Prazeres tem novo pároco e Quinta Pedagógica terá o nome do fundador

O Pe. Roberto, que tomou posse domingo, diz que dar o nome do Pe. Rui Sousa à quinta é “uma justa homenagem” a um homem com “capacidade e leitura visionária da realidade”.

Foto: Duarte Gomes

A paróquia dos Prazeres tem desde a tarde de domingo, dia 5 de setembro, um novo pároco. Por nomeação de D. Nuno Brás, o Pe. Roberto Sé Aguiar assumiu os destinos desta paróquia substituindo na função o Pe. Rui Sousa, que ali exerceu durante 23 anos.

Na intervenção que teve oportunidade de fazer no final da Eucaristia da sua tomada de posse, presidida pelo Vigário Geral e concelebrada por outros sacerdotes, o Pe. Roberto teceu rasgados elogios ao seu antecessor “pelo trabalho e dedicação pastoral a esta paróquia”. 

Foram, disse, 23 anos de “dedicação a uma comunidade, que permitiu colocar esta freguesia dos Prazeres no mapa do mundo”. Aliás, “se hoje a freguesia dos Prazeres é conhecida na Região e além-fronteiras, deve-se ao seu primoroso trabalho”.

“Uma obra incontornável” foi como se referiu depois à Quinta Pedagógica dos Prazeres, que resultou da “capacidade visionária da realidade concreta desta freguesia”, frisando que o “Pe. Rui Sousa concretizou com 20 anos de antecedência a doutrina que o Papa Francisco agora reclama, especialmente na sua Encíclica Laudato Si”.

Depois de sublinhar que só não vê a importância deste espaço e o “quanto isto beneficia toda a economia local da freguesia dos Prazeres” quem “anda cego ou anda a dormir”, O Pe. Roberto anunciou que a quinta passará a chamar-se “Quinta Pedagógica do Prazeres – Padre Rui Sousa”.

Deste modo, prosseguiu, “todos os que vierem por bem a este lugar saberão da pessoa que primou pela diferença nesta Freguesia dos Prazeres nos primeiros alvores do Sec. XXI”.

O sacerdote, que passa a ter quatro paróquias a seu cargo e que se diz ciente de que “esta tarefa não vai ser nada fácil”, disse depois “contar com a colaboração de todas as pessoas que valorizam este projeto, particularmente, o povo dos Prazeres e sendo uma obra que acarreta muitas responsabilidades e encargos de vária ordem, também com as entidades governativas, particularmente as que estão ligadas ao mundo agrário e as da autarquia do nosso concelho da Calheta”.

Na Igreja, lembrou, “todos somos chamados a construir e a servir o projeto de Deus” e por isso, “todos juntos somos chamados a colaborar e participar neste projeto como cristãos e em comunidade, porque para atrapalhar, dizer mal e, como se diz na gíria popular, “bota abaixo, há sempre gente de sobra”.

A concluir sua intervenção, o novo pároco convidou a assembleia a colocar-se de pé e a pedir em oração “a intercessão da nossa padroeira, Nossa Senhora das Neves para iluminar os nossos corações e proteger a nossa missão, que hoje começa nesta comunidade paroquial dos Prazeres”.

Cónego Fiel agradece 

Agradecimentos e elogios começou também por fazer o Cónego Fiel de Sousa na sua homilia. Primeiro ao Pe. Rui, “pelo seu trabalho e dedicação, pelo seu amor a esta paróquia dos Prazeres” e por “todo o seu envolvimento para que esta paróquia crescesse espiritualmente, porque a nossa missão é, em primeiro lugar, fazer crescer as pessoas na santidade, na espiritualidade e no amor a Deus”. 

Depois, porque a Igreja está “inserida numa sociedade”, o cónego Fiel agradeceu o contributo dado para “o desenvolvimento dessa mesma sociedade”, numa clara referência à obra deixada pelo Pe. Rui Sousa em prol da população da freguesia, trabalho esse realizado em colaboração com as entidades locais, sempre no respeito pelas autonomias de cada uma delas. 

Após classificar a Quinta Pedagógica dos Prazeres como “um marco” e “uma referência para esta zona, para Madeira e também além-fronteiras”, o vigário geral disse que o projeto continuará, assim como o Pe. Rui continuará “a ser pároco no coração” de cada um daqueles com quem se cruzou.

Depois de explicar que foram questões de saúde que impediram o Pe. Rui de estar presente, o Cónego Fiel aproveitou para lembrar que “a nossa atividade é importante, mas também o nosso sofrimento e o nosso amor são importantes para fazer crescer” e que “há muita gente a oferecer o seu sofrimento pelo bem dos outros”.

O vigário geral agradeceu depois ao Pe. Roberto Aguiar pela sua disponibilidade para aceitar mais esta missão de serviço, lembrando que todos nós, cada um à sua maneira, também somos chamados a servir.

No mundo de dificuldades em que vivemos, o cónego Fiel de Sousa quis agradecer a todos quantos compreenderam essa sua missão e a puseram em prática, nomeadamente aqueles que estiveram na linha da frente do combate à pandemia. Um agradecimento extensivo “a todos nós que somos chamados, noutras circunstâncias, a estar na linha da frente”, nomeadamente os sacerdotes e no caso o Pe. Roberto, que aceitou esta missão, este trabalho acrescido”.

Apesar de ser o primeiro a reconhecer que “ele não está sozinho” e que até tem a comunidade das Irmãs da Apresentação de Maria que o vão certamente ajudar, o vigário geral pediu à comunidade para que trabalhe com o Pe. Roberto e reze pelo seu ministério. 

Numa referência à epístola de São Tiago Menor, que acabara de ser lida, o cónego Fiel lembrou ainda a todos os presentes e ao novo pároco em particular, que é importante não fazer aceção de pessoas, ou seja, “todos, mas todos estão no nosso coração, mesmo aqueles que estão mais distantes, porque todos somos filhos de Deus”. 

Importa, isso sim “fazer caminho com aqueles que mais sofrem, que estão mais distantes e não te esqueças de dar o teu melhor por aqueles que são os mais pobres, os mais excluídos, aqueles que não têm voz, que estão doentes” porque, sem excluir ninguém, “esses têm de ter um lugar especial no teu coração”. De resto, frisou “o melhor que nós temos é para dar”, acrescentou, frisando que “não se trata de excluir, mas de acrescentar”. 

O vigário geral desejou ainda que Nossa Senhora das Neves, padroeira dos Prazeres, “te ajude nesta caminhada”, a ultrapassar os impossíveis e a vencer todas as dificuldades e que “partilhes com Ela as alegrias e as maravilhas que Deus vai operando em nós”.

A terminar de referir que esta celebração, que se iniciou como tantas outras foi, no entanto, revestida de vários momentos importantes, nomeadamente, a leitura do decreto de nomeação que foi feita pelo Pe. João Carlos Homem de Gouveia, Arcipreste, a profissão de fé do novo pároco, o juramento de fidelidade ao Bispo, ao Papa e a toda a Igreja e a entrega do Evangeliário e da chave do Sacrário.