Constança, a guerreira

D.R.

Tinha 24 anos. Constança Braddell sofria de fibrose quística e encontrava-se internada nos cuidados intensivos em estado muito grave. “É com grande tristeza que hoje, dia 11 de julho, pouco depois das 14h, a nossa querida Constança nos deixou. A Constança viveu constantemente a sua vida com um admirável positivismo e entrega. Nunca tomou nada por garantido, apreciando cada momento da sua vida como se fosse o seu último”, escreveu a família no domingo passado nas redes sociais.

A história de Constança foi conhecida em março, através da página do Instagram, quando a jovem escreveu “Não quero morrer, quero viver”. Nesse texto fala da sua luta com a doença nos últimos seis meses e do medicamento que precisava mas que não se encontrava à venda em Portugal. 

Em setembro de 2020 a sua vida mudou drasticamente: “Tenho vindo a morrer lentamente. Perdi 13kg no espaço de três meses e estou ligada a oxigénio 24/7, e a um ventilador não invasivo para dormir porque é a única maneira de eu conseguir continuar a respirar. Uma simples ida à casa de banho parece impossível. Uma simples chamada ao telefone deixa-me exausta. Tenho experienciado ver a minha vida a terminar lentamente”.

Na sequência da atenção de vários orgãos de comunicação social a esta situação, o Infarmed aprovou o pedido de Constança para a utilização do medicamento que, embora não seja a cura, pode prolongar a vida de um paciente com esta doença.

“Obrigada a todos os que se juntaram recentemente para ajudá-la a celebrar a Vida – é graças a todos e cada um de vós que ela viveu os mais extraordinários últimos meses da sua vida feliz e esperançosa”, escreveram os familiares da jovem, concluindo: “A Constança mostrou ao mundo o significado de ‘Acreditar’ e tornou-se numa inspiração para todos nós. Ela será e permanecerá sempre uma fonte de inspiração. Aquela com o sorriso mais contagioso, que radiava energia e uma força de espírito inigualável. Constança Braddell tu és, e serás para sempre, a nossa maior guerreira. Nós amamos-te”.

Para a Associação Nacional de Fibrose Quística, “ao tornar público o seu caso pessoal, a Constança tornou-se o rosto dos cerca de 400 pacientes que vivem em Portugal com fibrose quística” e conseguiu expor “as dificuldades diárias de todos os que vivem com esta doença”. 

Esta associação diz também que “as terapias inovadoras para a fibrose quística que surgiram nos últimos anos trouxeram-nos um sopro de esperança para que cada vez menos percamos os nossos guerreiros antes do tempo. É fundamental que sejam disponibilizadas de imediato a todos os pacientes elegíveis e que deles possam usufruir.”