Caniçal e Raposeira: Bispo desafiou crismados a serem testemunhas da presença e do amor de Deus

Foto: Duarte Gomes

Caniçal e Raposeira foram duas das comunidades paroquiais que o bispo do Funchal visitou, no fim de semana de 13 e 14 de novembro, com o propósito de ministrar o sacramento do crisma a 65 jovens e a 13 respetivamente.

No sábado, no Caniçal, D. Nuno Brás começou por dizer aos jovens “que nós somos a maior prova de que Deus existe”, mas que muitas vezes nos esquecemos disso e pomo-nos a pensar que a criação é fruto do acaso.  

Mas essa, lembrou o prelado, nem é a grande questão, porque com mais ou menos dificuldade acabamos por perceber que Ele existe. Na verdade, a grande questão é “se Ele tem alguma coisa a ver connosco, com a vida de cada um de nós”.

As leituras, explicou, “diziam-nos que Deus se encontra no princípio e se encontra no fim e que nós caminhamos para Ele”. Mas, prosseguiu, “o que é bonito, o que é bom e o que é importante é que este Deus está contigo em cada momento e que se importa contigo em cada momento”. 

Claro que isto não é o mesmo que dizer “que Deus faz tudo aquilo que nós queremos”, mas que nós somos livres de fazer escolhas e de esperar que Deus nos acompanhe, Ele que “se fez homem como nós, que venceu a morte por nossa causa” e que “quer partilhar toda a nossa existência”. 

E se deixarmos que essa vontade se concretize é certo e sabido que não vamos fazer tantos disparates, vamos ser melhores, vamos “perceber o valor do outro, a perceber que os outros também são importantes e sobretudo dá-me uma grande tranquilidade porque eu tenho a vida eterna”.

“Viver com Deus é, pois, o grande convite e o grande desafio que se coloca aos cristãos hoje”, é “deixar que Deus viva comigo, deixar que Deus partilhe a minha vida, deixar que a minha vida ganhe um outro sentido e ganhe um outro horizonte”. 

E o Espírito Santo que os crismandos vão receber, explicou o bispo diocesano, “é aquele que nos dá a força e a coragem para aceitar viver com Deus”. A partir desse momento, não há nada a fazer e, por isso mesmo, D. Nuno concluiu pedindo a todos que, num momento de silêncio dissessem isso mesmo ao Senhor. Ou seja, que “querem viver com Ele, que aceitamos que Ele faça parte da nossa vida e que lhe queremos abrir o nosso coração”.

Na Paróquia do Caniçal coube ao Pe. Élio Gomes apresentar o grupo ao prelado e agradecer a sua presença na comunidade. Agradeceu também aos crismados pela sua disponibilidade de quererem receber o Espírito Santo e às catequistas que os prepararam para este momento tão especial nas suas vidas. 

Mostrar Deus que partilha a nossa vida

Já no domingo, na paróquia da Raposeira, cujo Pároco é o Pe. Paulo Jorge Catanho Silva, D. Nuno Brás começou a sua reflexão lembrando que “umas vezes a Sagrada Escritura nos fala do início da realidade”, mas que as daquele domingo nos falavam “do fim dos tempos”. Isso poderia “levar-nos a pensar que no fim de tudo existirá o nada” o que, frisou, “seria muito triste”.

“Estarmos nós aqui a trabalhar para nada, estará a humanidade inteira a fazer progressos e a procurar chegar a outros patamares, patamares mais altos da humanidade para nada”, explicou o prelado para logo acrescentar que “as leituras de hoje dizem-nos que isso não é assim”.

Por isso mesmo, acrescentou, “precisamos de olhar, com olhos de ver, para toda a realidade e perceber que ela é criação de Deus”, que é “fruto do amor de Deus”. O mal é quando nós não conseguimos ver isso, essa presença e esse amor e entender que “a nossa vida na terra vem de Deus e vai para Deus”. 

Esta realidade dá-nos a certeza de que “a morte não vence, que o nada não vence, que o ódio não vence, que o mal não vence, não terão a última palavra porque essa é Deus quem a tem”. Mais, “dá-nos a coragem e faz ter vontade de viver porque tudo aquilo que nós fazemos, que nós construímos, que nós somos se dirige para Deus”.

De resto, explicou aos crismandos e à restante assembleia, “o cristianismo é Jesus Cristo, é Deus connosco, Deus que se faz homem, que muito antes de ser um conjunto de valores, de doutrinas e de ideias, o cristianismo é Jesus Cristo”. Isto significa que, “no meio do tempo Deus vem ter connosco para viver connosco a nossa vida, significa que Ele está no princípio e no fim, mas que Ele está aqui, hoje, na nossa vida, a acompanhar-nos, a acompanhar aquilo que é o nosso desenvolvimento, a acompanhar aquilo que é o progresso, a nossa vida e a nossa maneira de ser”.

Assim sendo, voltou a referir, a questão não é se Deus existe, “mas o que é que Ele tem a ver com a tua vida”. O que Ele quer é viver a tua vida, quer “partilhar e estar contigo na tua vida de família, de trabalho, de divertimento, Deus quer partilhar tudo isso”. E “que bom que é mesmo nos momentos de sofrimento, mesmo nos momentos de tristeza ter este Deus, perceber este Deus ao meu lado, que me dá forças”.

“Que pena que é ver tanta gente que não percebe isto”, frisou D. Nuno para logo acrescentar “que pena que é haver tanta gente que vive sem saber porquê, que vive só por viver sem saber que Deus está ao seu lado”. 

Dirigindo-se aos que iam ser crismados, D. Nuno disse-lhes que “esta é a vossa missão a partir de hoje: mostrar Deus que partilha a nossa vida, este Deus que faz a diferença na nossa vida, na tua vida, mostrar Deus ao vosso lado a viver a vossa vida. Que o mesmo é dizer mostrar a todos os que estão ao vosso lado que a vida pode e deve ser diferente, não por causa de uma ideia, de uma lei, mas porque ao nosso lado está Deus”. 

“Vamos pedir ao Senhor que nos Dê forças para isto, que nos dê forças para lhe abrirmos o nosso coração, que nos dê a generosidade e a disponibilidade para O deixar viver e partilhar a nossa vida”, concluiu.

Antes da bênção final o Pe. Catanho agradeceu a “presença do senhor Bispo no meio de nós, para ministrar o sacramento da confirmação a estes 13 jovens”, desejando que “esta graça derramada sobre eles hoje os incentive a ser pedras vivas desta igreja que se reúne aqui em nome do Senhor”. 

Desejou também que “aquilo que alguns deles já fazem na comunidade tenha continuidade” e que outros lhes sigam o exemplo, animando a liturgia ao domingo, mas também dando a conhecer Jesus aos mais novos. Agradeceu também a todos os que prepararam os jovens e a própria igreja para receber o bispo diocesano.

Já o D. Nuno Brás terminou lembrando aos Jovens que em 2023 Lisboa recebe as Jornadas Mundiais da Juventude e que conta, se não com todos os jovens, pelo menos com alguns deles para integrarem os dois mil com que a Diocese do Funchal espera marcar presença neste grande evento.