Dia dos Avós e Idosos com surpresas e sonhos

D.R.

Não é dia para discursos a considerar coitadinhos os avós e os idosos que ainda estão vivos. Joaquim, Ana, Semião e a Ana de Fanuel são abençoados na vida e missão (cf.Lc 2,21-38). Todos os idosos são bênçãos de Deus, não lamentações. Os avós e idosos que precisam mesmo de muita ajuda de proximidade doutros. Uns por doença, outros por fraqueza esperam apoio e cuidados de saúde. Devido aos progressos da medicina, outros são cada vez mais, e mais saudáveis; auto ajudam-se com alguma autonomia, mas sentem falta de quem fale com eles, os oiça e solicite a contar narrativas da sua vida.

Algumas abordagens defendem que as ciências humanas não são válidas sem os dizeres e narrativas das experiências e emoções dos humanos, mesmo os mais desvalorizados e pequenos nos cenários da vida. Outros avós e idosos precisam de ser empoderados no estatuto digno de funções de criatividade e missão, segundo o grau da sua validez para bem da comunidade social.

O homem, de qualquer idade, é glória de Deus, no dizer de S. Ireneu. Avós e idosos são glórias de Deus e da humanidade pelo que são e realizam. Importa resistir a teorias e ideologias, “cínicas”, como diz o título de um livro, que pretendem descartar idosos por outros menos idosos, mas insatisfeitos. Será justiça social colocar agora os da mó de cima de ontem por baixo como vítimas, e por cima, mimados, os vitimizados de ontem como se a fraternidade fosse impossível? Descartam-se alguns de ontem e de hoje, privam-se de dignidade, homenagem, posições de santidade, como produtos fora de prazo. Infelizmente as teorias referidas descartam até os “pequenos” por qualquer caraterística individual.

Se os conhecimentos universais perdem valor quando se silencia uma parte dos humanos; não têm sido só os de “raças” não brancas que têm sido silenciados por pseudo irrelevância, para o bem comum de todos os irmãos e filhos de Deus. O Papa, «ao anunciar a instituição do “Dia Mundial dos Avós e dos Idosos”, que se vai assinalar no quarto domingo de julho junta à celebração litúrgica de São Joaquim e Santa Ana (26 de julho)», quis assim ligar a celebração, ao 2 de fevereiro, da festa da Apresentação de Jesus no Templo, quando dois anciãos, Simeão e Ana, “reconheceram em Jesus o Messias” (Ecclesia, 31,01.2021). Associou Jesus Cristo como sentido da vida de Semião e Ana, à de um casal, S. Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora e à de toda a Sagrada Família de Nazaré. Os idosos, são memória de uma parte da história humana, memória dos encontros entre Deus e os homens; e o mais significativo da Incarnação do seu Filho, ao assumir toda a realidade humana de esperanças, alegrias e dores; e das “grandes coisas” da salvação pela paixão, morte e ressurreição para a vida eterna. E ainda da oferta, em Cristo, de misericórdia e perdão aos pecadores arrependidos. O Papa, na sua mensagem, insiste que o Senhor está sempre com os idosos, nunca se reforma e a velhice, tempo de surpresas, leva todos a perguntar-se: «Qual é a nossa vocação hoje, na nossa idade? Salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos». Surpresas a descobrir no chamamentos inesperados do Senhor em qualquer idade. O Papa indica três pilares-surpresas: «os sonhos, a memória e a oração». Os sonhos, de idosos e não só de jovens, como se tende a pensar;. Os jovens podem «agarrá-los», diz o Papa, e fazerem deles «as suas visões» e realizá-las. Os idosos têm o privilégio das memórias, enquanto o privilégio da oração-fala com Deus é para todos, hoje mais que nunca.