“A catequese é tantas vezes o único contacto das crianças com Deus”

Pe. Héctor apresenta o novo “Diretório para a catequese” e o projeto formativo “Ser catequista”

A catequese da infância e da adolescência na Diocese do Funchal envolveu em 2020-2021, 8 mil crianças e adolescentes e 290 catequistas.

No próximo dia 5 de outubro, o Secretariado Diocesano da Educação Cristã (SDEC) vai realizar o Dia do Catequista na paróquia do Caniçal.

O Jornal da Madeira entrevistou o coordenador do SDEC e diretor do Departamento da Catequese da Infância e da Adolescência da Diocese do Funchal, Pe. António Héctor Figueira, que nos falou dos desafios da catequese na atualidade, da formação dos catequistas e do novo “Diretório de Catequese”, apresentado no Vaticano, em junho de 2020.

Estamos a iniciar mais um novo ano catequético, num contexto particular de pandemia. Como vê a situação da catequese?

Padre Héctor – A catequese continua a ser uma via fundamental para se tornar cristão e penso que mesmo em contexto de pandemia isso se revelou, porque se é verdade que a catequese não pôde acontecer presencialmente, mais nuns lugares do que noutros, a verdade é que demonstrou grande capacidade de adaptação. De resto, nós notamos como a catequese está presente mesmo nos momentos mais difíceis. A catequese marca o ritmo da pastoral paroquial. A catequese, neste tempo de pandemia, obviamente sofreu com as dificuldades que se levantaram mas nota-se também que foi das primeiras atividades, a par da liturgia, a recomeçar e a procurar novas formas de se desenvolver, mesmo com as restrições sanitárias. A catequese acaba por demonstrar essa capacidade regeneradora da igreja porque procura gerar cristãos para a fé, ou fazer com que a fé já existente se desenvolva, e também porque tem a capacidade de assumir novas formas. De resto, se pensarmos bem o que é que mais tem evoluído na igreja? A liturgia, de vez em quando tem uns novos rituais, e não se espera que eles mudem em cada década. A catequese, pelo contrário, está sempre em mudança, porque aparece um novo método, um novo subsídio, porque a linguagem deixa de ser tão livresca para ser mais digital. É uma tarefa contínua que nunca acaba. Foi isso que o meu antecessor no Secretariado de Educação Cristã, o Sr. Cónego Tomé Velosa, disse a respeito, por exemplo, de uma das incumbências do Departamento de Catequese: “A formação dos catequistas é uma tarefa interminável”, porque são novos os catequistas, porque são novos materiais, porque são novas as gentes que se apresentam à catequese, os catequizandos. 

Ao falar na renovação, vemos como a Igreja se preocupa em atualizar as orientações sobre a catequese, como é o caso do novo “Diretório para a catequese”, publicado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização em março de 2020. 

Padre Héctor – Um “Diretório para a catequese” é um instrumento sinodal. Sempre foi; não é por estar na moda neste tempo de preparação para o Sínodo que abordará precisamente a sinodalidade. Mas é curioso: como o instrumento para o fazer-se da catequese, ele surge de 20 em 20 anos, com uma nova roupagem e com perspetivas bastante diferentes, porque acompanha, de facto, a evolução dos catequizandos e dos catequistas do mundo. Dizer que a doutrina é a mesma é uma meia verdade porque nós sabemos que em qualquer discurso sobre a fé há escolhas. Mesmo sem apoucar umas realidades da fé a favor de outras, há sempre escolhas. Por isso, um catecismo, desde os catecismos maiores, como o Catecismo da Igreja Católica até os catecismos menores, isto é aqueles que temos na mão das crianças, dos adolescentes, dos jovens, dos adultos, é sempre uma escolha. Há uns anos, era Papa Bento XVI, o responsável europeu da catequese esteve entre nós no Quinquagésimo Encontro Nacional de Catequese e perguntei-lhe porque é que o Papa Bento XVI tinha acrescentado à expressão, “nova evangelização” uma “renovada evangelização”; ao que ele respondeu exatamente: “Porque, além de evangelizar acerca das mesmas coisas de forma diferente, é preciso fazer escolhas”. Mesmo do ponto de vista doutrinal! Porque há coisas que hoje, talvez, já se vivam sem ser preciso grande esforço evangelizador e outras que aconselham a esse esforço evangelizador! Há sensibilidades diferentes e, por isso, este “Diretório para a catequese” vem suceder ao “Diretório catequístico geral” e, depois, ao “Diretório geral da catequese”. Procura incluir aquilo que se foi elaborando em campo da reflexão teológico-pastoral ao longo destes anos. É grato ver aquilo que os professores, aqui há uns anos, apontavam como “Teologia de ponta”, hoje apareçam como princípios sedimentados de um documento do Magistério, como este “Diretório para a catequese”. 

