Livro sobre São Tiago Menor foi apresentado na igreja do Colégio 

Foto: Duarte Gomes

Decorreu ao fim da tarde da passada quinta-feira, dia 15 de julho, na Igreja do Colégio, a apresentação do livro “São Tiago Menor – Querubim divino armado 500 anos de Devoção História e Património na Madeira”, da autoria de Paulo Ladeira e Rita Rodrigues.

A obra, que foi apresentada por Graça Alves, Diretora de Serviços de Museus e Centros Culturais, enquadra-se no âmbito das iniciativas que têm sido promovidas pela comissão diocesana para as comemorações dos 500 Anos do Voto a São Tiago Menor.

Na oportunidade Graça Alves explicou que, 500 anos e outras pestes depois, esta obra “faz todo o sentido”, sendo que a mesma não é “uma obra académica”, procurando “disponibilizar a todos o conhecimento sobre a matéria de que somos feitos”.

Escrito em plena pandemia, lembrou, o livro aproximou os autores dos documentos estudados e de conceitos que se acreditavam pertencer ao passado como quarentena, degredo ou cerca sanitária. 

“Serve este livro para não deixar morrer a memória, para mostrar um património que é de todos, para fazer ciência e para ajudar a revelar a paisagem humana que compõe a nossa história, uma fragilidade tornada força, neste caso concreto pela fé e pela devoção”, disse Diretora de Serviços de Museus e Centros Culturais, cuja intervenção antecedeu a dos autores. Estes, à vez, explicaram com recurso a imagens projetadas, o conteúdo desta obra sobre São Tiago Menor, a quem foi atribuído o milagre de ter salvo a cidade do Funchal da Peste.

Contributo importantíssimo

Já o bispo do Funchal, na sua intervenção, começou por explicar que num tempo que “procura construir-se à margem de Deus”, pode ser “difícil compreender aquele ato da vereação da Câmara Municipal do Funchal” de recorrer à intervenção divina. 

No entanto, acrescentou, “creio que a luta por construir uma cidade, uma sociedade, a luta por viver no meio de uma realidade tantas vezes agreste, esta dimensão da luta está muito presente neste Querubim divino Armado, porque esta escolha de São Tiago mostra que Deus está da parte do homem contra tudo aquilo que o pretende aniquilar, seja a peste ou todas as outras realidades”. 

D. Nuno Brás agradeceu depois aquele que “foi o sim”, de todas as pessoas e entidades envolvidas na elaboração desta obra, em particular aos autores pela sua “abertura à novidade” e a coragem de trazer à luz do dia alguns factos novos, como o facto do voto não ter sido feito a 11 de julho, mas a 8 e de “colocar em causa aquilo que parecia quase um dogma à volta da imagem de São Tiago Menor”.

O bispo do Funchal considerou ainda que o livro agora disponível, que pode ser adquirido na Cúria Diocesana ou na Sé, “representa um contributo importantíssimo para percebermos todo este dinamismo que se encontra associado a São Tiago Menor, ao lugar que ele tem no coração dos madeirenses, à importância que São Tiago Menor tem na nossa identidade coletiva, como sociedade, que por isso mesmo nos convida a esta ousadia de continuarmos a construir uma sociedade não à margem de Deus, mas com Ele, sabendo que Ele está sempre do lado do homem, do ser humano”. Isto explica, disse, “não apenas esta necessidade de sermos herdeiros, mas de vivermos hoje aquilo que foi esta identidade” e a “construirmos este nosso tempo com a mesma ousadia com que há 500 anos os Funchalenses se entregaram nas mãos de São Tiago Menor”.

Só um povo culto é esclarecido

Quanto ao secretário do Turismo e Cultura, outro dos intervenientes na cerimónia também lembrou que, como há 500 anos, nós “hoje estamos todos preocupados com outra peste” e que esta coincidência nos deixa “uma mensagem muito forte”, nomeadamente de que “temos a obrigação de aprender com essa história”. 

É por isso que esta investigação, esta “procura na história e na memória como forma de nos trazer conhecimento”, deve “ser relevada pelo exercício de grande contributo social”, disse Eduardo Jesus, para logo acrescentar que “o acesso ao conhecimento é uma obrigação que nos assiste” e eu “só um povo culto e conhecedor é um povo esclarecido e quanto mais esclarecido for tem mais condições de tomar as melhores decisões”. 

Depois de agradecer a todos os intervenientes envolvidos neste trabalho, o governante voltou a sublinhar o excelente relacionamento institucional entre o Governo e a Diocese do Funchal, o qual tem permitido precisamente preservar a memória e a história.

Fé, a devoção e a confiança

Miguel Silva Gouveia, presidente da Câmara do Funchal lembrou, por seu turno, que o “Funchal de há 500 anos mantinha muitas daquelas que são as suas qualidades atuais”. Tal como agora, era “uma cidade cosmopolita aberta ao mundo, com um povo hospitaleiro”. 

Mas essa abertura tinha, tal como agora, “alguns riscos”. Naquele tempo foi a peste negra, hoje é a pandemia que afeta esta que “chegou a ser a maior Arquidiocese metropolitana do mundo”.

Depois de referir que “os funchalenses sempre foram um povo próximo, humilde e trabalhador”, que se manteve na cidade apesar do que ela vivia, o presidente da autarquia recordou que naquela altura a vereação da câmara se “manteve indefetível, ao lado daqueles que sempre procurou defender” com coragem, abnegação e humildade, sem jamais baixar os braços, mesmo que para isso tivesse, inclusive, de solicitar intervenção divina.

E se na altura “a fé foi uma das forças motrizes da nossa prosperidade, a devoção a São Tiago menor foi um momento superlativo dessa fé”, disse ainda o autarca, que sublinhou que a confiança nesse voto e a sua repetição transmitiram aos funchalenses que “é possível ultrapassar as adversidades sejam elas terrenas ou do foro espiritual”. 

Hoje, prosseguiu, “repetindo esta conjugação de fé, devoção e confiança, repetimos precisamente esses passos dos nossos antepassados, procurando devolver à nossa cidade a confiança, entre instituições, para nos podermos relacionar uns com os outros e socializar”. O autarca concluiu frisando que, 500 anos depois, “o Funchal continua a ser uma cidade aberta e cosmopolita, uma cidade onde o povo é próximo humilde e trabalhador e uma cidade que releva a fé, a devoção e a confiança”.