Aventurar-se a pensar!

D.R.

“O principal dever ético é pensar bem”, o que significa ser imprescindível arranjar tempo para pensar”. Blaise Pascal

A nossa sociedade renunciou aberta ou subtilmente a pensar. Quem parar um pouco para pensar percebe imediatamente que foi vítima do ensurdecedor ruído geral que existe nesta “aldeia global”: o ipod, o telemóvel, a playstation e a televisão, entre muitos outros, afogaram o nosso pensamento. 

Um dos maiores obstáculos na nossa sociedade é o entretenimento e a diversão, tudo serve para distrair e divertir, até a maioria dos programas televisivos deixaram de ter uma função formativa ou informativa e dedicaram-se só à distracção. 

Procurar refúgio nestas ofertas de “matar o tempo” é uma forma voluntária de escravidão da atenção e o resultado é uma pobreza, um vazio alienante com consecutiva solidão, uma incapacidade de pensar ou exercer atitudes críticas e valorativas sobre o mundo e toda a realidade circundante. 

Quando o homem deixa de pensar torna-se superficial, banal, igual aos outros e desprovido de ideias próprias. Os que se limitam a repetir o que ouvem renunciam a viver a sua vida em primeira mão, resignam-se a viver uma vida já usada, acomodando-se a um estar em segunda mão, não pensam mas papagueiam o que os outros repetem, sem se darem ao trabalho de parar para tentar perceber o ruído que circula à sua volta.

Mas pensar também dá trabalho e sobretudo, desinstala, porque constatamos a existência de muitas coisas que não estão bem, necessitam imperiosamente de mudança e isso implica que tenhamos de nos envolver e de nos comprometer indo contracorrente.

Pensar, significa empenhar-se em dotar de sentido a nossa vida, em articular teoria e prática, ser capaz de expressar a síntese conseguida, exigindo o esforço do empenho e a força necessária à concretização dos nossos ideais e objectivos, que concluímos serem indispensáveis à sociedade.

Porém, deixar de pensar é dar espaço a correntes perigosas, a estilos de vida preocupantes, ao desleixo moral e social, na certeza de que também somos responsáveis pelo que não fizemos, não agimos e deixámos acontecer, sabendo que estava errado permitindo mecanismos perversos de processos manipuladores.

Todos os nossos pensamentos e acções têm uma dimensão universal, um impacto na sociedade com potencial reflexo na felicidade alheia, pelo que não podem ser um projecto à distância mas um fazer, hoje, aqui e agora. A Cidadania constrói-se na relação que o homem tem consigo mesmo e com os outros que o circundam, pelo que todo o cidadão se deve empenhar na consecução do bem comum. 

“Os homens são livres enquanto agem, nem antes, nem depois, pois ser livre e agir são a mesma coisa”. Hannah Arendt.

O que torna um homem, verdadeiramente Homem, na acepção do termo, é a sua inerente faculdade de pensar.