Porque considera que este é um diretório sinodal?

Padre Héctor – Ele é sinodal porque não se faz “a partir do ar condicionado”, como agora se diz, de uma decisão feita num escritório, mas faz-se a partir do “sentir comum dos fiéis” em toda a Igreja. É fácil de ver que a catequese na Alemanha será diferente da catequese em Angola e, por isso, é preciso que essas realidades sejam espelhadas nesta forma de apresentar o modo de fazer catequese. 

Este Diretório foi-se formando a partir da consulta feita, não talvez de maneira tão vistosa como será feita agora para este sínodo; mas através das paróquias, em diálogo com as dioceses; destas em diálogo com os secretariados nacionais e respetivas comissões episcopais; e, a partir delas, para a Igreja universal, para a “tutela” do Vaticano. Esta passou da Congregação para o Clero para o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, porque se entende que os méritos ou deméritos da catequese não dependem apenas dela mas do conjunto da evangelização. 

“Procurou-se, neste novo tempo da catequese que o ‘Diretório para a Catequese’ marca, traçar um caminho novo, em que é sobretudo a renovação dos métodos e da pedagogia que estão sobre a mesa”.

Que novidades o diretório traz em relação à catequese? 

Padre Héctor – Procurou-se, neste novo tempo da catequese que o “Diretório para a catequese” marca, traçar um caminho novo, em que é sobretudo a renovação dos métodos e da pedagogia que estão sobre a mesa. Teve-se em conta aquilo que marca o mundo contemporâneo, desde os países ditos desenvolvidos aos que estão em vias de desenvolvimento: a cultura digital. O grande efeito global desta não significa apenas que as ideias antigas agora são transmitidas por meios digitais, a uma velocidade maior; mas que é operada uma mudança antropológica por esta forma de usarmos os meios digitais. 

Obviamente, no mundo digital as diversas expressões eclesiais se manifestam de maneira mais visível. Hoje sabemos o que acontece numa Igreja do hemisfério sul, o que antes era mais difícil, ao menos no chamado “tempo real”. E esta cultura digital não é vista pelo diretório como algo de negativo mas como um facto positivo, que pode levar a novas oportunidades de transmissão da fé. Isto acontece a nível geral, na antropologia, mas também em contexto formativo.

O responsável pela Promoção da Nova Evangelização, o Arcebispo Rino Fisichella diz que, na época digital, sem exagero, 20 anos são como que mais de meio século na época anterior. Portanto, não se está a renovar os diretórios para vender papel, mas para procurar acompanhar o nosso mundo. 

Quais os conteúdos que lhe chamaram mais a atenção do novo diretório? 

Padre Héctor – Este diretório apresenta, não apenas as problemáticas, mas também as oportunidades para que o catequizando seja um interlocutor. Antes dizia-se “destinatário”, passou-se a dizer “sujeito” e agora percebeu-se que ele tem de ser um “interlocutor”, isto é, ambas as coisas. Sabendo que o catequista é o outro interlocutor, e que este diálogo acontece em três polos, o terceiro interlocutor é a Santíssima Trindade. Portanto, é um encontro de comunidades: a comunidade dos catequizandos, a dos catequistas e o próprio Deus, que para nós, cristãos, é plural. 

Este diretório é redigido por razões de ordem “cultural” (o mundo digital) e “teológica e eclesial”(expressas na a dimensão sinodal): “O que a todos diz respeito por todos deve ser decidido”, ensinava-nos São Bento, pai do monaquismo. Para que se toque em todos os aspetos da vida cristã, revisitam-se os Sínodos acerca da Eucaristia (2005), e os demais sacramentos, a Palavra de Deus (2008), a família (2015), os jovens, a fé, os discernimento vocacional (2018), a evangelização e a transmissão de fé (2012). O diretório acaba por ser um fruto maduro dessa caminhada em conjunto. 

