Um santo no meio de nós

D.R.

Há 100 anos atrás, a Madeira dava abrigo ao Imperador Carlos de Áustria e à sua família. Vinham fugidos da sua terra, onde, entretanto, tinha sido proclamada a república.

Embora pertencesse à família imperial, ninguém no dia do seu nascimento colocaria a hipótese que viesse a ser herdeiro do trono: era apenas o sobrinho-neto do Imperador. Foi uma longa série de acontecimentos que, em plena Iª Guerra Mundial, o conduziram para a frente desse enorme Estado, o Império Austro-Húngaro, hoje um conjunto vasto de países europeus. 

Procurar conhecer o melhor possível a vontade de Deus e pô-la em prática com diligência: era este o lema da sua vida. Viveu-o com a ajuda preciosa de sua esposa, a Imperatriz Zita, cujo processo de beatificação também decorre. No fim do retiro espiritual que os dois fizeram antes do matrimónio, Carlos disse à sua futura esposa: “agora é preciso que nos ajudemos um ao outro a chegar ao Céu”. Pai de família, cristão fervoroso, construtor da paz, defensor do bem do seu povo: “o Imperador Carlos concebeu o cargo que ocupava como um serviço sagrado aos seus povos. A sua principal preocupação consistia em seguir a vocação do cristão à santidade também na sua acção política”, disse S. João Paulo II durante a sua beatificação, em 2004.  

Na Madeira, Carlos e a família conheceram a pobreza extrema. Aliás, o Beato Carlos foi vítima da pobreza: o frio e a humidade da casa na Quinta do Monte, juntamente com os poucos recursos médicos da Ilha impediram a recuperação de uma pneumonia. 

Quis ficar sepultado na Igreja do Monte, na Madeira, junto deste povo que o acolheu quando, pobre, aqui procurou abrigo.