Deus precisa de nós como de Maria para realizar ações que transformem o mundo 

No Santuário do Cabo Girão, D. Nuno Brás pediu aos cristãos que se aproximem mais de Nossa Senhora, para que o mundo acredite que não estamos sozinhos, mas que Deus verdadeiramente a todos ama.

Foto: Duarte Gomes

D. Nuno Brás presidiu esta quarta-feira, dia 13 de Outubro, às cerimónias com as quais se assinalaram aquela que foi a última das aparições de Nossa Senhora de Fátima. 

No Santuário do Cabo Girão, na paróquia da Quinta Grande, a recitação do Terço marcou o início das celebrações, que reuniram um considerável número de peregrinos, a quem o bispo do Funchal pediu que rezassem as Avé-Marias finais pela família, pelos batizados, “que não vivem a vida da fé”, pelos sacerdotes para que “sejam bons pastores, unidos a Jesus, unidos uns aos outros, para que cuidem do povo de Deus, como Deus quer que eles cuidem”. 

O prelado colocou também sobre o altar “as necessidades dos nossos familiares e amigos e daqueles que não conhecemos, nomeadamente da ilha de La Palma, que sofrem a catástrofe do vulcão que destrói casas, igreja, plantações, queremos estar com eles unidos em oração, apresentando à Mãe do céu as suas necessidades”. 

Já na homilia, depois de frisar que “Jesus não é uma ideia, um sonho, uma energia ou um fantasma, mas um homem verdadeiramente homem”, D. Nuno Brás explicou que foi da Virgem Maria que Jesus recebeu a natureza humana, para que “o Verbo de Deus se pudesse fazer verdadeiramente carne, que pudesse ser visto, que pudesse ser escutado, ser encontrado”.

Na segunda leitura escutávamos esta presença de Nossa Senhora no seio da Igreja, da primeira Igreja, entre um “pequeno grupo”. Hoje, como naquele tempo “Jesus Cristo precisa hoje de carne de ser visto escutado, tocado”.  

E isso só acontecerá, frisou D. Nuno, “se como aconteceu com a Virgem Maria e com aqueles discípulos, também nós acolhendo o Espírito Santo, acolhendo a palavra de Deus, sejamos capazes de ser a palavra que Deus quer dizer a todos, capazes de realizar as ações que Jesus precisa para que o mundo se transforme, sermos capazes de ser aqueles que tornam presente Jesus Cristo ressuscitado no meio do mundo, como Nossa Senhora”. 

“Deus precisa hoje de nós”, constatou o prelado, para logo acrescentar que “precisa de ti que aqui estás para que, te deixando converter pelo Espírito Santo, a palavra se possa fazer carne, porque Deus quer continuar a partilhar os sofrimentos e as alegrias de todos os seres humanos”, mesmo sendo nós pecadores. 

“A Igreja são os cristãos que se deixam transformar que dão carne ao Verbo de Deus”, disse ainda D. Nuno, lembrando que, “por nós próprios, nunca poderíamos ser Igreja”, porque “precisamos de Jesus Cristo e do Espírito Santo que nos transforma, que nos faça um, que nos faça corpo de Cristo”.

O prelado terminou pedindo à assembleia que olhasse para a Virgem Maria e que “olhando para ela percebamos esta discípula de Jesus perfeitamente transformada” e “percebamos aquilo que somos convidados a ser, que somos chamados a ser pelo próprio Deus” e “deixemos que também em nós a palavra se faça carne, se faça vida e que em nós Deus encontre aqueles que pode enviar, aqueles missionários que pode enviar, estes homens e mulheres da Madeira, tantos com dificuldade em acreditar, tantos com dificuldade em ser cristãos e viver como cristãos”.  

Peçamos-lhe “esta graça de nos aproximarmos mais de Nossa Senhora, de nos parecermos mais com Ela, para que o mundo acredite que não estamos sozinhos, mas que Deus verdadeiramente a todos ama”.  

Terminada a Eucaristia, realizou-se uma procissão à volta do adro que terminou com um momento sempre comovente, já dentro do Santuário, que é o momento do adeus.

Comovente foi também presenciar o esforço de alguns peregrinos, uma senhora e dois senhores que subiram de joelhos a escadaria de acesso ao santuário. Só Deus e a Virgem saberá o que está por detrás de uma promessa destas, mas o seu cumprimento é o garante de que a graça pedida foi alcançada.

Antes da Bênção final, o Pe. Adelino Macedo fez questão de agradecer ao bispo do Funchal pela sua presença, mas também a todos aqueles que vieram manifestar “a vossa fé e a vossa gratidão, mas também a confiança que tendes em apresentar as vossas súplicas a Deus”, através de Maria sua Mãe.

Agradeceu também a todos quantos, de alguma forma colaboraram para esta celebração em particular, mas também aos que ao longo do ano prestam essa colaboração.