Pedras Vivas 03 de outubro de 2021 (A4)

Pedras Vivas 03 de outubro de 2021 (A3)

Qual a ligação da catequese com a evangelização e a transmissão da fé? 

Padre Héctor – A nível da caminhada da Igreja, encontramos um paralelismo entre o que os Papas Francisco, na “Evangelii gaudium”, e João XXIII, na “Evangelii nuntiandi” nos deixaram, dizendo que a evangelização é tudo o que a Igreja faz, porque a Igreja serve para evangelizar. 

Hoje diz-se que o primado pertence à evangelização e não à catequese. Entendamos! Um catequista quando recebe um catequizando pela primeira vez, não deve pressupor a fé mas deve procurar despertá-la. Os catequizando, às vezes, chegam à sala e à igreja sem o primeiro anúncio feito, isto é, sem um apelo, não apenas à razão mas à sensibilidade, a todas as faculdades humanas, a aderir pessoalmente a Jesus Cristo. Aquilo que os pais fazem, levando as crianças ao colo e mostram uma igreja ou uma imagem de um santo ou de Jesus, esse primeiro anúncio, num mundo acelerado, às vezes ainda não foi feito; ainda não há uma iniciação à oração. Por isso, a catequese vai fazendo este primeiro anúncio, que é “primeiro” não no sentido cronológico do termo; mesmo que tivesse sido já feito, ele tem de ser feito de vez em quando para que a catequese não seja apenas cerebral, isto é, uma transmissão de doutrinas ou o ensinar a “reza”, mas que seja uma transmissão de uma vida. 

Um dos termos que o Papa Francisco tornou sempre presente na Igreja é “misericórdia”. A catequese aparece neste Diretório como um sinal de misericórdia para com aqueles que se aproximam dela. Poderíamos, tantas vezes, olhar para a catequese como um exame, para ver se os pais teriam feito bem o seu trabalho; e, quando viesse crismar, pra o senhor bispo ver se a paróquia teria feito o seu trabalho. E poderíamos, como exame, fazer perguntas doutrinais. Também é preciso uma “conversão pastoral”, não apenas da catequese, mas de toda a Igreja, para substituirmos as perguntas do “exame”; em vez de perguntarmos “o que é que aprendeste hoje na catequese?”, passarmos a perguntar “o que é que viveste, não só no momento da catequese, mas nesta tua semana?”. Quando a pergunta for esta, estamos de facto a entender o que é a catequese. 

Às vezes fala-se da escolarização da catequese, lamentando que, nos tempos fortes do Natal e da Páscoa, as crianças e adolescentes desaparecem. Mas o fundamental não é isso; é perceber que à catequese vem-se viver a fé e não apenas aprender alguma teoria à cerca da fé. 

Isto lança-nos, depois, para um novo termo que é “mistagogia”. Um termo muito antigo, mas que hoje aparece com muita atualidade.

“Às vezes fala-se da escolarização da catequese, lamentando que, nos tempos fortes do Natal e da Páscoa, as crianças e adolescentes desaparecem. Mas o fundamental não é isso; é perceber que à catequese vem-se viver a fé e não apenas aprender alguma teoria à cerca da fé”.

Pode explicar melhor o sentido da mistagogia? 

Padre Héctor – Faz referência à vivência dos mistérios da fé, com os sacramentos à cabeça, e o seu desenvolvimento na catequese e na vida. Se conhecermos o plano de catequese atual, vemos que há muitos chamadas para a vivência do batismo, seja na vida, seja mesmo nos seus sinais: como as festas da luz que aparecem várias vezes; como o celebrar o dia do próprio batismo. Apela-se sempre para esse acontecimento primeiro da vida cristã. Ora, apelar na catequese para os sacramentos já celebrados é “mistagogia”. Hoje talvez nos preocupemos mais que não haja a mistagogia do sacramento da confirmação, ou seja, que depois desta não haja catequese e, muitas vezes, pareça não existir vida cristã. Temos de nos preocupar com isto mas não dêmos soluções apressadas. Às vezes, pode parecer que mudar as peças do xadrez vai fazer com que a realidade mude. Mas é um pouco mais complexo do que isso. É preciso que os sacramentos e a catequese sejam vividos em “doses” complementares. Certamente, notamos como a celebração da fé, nomeadamente a missa dominical nas paróquias, ao longo do tempo em que há catequese, é muito diferente daquele longo verão, em que não pomos os olhos em cima das crianças e dos adolescentes. É importante para as comunidades a presença da catequese. 

