A Igreja, essencial à fé

D.R.

A Igreja aparece desde o início da vida pública de Jesus. O evangelho de S. Marcos é claro: Jesus chama e constitui a comunidade dos Doze antes de iniciar o anúncio do Evangelho. Desse modo, Jesus deu origem à Igreja, que haveria de apresentar-se com todos os seus elementos no dia de Pentecostes.

Isto significa que a Igreja — quer dizer: a comunidade dos discípulos a que o Espírito de Jesus ressuscitado dá origem — não é um acessório dispensável na relação de alguém com Deus. “Não tem a Deus por Pai quem não tem a Igreja por Mãe”, afirmava S. Cipriano de Cartago (Sobre a unidade da Igreja, 6), em princípios do século III. Quer dizer: é na comunidade dos crentes — que tem a sua expressão visível e concreta na união com o bispo diocesano e com o Papa — é nela que somos gerados para a vida em Cristo, para a vida como filhos de Deus.

Assim, quando digo que sou cristão, que acredito em Deus tal como Jesus O mostrou e tornou presente, isso exige que faça parte de uma comunidade: que olhe os outros cristãos como irmãos; que partilhe com eles a celebração da Eucaristia; que me sinta responsável por todos eles, sobretudo os mais pobres; que procure viver em caridade e harmonia com todos. E, ao mesmo tempo, que acolha os ensinamentos da Igreja, Mãe e Mestra, em particular aqueles que decorrem das afirmações centrais da fé cristã.

Só desse modo posso ter a garantia de não andar a viver em vão; de não inventar para mim um deus que não existe; de andar à procura de uma salvação nunca oferecida.