitos, e de continuar a ser testemunhas de que é melhor viver com Deus do que sem Ele.