Não deveria existir uma maior ligação entre a catequese e a liturgia? 

Padre Héctor – A catequese aparece como um encontro com Jesus Cristo. E um encontro só será perfeito se estivermos com Ele em “presença real”, como nós católicos chamamos à presença de Cristo na Eucaristia. Como se diz em termos culinários, a catequese é como a cozinha; e a Igreja, a sala de jantar. Ora, se preparamos a refeição e depois não a queremos tomar, alguma coisa anda mal. 

O diretório coloca em relação estas duas realidades: a liturgia e a catequese. E também apresenta, como fonte da catequese, a via da beleza. As nossas igrejas estão cheias de arte. A arte sacra não serve apenas para dar a ver aos agentes e consumidores culturais, mas para evangelizar. Certamente, alguma distração, durante a celebração de um sacramento, olhando para uma obra de arte, pode ser que seja maior atenção a Deus, porque aquela arte “aos quadradinhos”, nos nossos azulejos, etc., ajudam à vivência da fé. 

Outro aspeto que pode ficar esquecido é a caridade. Notamos como os apelos que os catecismos fazem para levar as crianças e adolescentes às instituições de caridade ou à casa de um doente são expressões marcantes. Aqueles “fins de semana” que servem de retiro ou experiência de catequese mais prolongada, marcam a caminhada dos adolescentes, sobretudo. 

Não podemos esquecer que a fé é um ato de liberdade, na medida em que se descobre que se é amado. O amor leva o seu tempo, certamente; por isso, aqueles 10 anos de catequese em que semanalmente o catequizando procura encontrar-se com o grupo, com Cristo, com a comunidade é um tempo de aderir livremente a Jesus Cristo. Quando insistimos apenas nos conteúdos, esquecendo a pedagogia, o ato livre de assentimento à fé, podemos ter uma escola muito boa de fé, de coisas acerca da fé, mas faltar esse momento de aderir a Jesus Cristo. 

Como tem corrido a experiência sobre a formação dos catequistas?

Padre Héctor – A formação dos catequistas, que é uma incumbência dos secretariados diocesanos, visa a formação integral do catequista. O método preferencialmente usado na formação é o mesmo que se usa na catequese em Portugal. No chamado “método antropológico”, não partimos do dado da fé, como um texto bíblico, para depois o “aplicar” à realidade. Costuma-se dizer em Teologia Pastoral que “aplicar” é só tinta à parede e, mesmo assim, é preciso uma escolha criteriosa. Portanto, trata-se de um diálogo entre a vida e a fé. No caso da catequese em Portugal, começa-se normalmente pela experiência humana, isto é, pela vida, a fim de, em diálogo com a palavra de Deus se chegar a uma expressão pessoal da fé. 

Os percursos de formação dos catequistas não procuram apenas dizer que “isto é bom”, mas procuram experimentar “como isto é bom”. 

Propõe-se, então, uma primeira fase de sensibilização, em que as paróquias procuram chamar em nome de Cristo os catequistas, integrá-los; não lhes dar, em primeiro lugar, uma teoria, mas integrá-los como o próprio Jesus Cristo fez: “Vinde e vede”. Depois é que começou a pregar aos discípulos. 

Num segundo momento, apresenta-se o que é a catequese, quem é o catequista, quem são os catequizandos, como se faz catequese e a presença da catequese na Igreja diocesana.

