Beatificado Frei Mamerto Esquiú, franciscano e bispo argentino

A cerimónia de beatificação foi realizada em Piedra Blanca, Argentina, cidade onde nasceu o novo beato, há 195 anos. E foi o cardeal argentino Luis Héctor Villalba, nomeado legado apostólico, quem presidiu a celebração.

Foto: Vatican Media
A Missa com a cerimónia de beatificação de Fr. Mamerto Esquiú, franciscano da Província de Catamarca, Argentina, foi celebrada às 10 horas (horário local) do sábado, 4 de setembro, na esplanada da Igreja de San José em Piedra Blanca, cidade natal de Esquiú.

Por conta da Covid não houve uma participação massiva que, como informa um comunicado, teria sido “o desejo do povo e de todos que esperaram por este grande acontecimento por mais de um século”, mas muitos puderam acompanhar a celebração pela rádio, mídias digitais e redes sociais.

Para a beatificação do frade franciscano, os postuladores apresentaram para exame da Congregação para o Causas de Santos a suposta recuperação milagrosa, atribuída à intercessão do frade, de uma menina com “osteomielite aguda com evolução crônica e artrite séptica”. A cura ocorreu em janeiro de 2016 na Argentina.

Villalba: segui-lo na sua vontade de ser Santo

A Missa foi presidida pelo legado apostólico Luis Héctor Villalba, cardeal argentino, arcebispo emérito de Tucumán, acompanhado por um grupo de bispos do país.

Mamerto Esquiú como religioso, como sacerdote, como bispo “é um modelo a ser imitado”, disse o cardeal, “é um intercessor por nós”. “A Igreja diz-nos, beatificando-o, que podemos invocá-lo e rezar a ele, porque ele já participa da felicidade eterna”.

A sua beatificação, prosseguiu, é um convite a todos para caminhar “nas pegadas abertas por Jesus Cristo”, isto é, “um convite para caminhar para a santidade”. E Frei Mamerto Esquiú queria ser um Santo e em sua vida procurou, antes de tudo, fazer a vontade de Deus, a todo custo.

Mamerto Esquiú também era um sacerdote de profunda oração, acrescentou o cardeal. “Foi um bispo missionário que se dedicou a visitar todas as comunidades da sua extensa diocese”, e foi também “um bispo pastor que se distinguiu pela sua humildade, pela pobreza e pela austeridade da sua vida”.

Esquiú “era um pastor que se doava aos pobres no estilo de São Francisco. Era incansável na assistência aos enfermos e na administração dos Sacramentos”. “O beato Mamerto Esquiú – disse ainda o legado apostólico, descrevendo a figura do novo beato – é reconhecido como uma das grandes figuras de nosso país por seu patriotismo exemplar. Ele iluminou a ordem temporal com a luz do Evangelho, defendendo e promovendo a dignidade humana, a paz e a justiça”.

Quem foi Mamerto Esquiú

O novo beato nasceu em 11 de maio de 1826 e fez a profissão religiosa como frade menor na Província franciscana da Assunção da Virgem do Rio de la Plata em 14 de julho de 1842. Em 18 de outubro de 1848 foi ordenado sacerdote e, a partir de 1850, passou a lecionar no seminário de Catamarca, exercendo também a função de pai espiritual.

Estimado pela sua piedade e integridade moral, entre 1855 e 1862 exerceu os cargos de deputado e membro do Conselho Deliberativo de Catamarca. Em 1862 mudou-se para a Bolívia como missionário e, em 1864, foi nomeado professor do seminário de Sucre. O Papa Leão XIII o nomeou bispo de Córdoba na Argentina. Recebeu a ordenação episcopal em 12 de dezembro de 1880. Na sua diocese distinguiu-se pela intensa vida de oração, ajuda espiritual e material aos pobres, zelo e caridade pastoral, formação dos seminaristas, fundação de irmandades e associações de fiéis, pregação ao povo e cursos de exercícios espirituais. Mamerto Esquiú morreu em 10 de janeiro de 1883 em Posta del Suncho, Argentina. O decreto sobre suas virtudes heroicas foi promulgado em 16 de dezembro de 2006.

Uma vida espiritual intensa e proximidade com as pessoas

Entrevistado pela redação de língua espanhola do Vaticano News, frei Pablo Reartes, estudioso da vida de frei Mamerto Esquiú, destaca que o novo beato desempenhou inúmeros ofícios e tarefas eclesiásticas e civis: foi jornalista, professor, deputado da Província de Catamarca, legislador e também escreveu cinco sermões patrióticos em diversos momentos difíceis da história da República Argentina. Mas o mais importante, diz ele, foi sua vida espiritual, seguindo o exemplo de São Francisco de Assis.

A herança pastoral deste frade franciscano vive ainda hoje no seio da Igreja argentina, que o recorda como um bispo próximo ao povo por quem era muito amado e que continua a ser dedicado a ele. “Estamos felizes por termos chegado a esta fase de beatificação – conclui frei Pablo Reartes – porque a vivemos como uma graça, um dom e é um privilégio estar aqui presentes e ser testemunhas da obra de Deus no nosso querido irmão”.

Adriana Masotti – Cidade do Vaticano