D. Nuno crismou 57 jovens em Machico e 33 em São Martinho

Foto: Duarte Gomes

No domingo, dia 18 de julho, D. Nuno Brás visitou as comunidades paroquiais de Machico, onde crismou 57 Jovens divididos em duas Eucaristias e à tarde a paróquia de São Martinho onde ministrou o sacramento a mais 33.

Na homilia da celebração das 10 horas, em Machico, D. Nuno Brás alertou os 30 jovens e adultos deste grupo, para o facto da nossa vida de seres humanos ser, por vezes, muito semelhante a uma telenovela, cuja história se repete vezes sem conta. E o mesmo se passa com a história e com os grandes heróis, que aparecem e desaparecem.

Ao contrário, Jesus oferece-nos a novidade todos os dias. “Ele é um novo modo de ser homem, um novo princípio da humanidade, qualquer coisa de verdadeiramente novo e revolucionário no meio da história da humanidade. Alguém que verdadeiramente nos pode dar o caminho para Deus”. E isto acontece “não porque tenha uma ideia mais brilhante, não porque se ache o melhor que todos, mas porque Ele é o próprio Deus no meio de nós”.

É por isso, explicou que “Nele nós podemos verdadeiramente viver com Deus, Nele nós podemos verdadeiramente encontrar esta realidade, esta vida que nos satisfaz plenamente a nós que somos sempre insatisfeitos”. 

A nossa vida de cristãos, disse ainda o prelado, passa por “deixarmos o homem velho, com hábitos e maneira de ser velha, e passarmos para o homem novo que é Jesus Cristo, o mesmo é dizer, deixar que Jesus Cristo se forme em nós, nos dê forma, nos dê um novo princípio de vida, uma nova forma de vida”.

De resto, é por causa deste homem novo, que morreu na cruz, que nós estamos cá, Ele que “ultrapassou séculos, milénios” e nos oferece constantemente “um novo modo de ser homem, um novo modo de ser humanidade, um novo modo de existir e a nossa vida cristã é sempre esta passagem quotidiana do homem velho para o homem novo”.

Uma realidade que faz com que olhemos primeiro para Deus e para os irmãos antes de olharmos para nós e faz com que vivamos não para vida do dia a dia, mas para a vida eterna. 

É por tudo isto, acrescentou D. Nuno Brás, que “vale a pena viver com Jesus Cristo, vale a pena aceitar este desafio do homem novo, vale a pena deixar que Jesus Cristo se forme em nós”. Ele que, disse o bispo aos crismandos, “começou a formar-se em vocês no momento do vosso batismo” e que “hoje confirma esse dom que vos deu da vida nova e vos entrega o seu espírito, que dá forma à vida cristã, que a transforma e nos faz homens novos”. 

O prelado concluiu exortando os jovens a, num momento de silêncio, pedirem ao Senhor que “Ele nos ajude todos os dias a passar do homem velho, do homem habitual, do homem que é uma telenovela para o homem novo que é Jesus Cristo” e pedirem que “Ele se forme em nós, no nosso coração, na nossa vida e nos ajude a viver e a ser como Ele”.

Como é habitual nestas celebrações, coube ao pároco, neste caso o cónego Manuel Ramos, dar as boas vindas ao bispo diocesano no início da celebração e renová-los no fim da mesma agradecendo essa presença que constitui sempre motivo de alegria para toda a comunidade.

Antes da bênção final, D. Nuno despediu-se deste grupo de crismados lembrando-lhes que foram “marcados pelo Espirito Santo”, que por isso já fazem parte da “humanidade nova” e que em cada dia devem procurar ser “o homem novo que é Cristo”. Depois recordou-lhes que, em 2023, vão realizar-se em Lisboa as Jornadas Mundiais da Juventude e que “precisamos de dois mil jovens madeirenses para lá estarem e vamos trabalhar para isso” e finalmente pediu-lhes que rezem pelo bispo que os crismou.

A nossa missão é ser presença

Já na celebração em São Martinho, que se iniciou eram 16 horas, D. Nuno falou da missão que cabe a cada cristão e, em particular a cada um daqueles que é crismado. 

Trata-se da missão de “sermos presença de Deus no meio dos homens”, de Deus que se “compadece das multidões” que “se preocupa com o drama da nossa vida, com os seus problemas e as alegrias das pessoas”.

Uma tarefa que, ao mesmo tempo que nos é dada por Ele e que só com Ele a podemos desempenhar, porque é Ele que também “cuida de nós como um pastor cuida das suas ovelhas”, porque “conhece cada uma delas pelo nome e se preocupa com cada uma”, porque “vos conhece e vos ama e porque sabe que vocês são capazes de ser a sua presença para esta multidão que está aqui à nossa frente”.

“É importante percebermos que não somos apenas nós a procurar Deus, porque a nossa vida toda ela se resume a isso”, mas temos de perceber “que é Deus também que nos procura a cada um de nós” e fá-lo através de Jesus Cristo que “toma a iniciativa de vir até nós”, todos os dias, “na nossa família, nos nossos catequistas, nos nossos sacerdotes, na sagrada escritura, nos sacramentos, na Eucaristia, na penitência, no Crisma e Jesus Cristo continua presente no meio de nós”, disse D. Nuno Brás, para logo acrescentar que o problema está “em nós insistirmos em fechar-lhe a porta”.

Mais atentos às coisas que se passam longe do que às que acontecem à nossa beira, às coisas que acontecem a quem conhecemos do que às que acontecem a estranhos a pergunta que se coloca ainda é quantos de nós “somos capazes de cuidar de alguém que perdeu a fé, que diz que Jesus Cristo não lhe interessa” e que encontramos “aqui na cidade, nesta cidade do Funchal”.

“Este é o nosso drama de cristãos e ao mesmo tempo a nossa missão”, lembrou D. Nuno, para logo acrescentar que temos de ser “esta presença deste Deus que se compadece das multidões hoje, multidões que não conhecem Jesus, que não deixam que Ele viva com eles, que não Deixam que Ele os salve”.

O bispo do Funchal terminou exortando os crismandos a agradecerem ao Senhor “o facto Dele se preocupar connosco, Dele partilhar a nossa vida, as nossas dificuldades” e a mostrarem que “estamos disponíveis para aquilo que Ele quiser, como estamos disponíveis para ser a sua presença no meio da desta grande multidão da nossa cidade do Funchal”.

Em São Martinho coube ao cónego Manuel Martins, o pároco, apresentar os 33 jovens e adultos e agradecer, no final, a presença do bispo no meio da comunidade, a qual é sempre “a certeza e o garante da unidade e da comunhão eclesial”, porque “não somos Igreja sozinhos”. 

O cónego Manuel Martins agradeceu ainda aos catequistas, aos seminaristas que estiveram com estes jovens neste último ano e a todos os que acompanharam ao longo destes anos e do tempo de preparação, aos pais, a toda a comunidade e ao coro. 

Por fim, antes da bênção, D. Nuno voltou a dirigir-se aos agora crismados para lhes dizer que o Crisma só se faz uma vez, mas é um compromisso para a vida, que tem de ser vivido diariamente, “onde quer que estejam e o que quer que façam”. Lembrou-lhes ainda a realização das Jornadas da Juventude em Lisboa e pediu-lhes que se comecem a preparar.

Terminou pedindo que, sempre que se lembrarem que são crismados, rezem por si porque “o bispo precisa das vossas orações porque às vezes a tarefa é grande demais”.