D. José Tolentino Mendonça aos jovens: “Sonhem alto”, sejam uma geração “protagonista e criadora”

Ativista Miguel Duarte e médica Alexandra Fernandes deixaram pedidos para «sonhos altos», mostrando compromisso com os mais pobres e vulneráveis

D.R.

“Vivemos momento histórico fundamental e é importante consolidar discursos de confiança no amor e na civilização que podemos construir, mas temos de ser habitados pelos sonhos. Tenham visões, desejos grandes, queiram uma vida maior, não se satisfaçam com pouco, façam da vossa sede o vosso património”, exortou através de uma mensagem vídeo, emitida na Aula Magna.

O cardeal português deu conta do infinito que deve ocupar os sonhos dos jovens de 20 anos.

“Transformemos os braços em asas, habitemos o nosso coração com sonhos. Aos 20 anos temos de querer a lua. Tenham sonhos maiores do que nós, do que o tempo, que as nossas possibilidades. Se atirarmos o nosso olhar para diante, o nosso corpo há-de chegar lá”, sublinhou.

D. José Tolentino Mendonça pediu que o amor se torne uma realidade e o fundamento do presente.

“Vivemos uma época da histórica confusa e atribulada. A pandemia mostra-nos isso de forma sofrida, mas no fundo de nós, a frase que podemos ouvir é: Quero que tu sejas”, explicou.

Na mensagem vídeo que deixou aos participantes, D. José Tolentino Mendonça afirmou o milagre que cada pessoa representa: “O que somos é a nossa liberdade que o desenha; Não há fotocópias. Cada um de nós é um momento original, um milagre, um momento extraordinário da criação”.

O painel «Está nas tuas mãos ir mais além» juntou ainda o testemunho da médica de família Alexandra Fernandes que fundou uma organização «Fundação Ruben Fernandes», para ajudar as pessoas mais pobres mas empreendedoras no Zimbabué, Quénia e Moçambique.

“Colocamos dinheiro nas mãos das pessoas – pequenas quantias, mil ou dois euros, e é incrível o que as pessoas podem fazer se acreditarmos nelas”, contou.

Depois de uma carreira na medicina geral e familiar e de ter ajudado a fundar a Unidade de Saúde Familiar em Fernão Ferro, no Seixal, decidiu despedir-se.

“Aos 56 anos saí do local onde estou e montei uma unidade, com qualidade, destinada a pessoas que não têm médicos de família, para dar dignidade e justiça a pessoas que não fizeram mal a ninguém”, deu conta.

No final, a médica Alexandra Fernandes deixou dicas para sonhadores: “Sonhar alto, sonhar grande, sonhar que o trabalho tenha impacto, sonhar com o que vem de dentro, começar já a sonhar e sonhar sempre, sonhar juntos, saber encaixar as frustrações, adaptar o sonho, desfrutar do caminho”.

A terminar o painel, numa mensagem vídeo, Miguel Duarte perguntou aos participantes: “Se te cruzasses com uma pessoa que se está a afogar o que farias? Parece óbvio, e é o que a lei internacional diz – que devemos salvar – no entanto a resposta não parece óbvia para todos e é por isso que somos alvo de processos infindáveis que resultam em perda de mais vidas no Mediterrâneo”.

O voluntário português, que participou em quatro missões de resgate de refugiados no Mar Mediterrâneo e, em 2019, enfrentou a lei italiana por auxílio à imigração ilegal, foi ilibado e rumou novamente ao “alto mar” em operações de resgate de refugiados.

Miguel Duarte não esquece as 20 mil vidas que a sua equipa perdeu mas afirma a esperança que encontra nas muitas pessoas que se juntam para salvar vidas.

“A situação não é fácil, e com o passar dos anos é mais difícil, mas vejo cada vez mais pessoas a lutar por uma Europa mais justa e que preserve os direitos humanos acima de tudo”, afirmou.

O encontro «3 milhões de nós» que se realiza, este sábado, na Aula Magna em Lisboa, vai centrar as suas reflexões no papel que os jovens têm na construção de uma sociedade mais justa.

“Está nas tuas mãos ir mais além”; “Está nas tuas mãos dar”; “Está nas tuas mãos pedir” e “O que está nas nossas mãos?” foram temas desenvolvidos nesta iniciativa.

LS