Santa Cruz: D. Nuno desafiou crismados a viverem com Deus e a deixar que Ele construa neles o homem novo

Foto: Duarte Gomes

A comunidade paroquial de Santa Cruz acolheu no sábado, dia 17 de julho, o bispo do Funchal que ali foi ministrar o Sacramento da confirmação a 43 jovens e alguns adultos.

Um grupo devidamente preparado, que fez o percurso normal da catequese ou a preparação prévia necessária, conforme explicou o cónego Vítor Gomes, pároco de Santa Cruz, na hora de apresentar o grupo.

Na sua homilia, D. Nuno Brás refletiu sobre as leituras do dia e desafiou os crismados a se deixarem conduzir por Deus, o único que “é capaz de construir uma nova humanidade”.

Depois de reconhecer que o ser humano é “descontente” e “insatisfeito” por natureza, o prelado lembrou que essa forma de ser levou o homem, ao longo da história, a seguir “as propostas daqueles que procuraram conduzir a humanidade para realidades e patamares maiores e melhores”, que quiseram “construir impérios” e “construir um homem novo”.

Na verdade, explicou o prelado depois de reler algumas passagens da 1ª Leitura, Deus é o único que verdadeiramente consegue “transformar o homem velho, que nós já conhecemos e experimentamos, no homem novo”.

“Esta é a grande diferença entre Jesus Cristo e todos os outros pastores”, acrescentou adiantando que, “ao contrário dos outros, que deram ideias e fizeram guerras julgando que impondo a sua vontade à sociedade chegariam a fazer um homem novo, quando Jesus Cristo é Ele próprio o homem novo”.

E este homem “radicalmente novo” faz com que os cristãos, bispo incluído como o próprio fez questão de frisar, se interroguem diariamente, percebam que “ser cristão não é aderir a uma ideia, não é aderir a um conjunto de propostas teóricas doutrinais”. Ser cristão é antes “deixar que em nós, em cada um de nós este novo pastor construa o homem novo, em cada dia”.

“Ser cristão é esta realidade de, em cada dia, deixar que Jesus Cristo construa em nós e connosco este homem novo”, salientou o bispo diocesano para logo acrescentar que este é o convite e o desafio que é feito a todos. E não é “um desafio fácil”, reconheceu, acrescentando que ele próprio tem “todos os dias aqui o homem velho a fazer estragos”.

No entanto, “quando nos deixamos construir com Deus”, a nossa vida muda radicalmente. São disso exemplo grandes figuras como a Madre Teresa de Calcutá ou Santo Inácio de Azevedo, cuja solenidade se assinalava neste dia. Todos eles, tal como nós, podemos conseguir grandes feitos se estivermos disponíveis para, com a força do Espírito Santo, “embarcarmos neste homem novo, com Ele, com Jesus Cristo, todos os dias”.

“O homem novo, Deus connosco, é sempre uma realidade diferente, uma realidade que chama a ir mais longe, que chama a ir mais fundo, uma realidade que chama, de facto, a sermos novos”, disse D. Nuno aos Crismandos, para logo acrescentar que se estes julgam que por fazerem o Crisma fica tudo acabado, então estão enganados e “não perceberam nada, não perceberam esta novidade de Jesus Cristo”

O bispo do Funchal terminou a sua reflexão frisando precisamente que tentar acabar com o homem velho “dá trabalho todos os dias, mas é muito bom e vale a pena” e desejando que “o Espírito Santo vos ajude a vocês que vão ser crismados, e a todos nós, a ter a coragem de deixar que em nós, em cada um de nós e em todos nós, Jesus Cristo o Bom pastor construa este homem novo”.

Já quase no final da Eucaristia, concelebrada pelos cónegos Vítor Gomes e Rafael Carvalho e pelo Pe. Carlos Almada, um jovem agradeceu, em nome do grupo a presença e disponibilidade do bispo diocesano para ali estar. Um agradecimento repetido depois pelo pároco de Santa Cruz a quem coube os demais agradecimentos, nomeadamente aos pais, aos padrinhos e a todos os que ajudaram os crismados neste seu percurso.