Santa Teresinha do Menino Jesus: “Débil passarinho”

Santa Teresinha do Menino Jesus aos 15 anos

“Eu considero-me um débil passarinho, coberto apenas por uma leve penugem”, escreveu Santa Teresinha do Menino Jesus (História de uma alma, edições Carmelo, 2005).

Apesar de pequenino, este passarinho tem “os olhos e o coração” de águia, porque dirige o seu olhar para o Sol Divino e sente no coração as aspirações da águia.

O passarinho gostaria de imitar as águias que levantam voo em direção ao Sol, mas na sua pequenez “tudo quanto pode fazer é agitar as suas pequenas asas”. No entanto, isso não o aflige nem o perturba, pelo contrário, “com um audacioso abandono” permanece sob os raios do Sol e não sai do seu lugar, nem se deixa assustar, mesmo diante do vento e da chuva. “E se as nuvens sombrias chegam a esconder o Astro do Amor”, o passarinho não muda de lugar, pois sabe que para além das nuvens o seu Sol brilha sempre”.

Muitas coisas fazem distrair o passarinho da sua missão. “Não podendo pairar como as águias, o pobre passarinho entretém-se com as bagatelas da terra”: apanha um e outro grãozinho, corre atrás de algum inseto, ao ver um pouco de água molha as suas pequeninas penas ou fica entretido com alguma flor que lhe agrada.

Depois, em vez de se esconder para chorar as suas infidelidades, “o passarinho volta-se para o seu bem-amado Sol, expõe as asitas molhadas aos seus raios benfazejos, geme como a andorinha e, no seu doce cantar, confia”.

Santa Teresinha do Menino Jesus, que a Igreja recorda no primeiro dia do mês de outubro, para além de carmelita, sentia o desejo de outras vocações: vocação de sacerdote, apóstolo, mártir e missionário para “anunciar o evangelho nas cinco partes do mundo, e até nas ilhas mais longínquas”. Depois, encontrou o seu lugar na Igreja. “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor”, escreveu esta religiosa, que foi declarada Padroeira das Missões pelo Papa Pio XI, e Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II, em 1997.

Santa Teresinha do Menino Jesus considerava-se demasiado pequena para imitar a vida dos santos, a quem chamava de águias, e suas obras heróicas. “Há entre eles e eu a mesma diferença que existe entre uma montanha, cujo cume se perde nos céus, e o obscuro grão de areia pisado pelos pés dos caminhantes”. Assim, começa a percorrer o pequeno caminho da infância espiritual que é o caminho da confiança e do abandono. “Permanecer criancinha diante de Deus é reconhecer o seu nada, esperar tudo do bom Deus, como uma criancinha espera tudo do seu pai”, escreveu.

Aos 24 anos, dois meses antes da sua morte, partilhou: “Quero passar o meu céu fazendo o bem sobre a terra” e ainda, “sinto que a minha missão vai começar”.