Lucas e os pastorinhos

D.R.

domingo estava a terminar. Enquanto a mãe preparava o jantar, os dois irmãozinhos, Lucas e Eduarda, desceram até à casa dos avós para brincar. No Paraná, sul do Brasil, estava um dia de calor. A janela aberta permitia a entrada de algum ar mais fresco. A normalidade desse dia, 3 de março de 2013, foi interrompida por uma tragédia. “O Lucas foi-se apoiar na janela e caiu de uma altura de seis metros e meio e fez um traumatismo craniano na região do lóbulo frontal esquerdo, perdeu tecido cerebral”, descreveu João Batista, o pai do menino de 5 anos. 

Depois de uma viagem de 40 minutos de ambulância, chegaram ao hospital. O médico que os recebeu, Dr. Adilson Corpa, preparou a família: “Ele disse na época que o caso era muito grave, que nos preparássemos para o pior”. 

Na preparação para a cirurgia, Lucas sofreu duas paragens cardíacas. Os médicos alertaram que as probabilidades de vida eram muito baixas. 

A família recorre à oração e pede a Nossa Senhora de Fátima e aos pastorinhos que salvem o pequeno Lucas. O pai contacta a comunidade das irmãs carmelitas para que rezem pelo seu filho, depois volta a insistir. 

Lucas acorda bem depois da operação. E doze dias depois teve alta, sem sequelas, apenas uma cicatriz na testa. “Os médicos, incluindo alguns não crentes, disseram não ter explicação para esta recuperação”, disse João Batista. 

O Dr. Adilson partilhou ao pai da criança, “eu não tenho dúvida de que a recuperação do seu menino é um milagre. Já vi muitos na minha vida médica, mas o do Lucas foi marcante”. Este médico foi um dos cinco que depôs no processo que permitiu a canonização de Franciso Marto e Jacinta Marto em maio de 2017.  “Só a medicina não teria dado conta de resolver esse caso do menino”, disse.  A família revelou que “sentiu uma imensa alegria por ser este o milagre que levou à canonização dos dois pastorinhos de Fátima. 

Na terça-feira passada, 16 de novembro, a família do Lucas recebeu a notícia da morte do Dr. Adilson, “recebi a mensagem com muita tristeza e mágoa por não conseguir ajudá-lo, assim como ele ajudou o meu filho. Fizemos grupos de oração com pessoas do Brasil e de Portugal, unidos pela recuperação, mas Deus o quis perto dele. Agora temos de rezar pelo descanso do nosso saudoso amigo”, disse João, ao portal “Sapo24”.

D.R.