Missa de 7º dia: D. Nuno fala da radicalidade do cónego Damasceno a que também nós somos convidados 

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu na sexta-feira, dia 9 de julho, à Missa de 7º dia do cónego António Damasceno.

Uma celebração que teve lugar na igreja de São Pedro e em cuja homilia D. Nuno Brás falou da “radicalidade que Jesus trás consigo, no sentido de ter raízes, ou melhor dizendo uma única raiz que é o pai”.

Depois de explicar que “Jesus não era um homem de bom senso, se por bom senso entendermos aquela meia medida, aquele estar no sim e no não”, o prelado frisou que “tudo aquilo que Jesus diz, que Jesus faz, que Jesus é, vem do pai”. Não há “outra fonte ou outra razão”. E isso, prosseguiu, “é que é a radicalidade, a radicalidade é quando encontramos esta raiz e estamos seguros nela e esta raiz se conjuga em cada momento da nossa existência”.

D. Nuno Brás disse mesmo que “é isso que faz os santos”. Dito de outra forma, “o santo não é outro senão aquele que percebeu esta radicalidade de Deus, esta centralidade de Deus e teve a ousadia de a viver em cada momento da sua existência”.

“Nós cristãos somos convidados a essa mesma radicalidade”, assegurou o bispo do Funchal, para logo acrescentar que somos convidados a “adquirir o coração de Deus, o olhar de Deus”.

É esse o convite que o Senhor faz a todos nós. O convite de “encontrarmos nele a raiz, a razão, o fundamento do nosso viver”. E foi isso que, “sem querer estar a canonizar o senhor cónego António Damasceno”, que o bispo do Funchal disse ter encontrado nele.

“Dos poucos momentos em que estive com ele, que apesar de tudo foram vários, verdadeiramente aquilo que nos ficava era a imagem de um sacerdote completamente entregue a Deus. Era precisamente esta radicalidade, este todo a partir do qual havia depois cada momento da existência”, frisou.

É por isso que “queremos pedir ao Senhor que acolha no seu seio este servo bom e fiel que foi o senhor cónego Damasceno, mas queremos pedir para nós que ainda peregrinamos na terra esta coragem esta ousadia de vivermos radicados nele, de vivermos a partir Dele e de a partir dele olhar e amar tudo quanto está à nossa volta”.

D. Nuno Brás terminou a sua reflexão desejando que “o Senhor nos ajude a perceber que o Evangelho não são apenas desejos irrealizáveis, mas são atitudes que todos nós somos convidados a assumir, não por causa de uma ideia, mas por causa de uma pessoa que é Jesus Cristo”.

No final da Eucaristia, o cónego Fiel de Sousa explicou a razão pela qual aquela celebração decorreu em São Pedro, igreja à qual o senhor cónego Damasceno irá ficar para sempre ligado.

O vigário geral sugeriu ainda ao Cónego João Francisco Dias, pároco de São Pedro, que dê o nome do Cónego Damasceno à sala que é usada pela Confraria de São Vicente de Paulo, de onde costumam sair todos os meses “60 a 70 cabazes” para ajudar várias famílias, sendo que, lembrou, a caridade também era uma das virtudes e das práticas do cónego Damasceno.