Porto Santo: Bispo crismou jovens e adultos a quem pediu que escutem Deus que vem até nós

Sem “escutar esse Deus que vem até nós e nos fala”, não somos verdadeiros cristãos, disse D. Nuno.

D.R.

D. Nuno Brás presidiu no domingo, dia 5 de setembro, a uma Eucaristia na igreja da Piedade, no decorrer da qual crismou 32 jovens e adultos das paróquias do Porto Santo (Piedade e Espírito Santo). 

Na homilia da celebração, o prelado falou sobre a diferença entre ouvir e escutar, que já tinha sido tema do encontro de preparação que mantivera com os jovens, para sublinhar que essa distinção “é essencial para sermos discípulos de Jesus”. 

Saber escutar, explicou, é fundamental para “perceber onde e quando Deus nos fala”. Sem isso, sem “escutar esse Deus que vem até nós e nos fala”, não somos verdadeiros cristãos e “andaremos muito enganados à procura de Deus onde Ele não está, à procura de Deus onde nós o inventamos”. E esse é, frisou o bispo diocesano, “o drama da humanidade: inventamos deuses, ídolos”. São gente do futebol e da política que “tratamos como se fossem deuses, quando deuses não são”. 

No livro ‘As Confissões de Santo Agostinho’, que D. Nuno Brás citou e aconselhou os crismandos a ler, é relatada esta procura por Deus, na qual também nós nos podemos ver refletidos. 

Santo Agostinho procurava Deus em muitos lugares, mas sem O escutar. Até que um dia “foi capaz de dar esse passo”. Olhando depois para a sua vida, ele foi capaz de “identificar onde é que Deus andou à procura dele e ele não foi capaz de O escutar”.  E Deus procurou-o na mãe que lhe falava Dele, nos amigos, e Santo Agostinho estava de ouvidos fechados, como um surdo, incapaz de escutar”. 

O prelado convidou depois a assembleia a fazer o exercício de olhar para a sua vida e a ver “como Deus nunca desistiu e não desiste de andar à nossa, à tua procura, à espera que tu abras os ouvidos e O escutes, quer dizer, que acolhas a Sua palavra e deixes que a Sua palavra faça vida contigo e deixes que Ele possa ser Deus connosco”.

A maravilha de ser cristão, acrescentou depois D. Nuno Brás, é precisamente esta do “Deus connosco, de um Deus que vive a nossa vida, que está ali ao nosso lado a viver, a partilhar a nossa vida”, as nossas alegrias, as nossas dificuldades, os nossos sofrimentos.

O Espírito Santo, lembrou o prelado, vem em nosso auxílio e “ajuda-nos a não ficarmos surdos, ajuda-nos a abrir os ouvidos do nosso coração para escutarmos este Deus que vem até nós”. Mas ajuda-nos também a não ficar mudos e a não ter vergonha de dizer que somos cristãos e de mostrar que o somos. 

D. Nuno terminou a sua reflexão pedindo precisamente “ao Espírito Santo que venha, de uma forma muito particular sobre aqueles que vão ser crismados e acabe com a nossa surdez, acabe com esta nossa incapacidade de falar, de mostrar este Deus connosco, que partilha a nossa vida”. 

Coube ao Pe. Hugo Gomes, pároco das paróquias da Piedade e do Espírito Santo, apresentar este grupo ao bispo, bem como agradecer a sua presença e disponibilidade para estar com a comunidade paroquial do Porto Santo.