D. Nuno pediu a novos enfermeiros que sejam presença de Cristo junto daqueles que estão a cuidar

Foto: Duarte Gomes

Decorreu na tarde de sexta-feira, dia 23 de julho, a cerimónia de entrega de diplomas a 33 novos enfermeiros formados na Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny, grupo ao qual se juntaram ainda 14 técnicos superiores de Gerontologia.

A cerimónia foi precedida de uma Eucaristia presidida, como é habitual, pelo bispo do Funchal que, logo no início da celebração, deu conta “do bom que é saber que vamos ter mais uns quantos profissionais de saúde”, pelos quais disse ser sempre bom “dar graças a Deus”.

Em dia da Solenidade de Santa Brígida, uma mulher que “ajudou a construir a Europa com a sua espiritualidade e o seu testemunho” e de que se tornou padroeira, D. Nuno centrou depois a sua homilia numa reflexão sobre “qual é o lugar do sofrimento na nossa vida, e que isto é tão importante para quem trabalha nesta área da saúde”.

A propósito, lembrou a primeira leitura e a cruz de Jesus de que falava São Paulo, para sublinhar que “a cruz é toda a identificação que Deus faz com toda a nossa vida” e que é “o facto de Deus não querer ser simplesmente Deus, mas querer experimentar tudo aquilo que faz parte da vida humana, inclusivamente o sofrimento e a morte”.

“Quando estamos a rezar a Deus, não estamos a rezar a um Deus que ignora o que é sofrer, que ignora o que é morrer, com todo o drama que isso significa”, explicou D. Nuno Brás, para logo acrescentar que “Ele sabe muito bem o que é sofrer e o que é morrer e quis vivê-lo assim e experimentá-lo assim em primeira pessoa para nos poder dar a vida”.

A cruz é, por isso, “o esquecimento de si próprio para que outros possam viver” e é nisto, dizia-se depois no Evangelho, que consiste o amor, que “está longe de ser egoísta”, mas que nos aparece como “um olhar pelo outro, um dar a vida ao outro”. Neste sentido, disse o prelado, “podemos dizer que todo o pessoal de saúde, de uma forma muito particular o pessoal da enfermagem e os médicos, têm esta missão e trazem consigo, permanentemente a cruz de Jesus, neste esquecimento de si para dar a vida ao outro e não apenas a vida biológica, física, mas o próprio sentido da vida”.

Tudo isto é, “salvador e divino”, mas é também algo que “não se aprende nos bancos de uma escola, ou sim”, frisou ainda o bispo do Funchal, para logo sublinhar que “o grande desafio da Cluny, não é só formar a fina flor da enfermagem portuguesa, ou seja, o desafio não é só de competências técnicas e científicas, mas também e sobretudo humano, este aprender a dar a vida, aprender a viver a cruz, ajudar aqueles doentes a viver aquelo momento”.

Depois de dar graças a Deus por este curso, D. Nuno disse ter a certeza de que todos saem daqui preparadíssimos tecnicamente e também de que todos estão disponíveis para este dar a vida para além da técnica”.

Dar vida aos que vão cuidar

E foi isso mesmo que pediu depois. Que o Senhor “os ajude nessa tarefa”, tendo ainda considerado que essa forma de estar é “uma bênção para os doentes e uma bênção para vocês, esse poder encarnar todos os dias a pessoa de Jesus Cristo”.

Desejou ainda que o Senhor os ajude a “descobri-lhO naqueles doentes e a descobrir forças nele, para dar esta vida àqueles que vocês vão cuidar”, concluiu.

Antes da bênção final, o prelado quis ainda pedir aos novos enfermeiros para que coloquem todo o seu empenho a cuidar dos mais fracos, porque “isso mostra as nossas capacidades, mas também o nosso respeito pela vida humana”. Desejou ainda que Santa Brígida os ajude também nessa missão, aqui e em tantas partes do mundo onde os cuidados de saúde ainda são muito precários.

Enfermagem é missão

Depois da missa decorreu a cerimónia de entrega de diplomas propriamente dita, à qual se juntaram, nomeadamente o secretário Regional da Saúde e proteção Civil, Pedro Ramos e a diretora da São José de Cluny, Merícia Bettencourt.

Pedro Ramos começou por sublinhar que a Saúde na Madeira conta com profissionais de excelência e que “não há desemprego na área da enfermagem na Madeira”. Porém, explicou dirigindo-se aos novos enfermeiros, “se perguntarem se têm empego digo que não, se têm trabalho, digo que não, no sentido em que a enfermagem não é um trabalho, não é um emprego, mas é uma missão e é para essa missão que nós abrimos os concursos na área da Saúde, para desenvolver essa missão e dar um contributo à nossa sociedade”.

O governante disse mesmo que “se entenderem a vossa arte como uma missão são sempre rapidamente absorvidos, porque na área da Saúde, nós não temos empregos, nem temos trabalho, mas uma missão a cumprir”. Uma missão, explicou que tem vantagens, desde logo a possibilidade de formação e de evolução na carreira, tem o respeito e o reconhecimento da tutela e só assim conseguimos ter profissionais aderentes a um projeto”, que entre outros aspetos mais técnicos, valoriza diariamente a humanização dos serviços, os quais são prestados pelos 2005 enfermeiros que, em maio passado, foram contabilizados pelos serviços.

Já a diretora da São José de Cluny falou das dificuldades que a pandemia veio trazer às atividades académicas destes jovens que agora receberam os seus diplomas, que só foram possíveis de ultrapassar com o empenho e o esforço de todos, incluindo dos parceiros nomeadamente o SESARAM.

Finalmente o bispo do Funchal, disse aos recém-formados enfermeiros que eles “são uma esperança” e que isso é muito importante nos tempos que vivemos. Depois lembrou que “os cuidados de saúde são sempre um bem a preservar, porque fazem a diferença numa civilização” e terminou pedindo que estes jovens profissionais “bom senso”, em especial nestes tempos que vivemos, para ajudem a “colocar o sofrimento, a doença, a morte, a vida no seu lugar certo”.