O novo método que está a surgir, como desenvolvimento do antigo Curso de Iniciação, chama-se “Ser catequista”. Aqui todos os temas funcionam já de uma forma ativa, como uma “catequese de adultos”: não tenhamos medo do nome; todos precisamos de ser catequizados! Os temas são outros. Parte-se do encontro com Jesus Cristo, que nos revela o Pai, que nos oferece a Sua ressurreição, que nos envia o Seu espírito, que nos faz comunidade. Depois, na linha da mistagogia, procura-se exprimir aquilo que se viveu nos encontros anteriores, ou seja, fazer vida a partir dos mistérios celebrados. Também se apresentam os temas já comuns da Pedagogia: uma pedagogia a partir da forma de Jesus catequizar. Entende-se a catequese no conjunto da ação do povo de Deus; presta-se atenção aos seus interlocutores, às suas características psicológicas evolutivas, ao longo das idades dos catequizandos que se apresentam à catequese. Introduz-se à forma de orientar cada encontro, aquilo que se chama o “ato catequético”. No final deste percurso, faz-se uma avaliação ou verificação daquilo que fizemos. Este método pastoral consiste em analisarmos a realidade, a pormos em diálogo com a Palavra de Deus, a traduzirmos em atos e, finalmente, verificarmos se vivemos aquilo que Cristo nos propõe. É um método que sublinha a sinodalidade, de que são principal exemplo os sínodos: constante avaliação da realidade e verificação do caminhar da Igreja. 

“é preciso uma ´conversão pastoral´, não apenas da catequese, mas de toda a Igreja, para substituirmos as perguntas do ´exame´; em vez de perguntarmos ´o que é que aprendeste hoje na catequese?´, passarmos a perguntar ´o que é que viveste´”. 

Esta nova proposta de formação para catequistas pode ser feita para os catequistas que já fizeram o curso de iniciação catequética?

Padre Héctor – Este novo curso não entra bem dentro do escalonamento formativo anterior. Porque se ele é uma catequese, supõe-se que seja necessário como vivência e aprofundamento da fé. O condão dele é precisamente esse: não é um conjunto de matérias dadas ou por dar, mas é a vivência da fé que será necessária em qualquer momento da vida. Não tem uma interdependência com o facto de ter feito outro curso ou não. É um percurso muito diferente, que descobre novos contributos na vivência da catequese, num mundo diferente, com catequizandos diferentes. É aconselhável a todos. 

O Secretariado Nacional de Educação Cristã fez formação via digital a 9 catequistas da diocese do Funchal, para depois serem eles próprios a fazer este percurso de catequese com o seus irmãos catequistas, em diversas zonas da diocese; já temos equipas a trabalhar na sua implementação. 

Sobre a organização dos cursos, é preferível as Paróquias terem a iniciativa de os pedirem, porque, quando é uma coisa proposta a nível diocesano, às vezes não encontra tanta adesão. Há já uma paróquia já interessada. 

E o outro percurso vai continuar a acontecer? 

Padre Héctor – Como se trata de coisas diferentes, o Curso de Iniciação poderá acontecer, exatamente como um curso incisivo sobre o modo de a catequese funcionar. Depois de acontecer o Curso de Iniciação, no início do ano pastoral, então partimos, com esse grupo e outros que ainda não o tenham feito, para o Curso Geral: um ano, com temas doutrinas — Bíblia e Teologia —, Psicologia e Metodologia Catequética, e também aspetos da Celebração cristã. 

Para si, quais os maiores desafios da atualidade para a catequese? 

Padre Héctor – “O caminho” da catequese “faz-se caminhando”, como dizia o poeta espanhol, mas é preciso, de facto, termos a capacidade de analisar a realidade. Temos a tendência para sermos esmagados pela realidade, isto é, temos uma criança à mesa que não quer comer. Solução? Deixamo-la à fome?! Eu temo que, às vezes, a solução para catequese seja isto. As crianças e adolescentes dizem: “Não quero!” Se o adulto não está para se chatear, deixa a criança sair da mesa à fome; depois vai comer coisas más para a sua saúde. Se nos assumimos como educadores, sabemos que é preciso interpretar aquele “não quero, não gosto, não me apetece”, sendo capazes de dar aquilo que é necessário.  

“Se soubéssemos o dom de Deus”que, de facto, trazemos em nossas mãos, na catequese, certamente teríamos muito mais vontade de o transmitir. 

Num tempo que corre depressa, talvez nos perguntemos apenas pelos resultados imediatos. É preciso resistir a isso, fazer uma análise mais profunda, porque a catequese, é tantas vezes, o único contacto das crianças e adolescentes com Deus. Temos de valorizar o desejo que há de catequese e daquilo que ali se transmite prestando uma fundamental ajuda aos pais e outros educadores na educação da fé. Não substituição mas ajuda!