Onde encontrar a felicidade?

D.R.

O egoísmo foi, desde sempre, o grande pecado humano. Nele se resumem, de um modo ou de outro, os grandes problemas do mundo: é porque somos egoístas que as guerras têm lugar; é porque somos egoístas que as famílias se desentendem; é porque somos egoístas que terminamos por não viver bem até mesmo com a nossa pele.

Contudo, o mundo contemporâneo como que refinou o natural egoísmo humano. A publicidade procura convencer-nos de que somos estrelas, que cada um de nós é o melhor que poderá alguma vez ser encontrado. Procuram convencer-nos que somos deuses. Dizem para pensarmos primeiro em nós e só depois (no pouco espaço que resta) nos outros. Procuram iludir-nos e fazer-nos acreditar que, se cada um pensar primeiro em si, todos acabam por ficar bem.

Mas nós sabemos que não é assim. Sabemos que, quando nos achamos o centro de tudo o que existe, o centro do mundo, nos aparece automaticamente uma dificuldade: é sempre um problema ocupar esse lugar porque ele é disputado por todos aqueles que, como nós, também se acham o centro do mundo. E no centro só existe um lugar.

Ao contrário, aquele que percebe que fomos criados para os outros — para o Outro que é Deus e para os outros nossos semelhantes. Esse dá o primeiro lugar ao próximo. Procura servi-lo antes de se servir. Procura o bem comum. E neste serviço encontra a felicidade. Como afirmava o próprio Jesus: “há mais felicidade em dar que em receber” (Act 20,35).