O dom de Cristina

D.R.

Maria Cristina é uma jovem mãe de três filhos. Na adolescência estava inclinada para a vida consagrada junto das irmãs da Caridade, suas primeiras catequistas na paróquia onde nasceu, na província de Milão, mas esses planos são alterados quando encontra o Carlos durante umas férias na casa dos avós maternos. Depois de um tempo de discernimento sobre a vontade de Deus, Cristina acolhe a vocação matrimonial como caminho para Deus. 

Durante o noivado, aos 18 anos, é identificado um tumor maligno muito agressivo na perna esquerda. Os três ciclos de quimioterapia afastam-na por muitos meses dos estudos e do ritmo da sua vida habitual. No entanto, o amor entre os dois jovens fortaleceu-se. A 2 de fevereiro de 1991, Carlos e Cristina celebram o matrimónio. 

Com 21 anos de idade, Cristina vai viver com o esposo para uma região perto de Veneza, onde prossegue os estudos universitários à distância, na Universidade Católica de Milão. O primeiro filho, o Francisco, nasce dez meses depois do matrimónio. Um ano e meio depois é recebido com alegria o segundo filho do casal, a Lúcia. Poucos meses depois, no outono de 1993, a jovem família continua a crescer com a gravidez do terceiro filho, o Ricardo. 

Durante a gravidez do Ricardo, os jovens esposos são abalados pelo reaparecimento de um tumor, novamente na perna esquerda de Cristina. Em oração, decidiram salvaguardar a vida do menino. O oncologista respeitou a decisão do casal e adiou o tratamento de quimioterapia para não pôr em risco a vida do bebé. Ricardo nasceu saudável em julho de 1994. 

A situação de Cristina agrava-se cada vez mais e o seu corpo não consegue resistir a esta nova batalha com o cancro. Apesar do sofrimento físico, Cristina abandona-se totalmente na mãos de Deus, a quem confia a sua família. 

Cristina faleceu a 22 de outubro de 1995, aos 26 anos, deixando um testemunho de vida entregue a Deus, a quem sempre amou ao longo de toda a sua história. 

Em novembro de 2008, o bispo de Pádua, tocado pela história desta jovem esposa e mãe, abriu o processo de beatificação de Cristina. Quatro anos depois, a fase diocesana foi concluída e o processo entregue à Congregação para a Causa dos Santos em Roma. 

A 30 de agosto de 2021, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto relativo às virtudes heróicas da Venerável Serva de Deus, Maria Cristina Cella Mocellin, abrindo a porta para a sua beatificação. 

Um mês antes da sua morte, Cristina escreve uma carta ao filho Ricardo: “Opus-me com todas as minhas forças a desistir de ti, tanto que o médico entendeu tudo e não disse mais nada. Ricardo, és um dom para nós. Foi naquela noite, no carro de retorno do hospital, que tu te mexeste pela primeira vez. Parecia que me dizias ‘obrigado mãe, por me amares!’ E como poderíamos não amar-te? Tu és precioso, e quando te olho e te vejo tão lindo, alegre, gentil, penso que não há sofrimento no mundo que não valha a pena suportar por um filho”.