Mensagem do Bispo do Funchal para o Advento

Foto: Duarte Gomes

Uma vez mais começamos o tempo do Advento.

Com ele, somos convidados à esperança. Parece contraditório ser convidado à esperança no meio desta pandemia que persiste em estar connosco, em ceifar vidas, em encher hospitais, em confinar-nos, em privar-nos de fazer festa.

Mas a festa não é nossa. É de Deus. É a festa de Deus connosco. Deus que quer vir até ao nosso mundo, à nossa vida concreta e real, para a iluminar.

Para a nossa sociedade, habituada ao bem-estar, é difícil: fazer as compras de Natal com a máscara na cara; pensar que ainda não teremos as Missas do Parto como estamos habituados; que ainda não poderemos celebrar o Natal à vontade, com as nossas famílias e as nossas comunidades..

Mas quantos, pelo mundo além (por vezes tão próximos de nós), vivem durante todo o ano no meio de dificuldades! A pobreza extrema; a perseguição; as lutas; a guerra…

Celebrar assim o Advento, mostra que a esperança a que somos chamados não é o fruto das nossas capacidades e qualidades. Não é o fruto das conquistas da ciência. É porque Deus persiste em estar connosco e em abrir diante de nós o caminho da eternidade que podemos ter esperança!

Este ano, convido todos a que a nossa renúncia do Advento reverta para as obras que teremos que realizar no chamado “Terreiro da Luta”. É um lugar dedicado à paz, que convida à oração pela paz, e que está a necessitar de obras urgentes, como é do conhecimento público.

Que o Advento nos ajude à esperança verdadeira, preparando o Natal do Senhor que está a chegar.

+ Nuno, Bispo do Funchal