Jovens do CL de férias na Madeira participam em Eucaristia e em encontro de partilha de testemunhos

A Missa e o encontro tiveram lugar na igreja do Colégio e contaram com a presença do bispo do Funchal

Foto: Duarte Gomes

Um grupo de 38 jovens do Movimento Comunhão e Libertação (CL), na sua maioria universitários de várias faculdades de Lisboa, estão a passar férias na Madeira. 

De entre as várias atividades programadas, no final do dia de quarta-feira, 21 de julho, o grupo participou numa Eucaristia na igreja do Colégio. 

A celebração foi presidida pelo bispo do Funchal e concelebrada por outros sacerdotes, nomeadamente pelo Pe. Ramiro Ferreira, sacerdote da Diocese de Setúbal que acompanha o CL e o grupo.

A esta celebração seguiu-se um momento de partilha de testemunhos, que contou com a presença de D. Nuno Brás que sublinhou a importância destes momentos frisando que “é sempre bom escutarmos os testemunhos uns dos outros, porque isto da vida cristã não é apenas doutrina” e porque é importante percebermos “como é que um jovem vive hoje como cristão, apaixonadamente como cristão”. 

Coube a Sofia Gouveia Pereira, advogada e responsável pelo movimento em Portugal, explicar o que é o CL. Assim, explicou que “o movimento nasce nos anos 50”, pela mão de D. Luigi Giovanni Giussani que ao se aperceber que os jovens sabiam tão pouco de fé, pede para ser dispensado de dar aulas no seminário para passar a “comunicar aos jovens a alegria de ser cristão que ele tinha encontrado primeiro com os pais e depois no seminário”.

“Toda a sua tentativa é de ajudar os mais novos a perceber, ele vai dar aulas para o liceu, como é que a fé torna a vida grande”, adiantou ainda Sofia Pereira. No fundo o que D. Giussani apresentou foi “uma proposta essencialmente de educação à fé cristã”. Uma educação que não termina numa certa idade, mas que continua sempre, porque sempre se renova e sempre se aprofunda.

Aliás, no site oficial do CL lê-se o próprio D. Giussani escreveu a João Paulo II em 2004 dizendo: «Eu não apenas nunca pretendi “fundar” nada, como considero que a genialidade do movimento que vi nascer é ter sentido a urgência de proclamar a necessidade de um retorno aos aspetos elementares do cristianismo, ou, por outras palavras, a paixão pelo fato cristão enquanto tal, nos seus elementos originais, e nada mais. Talvez justamente isso tenha despertado possibilidades imprevisíveis de encontro com personalidades do mundo judaico, muçulmano, budista, protestante e ortodoxo, desde os Estados Unidos até a Rússia, num ímpeto de abraço e valorização de tudo o que de verdadeiro, belo, bom e justo permanece em quem quer que viva uma experiência de pertença».

Proposta educativa e caritativa

No centro da proposta educativa do CL está a Escola de Comunidade, a catequese permanente do Movimento. Todas as semanas, lê-se ainda no site, “as pessoas juntam-se fiel e livremente em grupos maiores ou menores, em locais e momentos determinados por critérios variados. Pessoas que trabalham na mesma zona juntam-se no local onde uma delas trabalha. Pais que vão levar os filhos à escola juntam-se num espaço junto à escola antes de ir para o trabalho. Famílias que vivem no mesmo bairro juntam-se na paróquia para fazer este trabalho de ascese pessoal e comunitária”. 

Um outro pilar da proposta educativa do Movimento é a caritativa. Com ela pretende-se que as pessoas “aprendam, através da fidelidade a um gesto exemplar, que a lei última da existência é a caridade, a gratuidade”. São numerosas e variadas as atividades propostas desde assistência a pessoas com deficiência ou idosos, visita a prisões, a centros de recuperação de toxicodependentes, ajuda a famílias pobres, apoio escolar, etc.

Momento para retomar a consciência

Mas no meio de tantos afazeres, a que se juntam as atividades de cada um, também há as férias. Sobre elas, Sofia Pereira explicou que D. Giussani dizia que “as férias são para o ano, como o domingo é para a semana. Um “momento para retomar a consciência” dos muitos afazeres do dia a dia.

Falaram depois neste encontro, o Gonçalo, que é responsável dos universitários, para quem o CL é “companhia e caminho”, “um lugar onde me posso expor e falar sobre as minhas dificuldades sem me preocupar em ser julgado, sem ter medo” e ainda a certeza de “estar numa coisa grande e que me faz crescer” e ainda a Leonor e a Constança que explicaram em que é que consistiu o projeto “Estrelas”, na área das artes e da cultura, que foi desenvolvido em plena pandemia, através do ZOOM. Graças a estes encontros o ano de 2020 foi, paradoxalmente, “um ano de graça”, no meio de tanto sofrimento.

Finalmente, falou a Maria que já não sendo universitária, mas fazendo parte deste grupo, explicou como a sua vida de atleta mudou no dia em que descobriu uma “nova lógica”. 

Coração completo com cristo

Focada em ser a melhor na prática do ténis e nas vitórias, o seu Deus eram os prémios que poderia conquistar. Como muitos sempre viu a alegria, incluindo a alegria de ser cristão, associada à palavra vitória. Porém, ao longo da vida, a relação que foi “construindo com Cristo” permitiu interrogar-se sobre o tipo de vitória que procuramos, que o nosso coração procura”.

“Comecei a perceber a vitória do cristianismo como a derrota” porque, explicou, “com o tempo fui ganhando muitas coisas, mas não exatamente o que eu queria”. Por outro lado, “fui percebendo que faltava alguma coisa nessa experiência e percebendo também que tenho um coração que não mente e que só se sente completo em Cristo”. 

Depois de 18 anos a viver para ganhar, a viver dominada pelas regras a que um atleta está sujeito, Maria descobriu que ganhar já não fazia mais sentido e que “a grande vitória é ligarmos a quem a tem e que é a Cristo”. A partir desta descoberta “houve uma explosão de coisas que eu não sabia que era capaz de fazer, como cantar”. 

Algum tempo depois Maria encontra o CL e começou a trabalhar numa comunidade terapêutica, onde passou “perceber cada vez melhor a vitória de Cristo”, na sua vida e na dos outros. Uma vitória “às vezes discreta, mas profunda, que nos ajuda a perceber quem é Cristo e exatamente para que fomos feitos, a não andarmos enganados”.

No final desta ronda de testemunhos, D. Nuno Brás voltou a usar da palavra para agradecer aos jovens “por serem quem são” e por estarem constantemente a ir ao encontro de Jesus Cristo, porque “isso dá sentido à nossa vida e faz-nos ver e viver todas as coisas de uma forma diferente e que bom que é”.